Fundação Pierre Verger relança o clássico “Lendas Africanas dos Orixás”

A obra é um dos títulos mais procurados por pesquisadores, religiosos e interessados em assuntos da diáspora africana

Criada em 1988 pelo fotógrafo francês, a Fundação Pierre Verger tem como um dos seus principais objetivos preservar, organizar, pesquisar e divulgar a obra do seu instituidor. Funcionando na casa onde Verger viveu durante muitos anos até a sua morte, em 1996, a Fundação cuida de um patrimônio cultural de inestimável valor antropológico, etnográfico e artístico, construído ao longo de 60 anos de viagens pelos cinco continentes e de incontáveis horas de dedicação à escrita das histórias, experiências e estudos sobre as culturas e os povos que ele conheceu ao redor do mundo.

Com 30 anos de existência, completados e celebrados recentemente, a Fundação Pierre Verger segue desenvolvendo ações que ampliam o acesso à obra de Fatumbi e possibilitam ao público o encontro com esse acervo. São publicações e reedições de livros, exposições e seminários, além de outras atividades socioculturais desenvolvidas com a comunidade da Vila América, local onde a Fundação está situada.

Com sua primeira edição lançada em 1985 pela Editora Corrupio, o livro “Lendas Africanas dos Orixás” é um dos títulos mais procurados por pesquisadores, religiosos e interessados em assuntos da diáspora africana. A obra traz um compilado de lendas, cuidadosamente coletadas por Verger em 17 anos de sucessivas viagens pela África Ocidental, desde 1948, período em que se tornou Babalawô (1950) e quando recebeu do seu mestre Oluô o nome de Fatumbi.

Todas essas lendas foram anotadas por Verger a partir das narrativas desses sacerdotes de Ifá, os babalawôs africanos, pais do mistério sagrado. Como diz Arlete Soares no texto de apresentação da primeira edição, são “histórias que constituem, todas elas, testemunhos diretos e espontâneos da cultura iorubá, cuja influência na nossa cultura faz-se sentir de maneira tão acentuada”.

Apesar de Pierre Verger ser conhecido mundialmente por seu trabalho fotográfico, “Lendas Africanas dos Orixás” não tem nenhuma das fotografias produzidas por ele. No entanto, a imagética das histórias dessa obra recebe o auxílio luxuoso de Carybé, que assina as 24 ilustrações. O artista visual nascido na Argentina e grande amigo de Fatumbi traduz com carinho, sensibilidade e cuidadosas informações etnográficas o espírito da magia dos orixás, que é fruto da sua intimidade com o candomblé da Bahia.

Esta nova edição de “Lendas Africanas dos Orixás” é uma publicação da Fundação Pierre Verger e traz como uma das principais novidades o prefácio assinado por Reginaldo Prandi, sociólogo e reconhecido escritor brasileiro sobre as mitologias dos orixás, com o texto “Um babalaô me mostrou”, no qual o professor destaca o quanto esta publicação tem contribuído para repor parcela significativa da tradição esquecida de parte do patrimônio mitológico iorubá por força da adversidade da vida dos africanos no Brasil.

Com edição de arte e design gráfico de Enéas Guerra – também responsável pela primeira edição – e projeto editorial da Solisluna Design Editora, “Lendas Africanas dos Orixás” chega com uma tiragem de 4.000 exemplares, em capa dura, no formato 21,7 x 27,6 cm. Nas suas 100 páginas, além dos 24 textos e ilustrações originais, o livro apresenta uma fotografia dos artistas, texto de apresentação de Gilberto Sá, o prefácio original de Arlete Soares e o texto de Prandi. A impressão é da Ipsis Gráfica.

A Fundação Pierre Verger lança a nova edição desse grande clássico da mitologia dos orixás no próximo dia 12 de setembro, às 19 horas, na Galeria Marcelo Guarnieri, em São Paulo. “Lendas Africanas dos Orixás”, assinado por Pierre Fatumbi Verger e Carybé, retorna às prateleiras das livrarias após três anos de grande procura dos leitores.

Para utilizar, bastará apenas fazer o download, instalar e colocar a câmera do aparelho sobre a ilustração de Carybé que, automaticamente, o aplicativo reconhecerá a imagem e iniciará a narração do seu texto de referência. Este recurso já vem sendo utilizado pela Fundação nas últimas exposições de Verger e, segundo conta Alex Baradel – responsável pelo Acervo Fotográfico e idealizador do aplicativo: “é uma forma de disponibilizar conteúdos extras ao público, promovendo, também, acessibilidade às crianças e às pessoas com deficiência visual”.

