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Divindades tomam o corpo dos iniciados por meio dos códigos musicais

No candomblé, o canto e a dança têm importância central. É através deles que os deuses se manifestam no corpo de sacerdotisas e sacerdotes para ficar mais perto da comunidade que os cultua. O comando para proporcionar essa proximidade está nas mãos e vozes de homens preparados especialmente para este fim: alabês, na nação ketu; huntós, na jeje; e xicarangomas na angola.

Como instrumento de comunicação, eles têm os atabaques –  rum, rumpi e lé -, elementos considerados também divindades por sua missão especial. “Tudo que tem vida tem voz, e a voz do candomblé é o som retirado dos atabaques pelos alabês”, explica a ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, mãe Stella de Azevedo Santos. Ela reforça que a relação dos sacerdotes  é diretamente com as divindades. “O som dos atabaques consegue fazer com orixá muita coisa que a própria pessoa não tem condições”.

Compromisso - Apesar da nomenclatura diferente para cada nação, as características do posto de sacerdote músico se repetem em todas elas. O cargo é dado a um ogã ou tata, dependendo da tradição litúrgica do terreiro. O título é exclusividade dos homens que “não rodam”, ou seja,  não incorporam as divindades por meio do transe.

Dentre os escolhidos para o posto de ogã ou tata,  alguns recebem funções rituais específicas, como o abate dos animais nas cerimônias ou dedicação para conhecer os mistérios da música litúrgica. Um ogã é escolhido durante uma festa pública. A divindade se aproxima dele e o “suspende”, ou seja, pede ajuda para a execução de elementos do seu culto. Se aceita a missão, ele se integra à rotina do terreiro na condição de “suspenso”, ou seja, à espera do seu processo iniciático que é conhecido como “confirmação”.

Em algumas comunidades, os sacerdotes músicos  também possuem o compromisso de  construir os próprios atabaques. Eles dominam a arte da fabricação desde a marcenaria até o trato do couro animal. “A relação entre um ogã e a divindade começa a ser construída a partir do momento que a pessoa é suspensa”, explica Jaime Sodré,  doutorando em história social e xicarangoma do Terreiro Tanuri Junsara.

Durante uma cerimônia religiosa, cada canto, toque e dança conta detalhes dos mitos sobre as  divindades. Os mitos têm a função de ensinar sobre o porquê da prática religiosa. Sodré explica que, por isso, um bom sacerdote da música tem que estar sempre atento para aprender sobre vários aspectos da sua religiosidade.
“É  fundamental que o sacerdote conecte-se com a divindade e com o momento que ela vive na hora do rito”, diz. Sodré acrescenta que é comum um ogã já ter referência e prática musical, o que não implica que ele vá ser um bom alabê.

“Muito mais do que saber tocar, ele precisa desenvolver as noções e a intimidade com os santos . É assim que ele vai saber o que cada um precisa”, diz. De acordo com Sodré, um sacerdote músico acaba por dominar a habilidade musical para além da sua função no terreiro. “Todo sacerdote músico conhece muito da arte musical. Chamar os deuses é uma missão muito mais complexa do que simplesmente tocar”, diz. 

Poder - O doutor em antropologia, professor da Ufba e religioso do candomblé Vilson Caetano explica que, como em outras funções das religiões de matriz africana, os elementos ligados à música reúnem símbolos da visão sobre a vida e a formação do mundo. “O som tirado dos atabaques imita o que vem do ventre das mulheres quando elas estão grávidas. Na natureza, isso é bem representado pela cabaça, que é usada para dar o som em   ritos que têm a marca do renascimento. Portanto, o alabê estreita essa relação entre o sagrado e a humanidade”.

De acordo com ele, um sacerdote músico, desde cedo, já dá indícios da sua vocação no culto. “A maioria deles, quando criança, já revela um pendor musical. Começa às vezes batendo na lata”, diz. Outra característica muito própria dos sacerdotes músicos é a percepção para aprender o tempo inteiro o que cada nota sonora comunica. “Ele tem que saber ouvir para entender o que está cantando, o sentido e o poder que essas letras e melodias possuem”, completa.

Senegal – Membro da casta dos griôs – homens que dominam o poder de comunicar a ancestralidade por meio da transmissão de histórias e cantos – Dudu Rose, senegalês radicado na Bahia, diz que em seu país há ritos religiosos que também dão muita importância à música. “Parecido com a Bahia, as divindades são chamadas pela música. A diferença é que a festa não é feita em locais específicos como o barracão dos terreiros”, diz Rose.

Ele explica que, no Senegal e em outros países do continente africano, o culto às divindades, que inspirou o candomblé brasileiro, penetra em vários segmentos da vida social. Por isso há até reconhecimento econômico para o trabalho dos griôs. “No Senegal, por exemplo, os griôs vivem deste seu dom. Também podemos fazer um danpan (rito religioso local) na praia, na porta de casa ou na rua. O importante é falar com o orixá”, explica.

Fonte: A Tarde Online

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