IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DA BOA MORTE

Publicado: agosto 4, 2011 em Cultura Afro-Brasileira, Sociedade
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  A grande festa religiosa
Em agosto tem a festa da irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, na cidade baiana de Cachoeira, uma tradição que se mantém desde 1820


Irmandade conta hoje com 23 senhoras, todas com mais de 50 anos e descendentes de escravos

Durante cinco dias (de 13 a 17 de agosto), a cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano – a 116 quilômetros de Salvador – realiza a tradicional Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, que ocorre desde a época do Brasil Império com forte sincretismo religioso, com influências da religião católica e do candomblé.

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte é composta por uma confraria de 23 senhoras cujos requisitos são descender de escravos africanos e possuir mais de 50 anos de idade. A confraria surgiu quando um grupo de mulheres, ex-escravas, reuniu-se para conseguir a alforria de outros escravos do município. Essa tradição foi reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia, em junho do ano passado, e passou a contar com o apoio do Governo do Estado para sua realização. O evento, que começa com a procissão das irmãs pelas ruas da cidade histórica em sinal de luto pela morte de Nossa Senhora, é carregado de fé e emoção e atrai milhares de turistas do mundo inteiro, principalmente, afro-americanos, interessados em cultura negra e religiosidade. Durante as festividades, são realizadas missas na Capela de Nossa Senhora d’Ajuda e oferecidos carurus e cozidos, típicos pratos da cultura afro-brasileira.

SACRO E PROFANO
Além da Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, a cidade de Cachoeira, por si só, é uma atração para quem deseja visitá-la em agosto. De clima tranquilo, o município foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), possui uma rica arquitetura (depois de Salvador, é a cidade baiana que tem o maior acervo no estilo barroco do país). Para aqueles que gostam da natureza, os passeios de barco pelo leito do Rio Paraguaçu é uma ótima opção para desfrutar todas as belezas da cidade. Depois da procissão das irmãs, a última etapa da festa religiosa, a festa ganha o seu lado ‘profano’, com diversas atrações musicais e uma grande manifestação popular toma conta das ruas, um verdadeiro carnaval fora de época com ritmos musicais para todos os gostos.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO: 
13/8 - Ritual do traslado do esquife de Nossa Senhora, às 18 horas, com saída do anexo da Capela D’Ajuda, com destino à capela da Irmandade, onde haverá celebração religiosa em memória das irmãs falecidas. 
14/8 - Procissão do enterro de Nossa Senhora, às 19h00. Parte da igreja da Irmandade e percorre as principais ruas do centro histórico de Cachoeira, seguida de filarmônicas que tocam marchas fúnebres. 
15/8 - Cortejo que parte da igreja da Irmandade, após a missa marcada às 8h00. Integrantes da irmandade vestem beca, usam joias, mostram as contas de seus orixás, além de deixar a face vermelha do xale exposta. A Irmandade oferece um farto banquete com feijoada, assados e saladas. 
16/8 - A Irmandade oferece à população o tradicional escaldado, com diversos tipos de carnes, verduras, legumes e pirão. Às 18h00, samba de roda. 
17/8 - Nesse dia, também a partir das 18h, a festa continua com o samba de roda de Nossa Senhora e distribuição de caruru e mungunzá.

PARA APROVEITAR A FESTA: 

COMO CHEGAR: Partindo de Salvador pela BR-324, percorrer 59 km até o entroncamento da BA-026 e mais 11 km até Santo Amaro. A partir dessa cidade, seguir para Cachoeira pela mesma BA-026, por mais 38 km. Outra opção é seguir pela BR-324 até o viaduto que dá acesso à BR- 101 e seguir até a Barragem de Pedra do Cavalo e descer até Cachoeira. De ônibus é possível ir pela empresa Santana (55 71 3450- 4951), a partir do Terminal Rodoviário de Salvador. Para mais informações sobre as condições das estradas, acesse o site do DNIT.

ONDE FICAR 
ACLAMAÇÃO APART HOTEL 
Centro de Cachoeira
(75) 3425-3428
Mais Informações: http://www.aclamacaoaparthotel.com.br/

POUSADA DO CONVENTO
Rua Inocêncio Boaventura, s/n – Praça da Aclamação

CACHOEIRA APART HOTEL 
Rua Prisco Paraíso, 3 – Centro
(75) 3425-2526 / 3425-3413 
Mais informações: www.bahia.com.br


A partir de esquerda: Emanuella Ribeiro, Miss Ribeirão Pires; Ana Paula Queiroz, jornalista e organizadora do evento; Luanna Santana; o coreógrafo Naldo; Gabriela Souza e a grande vencedora, Márcia Santos

Miss beleza negra 
Pelo segundo ano consecutivo, foi realizado o Concurso Beleza Negra de Carapicuíba, município da Grande São Paulo, para valorizar e aumentar a autoestima das mulheres afrodescendentes da região. “Queremos quebrar esse padrão de beleza que a grande mídia insiste em apresentar, um estereótipo que não faz parte da realidade dos brasileiros. A proposta inicial do concurso é levantar a bandeira contra o preconceito, e sempre a favor da igualdade racial, esclarece o produtor Thiago Barbosa. As três primeiras colocadas ganharam prêmios em dinheiro e bolsas de estudo na Faculdade da Aldeia de Carapicuíba (FALC). São elas: Gabriela Souza, Márcia Santos e Luanna Santana, respectivamente primeira, segunda e terceira colocadas no concurso.


Plenário lotado de representantes de entidades de mulheres, indígenas e negros, figuras populares do Recôncavo Baiano e ilustres baianos, como Luislinda Valóis (à esq. de vermelho)

Heroínas negras
Mulheres que se destacaram na luta pela independência da Bahia foram homenageadas na Câmara Municipal de Salvador em sessão especial, intitulada O Papel Histórico da Mulher na Independência da Bahia. O evento, de iniciativa da vereadora Olívia Santana, teve como objetivo estimular o resgate do protagonismo da mulher na história da Bahia e do Brasil, destacando as figuras de Maria Quitéria, Joana Angélica e, em especial, a falta de registros sobre a heroína negra Maria Felipa. Segundo Olívia, embora a historiografia oficial celebre a força masculina, a Bahia quebrou esse tabu. “Se a história oficial nos nega, nós vamos celebrar a história popular, vamos resgatar a memória do povo, vamos trazer esse símbolo que é Maria Felipa. Não é surpresa não existirem registros. A falta de registros nos torna invisíveis e a invisibilidade nos faz entes passivos da história.” No plenário, além de representantes de entidades de mulheres, indígenas e negros, e figuras populares do Recôncavo Baiano – região que vivenciou fortemente as batalhas pela independência – destaque para as presenças da ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), a historiadora Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Janeth Suzarth, coordenadora estadual do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e Luislinda Valóis, a primeira juíza de Direito negra do Brasil.

SOBRE MARIA FELIPA
Nascida em Itaparica, Maria Felipa foi um mulher corajosa, muito bonita, praticante da capoeira e marisqueira. Figura conhecida e admirada na ilha, foi uma das principais referências femininas na luta pela Independência da Bahia. Segundo historiadores, Maria Felipa liderou um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército de Portugal (que tentava invadir Itaparica), e atacou os soldados com galhos de cansansão – planta que provoca sensação de queimadura ao tocar a pele – e, logo após, ateou fogo em 42 embarcações, o que enfraqueceu os portugueses. Também atuou na guerra como enfermeira, além de ser uma grande e discreta informante

 

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