O aplicativo funciona não apenas com as imagens do livro e da exposição, mas em qualquer outro suporte onde as ilustrações possam ser reconhecidas, como, por exemplo, a tela de um computador, e se constitui, também, em uma ferramenta interessante de ser utilizada para inserção das culturas africanas e afro-brasileiras em espaços de educação, especialmente os que trabalham com o público infanto-juvenil. Outro bônus da noite será o valor promocional do livro que, nesse dia, será vendido por 48 reais.

A programação segue no dia 14, quando acontecerá, a partir das 10 horas, uma atividade no mesmo local com Vovó Cici, na qual a griot narrará textos do livro entre outras histórias da inesgotável cultura do culto aos orixás africanos. Não deixe de levar seus filhos e crianças para vivenciarem esta experiência única.

 

Fonte: Carta Capital

 

COLÓQUIO DIREITO, LEGISLAÇÃO ANTI-RACISTA, ENSINO, PESQUISA E INOVAÇÕES

Nos dias 9 e 10 de Setembro, na UFF
Com presença de Patricia Sellers, Renato Nogueira, Carlos Alberto Medeiros, Wilson Madeira, Napoleão Miranda, Ísis Conceição, Renato Ferreira, Ivanir dos Santos, Thula Pires, entre outros. 
GRUPO DE PESQUISA DIREITO, JUSTIÇA E PLURALISMO ÉTNICO-RACIAL e PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA E DIREITO (PPGSD) DA UFF
 

O Colóquio de Direito, “Legislação Anti-Racista: Ensino e Pesquisa” destaca as pesquisas multidisciplinares atuais em sociologia e direito. A conferência examinará a interseção da legislação anti-racista e do pluralismo étnico-racial no contexto das universidades brasileiras. O objetivo da conferência é incentivar maior visibilidade e promover mais ensino e pesquisa nessa área. Além disso, o dia de inauguração do Colóquio consistirá em oito mesas-redondas com cinco painelistas, cada um que fará 40 apresentações acadêmicas relevantes para o tópico.


“Estarão reunidos nesse Colóquio de Direito, um grupo de acadêmicos de renome nacional em suas respectivas áreas de pesquisa, bem como alunos de mestrado e doutorado que tratarão de temáticas inovadores no contexto do mundo universitário brasileiro tais como legislação antirracista, interseccionalidade e diversidade. Dessa forma, o Colóquio pretende não somente dar maior visibilidade à nova produção científica no ordenamento jurídico brasileiro, mas também estabelecer e ampliar a interlocução com pesquisas em andamento no nível Internacional”, atesta Jacques d’Adesky, interlocutor do colóquio.

Projeto inovador e de grande relevância no campo acadêmico e social, em dois dias (segunda e terça), direcionado para alunos de graduação e pós-graduação das Faculdades de Direito da UFF, UFRJ, UERJ, PUC-Rio, Unesa etc., além do corpo docente dessas universidades. Com propósito de estimular a produção científica no âmbito da pesquisa acadêmica, bem como a incorporação nos currículos das temáticas referentes ao racismo, discriminação, judicialização, entre outros. Além de fomentar mediante a produção acadêmica uma cultura jurídica que possa identificar preceitos jurídicos indutores de discriminação, anacronismos e lacunas de modo a revertê-los mediante seu aprimoramento. E fortalecer a incorporação do valor da diversidade étnico-racial no sistema normativo.

“No processo pela promoção da igualdade racial na educação superior há alguns anos a UFF adotou cotas no curso de pós graduação em Sociologia e Direito. Isso resultou na criação de um grupo de pesquisa que investiga temas como gênero e racismo, liberdade religiosa e discriminação, ações afirmativas nas universidades, judicialização da questão racial, dentre outros. Os pesquisadores são em grande parte alunos e ex alunos negros do PPGSD”, afirmou Renato Ferreira, que é Advogado especialista em Direitos Humanos e Rel. Raciais e Prof. Universitário, faz ainda  doutorado e investiga o Direito e as Relações Raciais no Brasil.

Dia 9 (segunda) de setembro, às 18h
Abertura com o Prof. Dr. WILSON MADEIRA, Diretor da Faculdade de Direito, UFF; Prof. Dr. NAPOLEÃO MIRANDA, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito (PGSD) da UFF.
18h30 – APRESENTAÇÃO CULTURAL: Camerata Vila / Ação Social pela Música no Brasil (Jovens músicos moradores do Morro dos Macacos e adjacências). Com a participação especial da cantora e atriz Zezé Motta.
19h às 20h – CONFERÊNCIA DE ABERTURA NO SALÃO NOBRE: Profa. Dra. PATRICIA SELLERS, Advogada Criminalista Internacional. Assessora Especial para Gênero do Gabinete do Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Visiting Fellow no Kellogg College da Universidade de Oxford. Ex-Juíza do Tribunal Penal Internacional sobre a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia.

20h às 21h – coquetel

Dia 10 (terça) – Das 9h às 11h – Auditório
Mesa 1″Infâncias, UNICEF ECA: Direitos das Crianças, Políticas para Infância no Brasil e no mundo”. Coordenador: Prof. Dr. Renato Noguera, UFRR). Participantes: Clarissa Félix — Juventude e Delinquência”: Brúnior Alves — “Arte, Religião e Política na partilha do sensível: uma crítica estética e racial segundo Ranciêre e Mbembe”; Lucileia de Souza Baptista — “Os contadores de Histórias Negras como caminho para aplicação da Lei Federal 10.639”; Vanessa Cristina dos Santos Saraiva —“Acolhimento, institucionalização e adoção internacional: essa é a política que queremos para crianças e adolescentes negros?”.

Mesas Redondas paralelas – Das 11h30 às 13h30
Mesa 2 – “Direito, Ações Afirmativas e Diversidade”. Coordenador, Carlos Alberto Medeiros, Mestre em Sociologia e Direito pela UFF, doutorando em História Comparada pelaUFR), tradutor de Zygmunt Bauman. Convidado: Renato Ferreira, UFF. Participantes: Luis Fernando Martins — “Da consolidação das políticas de ação afirmativa no STF e no TJ-RJ: o protagonismo dos negro sem defesa de seus direitos utilizando como ferramenta o instituto “Amicus Curiae”; Carlos Eduardo de Souza Brêta – “Sistema de Cotas: campo social, capital político, capital simbólico e resistência negra”; Erli Sá dos Santos – “Escrevivência de Sala de Aula: uma prática, várias histórias”: Nathalia Silva Borges – “Ações afirmativas como garantia legal de combate às desigualdades étnico-raciais: justiça redistributiva e o direito ao reconhecimento”.

Auditório II – Mesa 3
“Decolonialidade, Direito e Pensamento Afrodiaspórico”. Coordenadora: Profº. Drº. Thula Pires(PUC-Rio).Participantes: Diego Reis e Malu Stanchi — “Na Colônia Penal: Críticas decoloniais ao sistema de justiça criminal”; Elaine Barbosa — “Criminalização política de mulheres encarceradas: Narrativas em cartas do cárcere”; Henrique Rodrigues Costa — “Da necessidade de decolonizar e afro-pensar o Direito”; Michel Cícero Magalhães de Melo – “Dispositivosde poder e guerra às drogas: o genocídio racial através dos processos criminais”; Nádia Maria Cardoso da Silva -“Descolonização das ciências sociais numa perspectiva negra”; Valdeci Ribeiro dos Santos – “Devires daNegritude Afrodescendentes Brasileiros e Caribenhos em Rondônia”. 

Das 15h ás 17h – Auditório – Mesa 4
“Direito, Estado, Laicidade e Religião”. Coordenador: Prof. Dr. Ivanir dos Santos, doutor em História Comparada pela UFRJ, interlocutor do Ceap / CCIR e babalawô. Convidado: Jacques d’Adesky  – “Liberdade religiosa, laicidade e coexistência”. Participantes: Alberto Coutinho de Freitas – “Atentados contra a laicidade do Estado emanados através de seus agentes: a relação promíscua entre o estado e grupos religiosos”; Kalebe Rangel Lopes da Silva – “Laicidade, (des)secularização e pós-secularismo: atuação política da Frente Parlamentar Evangélica e o papel da religiosidade na esfera pública contemporânea”; Thaynara Karoline Veiga Corrêa -“Liberdade na religiosidade: o racismo e seus efeitos nas práticas religiosas e espirituais de matriz africana em face de direitos assegurados pelo ordenamento jurídico brasileiro vigente”.

Auditório II – Mesa 5
“Sistemas de Controle e Racismo Institucional”. Coordenadoras: Profº. Ms Ana Míria Carinhanha, UFF e Profº. Dr”. Jaqueline de Jesus, IFR). Convidada: Rachel Barros. Participantes: Fernanda Mateus Rosa da Silva – “Parem de nos matar: uma análise do racismo estrutural e institucionalizado do poder judiciário e o genocídio da população negra no Estado do Rio de Janeiro”; Dayana Christina Ramos de Souza Juliano – “Luta antirracista e/no Serviço Social: ativismo ou atuação profissional?”: Luisa de Araujo Tavares – “Cárcere e Invisibilidade: A Perpetuação da Situação Colonial em Corpos Negros”:Patrick Sturião Rodrigues – “Estigma e a condenação penal: uma aproximação à obra de Erving Goffman sob a perspectiva do sistema penal brasileiro”. 

Das 17h30 às 19h30 – Auditório – Mesa 6
“Teoria Crítica Racial e Interseccionalidade”. Coordenadora: Profº. Dr. Ísis Conceição, UNILAB, BA. Participantes: Juliana Maia — “Ancestralidade, Religiosidade e Pertencimento: a mulher negra evangélica”; Ana Míria — “Direitos humanos e criminalização da violência de gênero: um olhar interseccional sobre o controle social via direito penal”; Carolina Pires – “O Horto Fica: a luta ancestral das mulheres negras pelo direito à moradia”; Adriana de Morais — “Invisibilidade das Mulheres Negras no Judiciário”; Luciano França de Azevedo – “Direito e Violência — Interseccionalidades de Raça e Gênero no Brasil”.

Auditório Il – Mesa 7
“A Judicialização da Igualdade Racial”. Coordenadora: Prof. Ms. Renato Ferreira, UFF. Convidada: Profº. Dione Assis, FGV – Participantes: Bruno Cândido – “Analise dos Casos de Conflitos Raciais Judiciais e Extrajudiciais: o protagonismo da vítima”; Renata Shaw – “Diversidade Racial no Mercado de Trabalho”; Fábio Feliciano Barbosa – “Algumas dasengrenagens do racismo institucional brasileiro — estudo e comparação de dois Casos Internacionais – Simone A. Diniz & Aline Teixeira”.

19h30 às 21h – Salão Nobre – Mesa 8
“Novos Mercados em Direito: Oportunidades, Diversidade e Inovações”. Coordenadora, Profº Ms Carolina Pires,UFF. Participantes: Isabella Cardozo – sócia da área de Marcas e membro do comitê de Diversidade da Daniel Advogados; André Oliveira — sócio da área Jurídica da Daniel Advogados; Thallyta Ferreira — estagiária de direito na área da Marcas de Daniel Advogados.
O Projeto tem no Comitê Científico: Jacques d’Adesky, professor visitante da UFF / Carolina Câmara Pires, doutoranda e mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD-UFF) / Ana Miria Carinhanha, doutoranda em Direito no Programa de Pós-Graduação em Direito na Universidade Federal do RJ e Renato Ferreira, Pós-Graduado em Direito pela Fundação Getúlio Vargas – FGV/EBAPE. Mestre pela UERJ, Doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Sociologia e Direito – UFF.
 
21h – Encerramento Cultural: Sarau IPEAFRO  

Comissão Organizadora: Mariana Ayodele, Graduanda em Direito pela Universidade Federal Fluminense – Membro do Projeto de Pesquisa Anastácia Bantu / Adriana de Morais, Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2007) e Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da UFF / Henrique Costa, Graduando em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF). ; Luciana Fernanda Silva, Mestranda em Comunicação no PPGCOM/UFF, na linha de pesquisa “Mídia, Cultura e Produção de Sentido” / Erli Sá dos Santos, Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD-UFF) / Mirts Sants, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD-UFF). 

O Comitê executivo é representado pelo Coletivo Anastácia Bantu (pós-graduação), UFF; e o Grupo de Pesquisa Direito, Justiça e Pluralismo Étnico-Racial e UFF
Uma realização do Grupo de Pesquisa Direito, Justiça e Pluralismo Étnico-Racial e UFF. O projeto ganhou apoio do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito (PPGSD) da Faculdade de Direito da UFF, Escritório DANIEL de Advocacia e Coletivo Anastácia Bantu (pós-graduação) e Uff. O projeto ganhou apoio de Coletivo Caó (graduação), UFF; Coletivo Anastácia Bantu (pós-graduação), UFF e Escritório de Daniel Advogados
 
Dias 9 e 10 de setembro
LOCAL: Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense
Rua Presidente Pedreira, 62 / Ingá, Niterói – RJ
Entrada Franca

A par de diversidade, religiões, em comum, pregam fé e esperança

Apesar do preconceito e de demonstrações de intolerância, a religião exerce pontos de convergência: a fé e a esperança no que é transcendental de formas diferentes e inspiradoras.

 

A diversidade de Brasília, caldeirão cultural do Brasil, também está representada nos credos das pessoas que aqui nasceram ou chegaram desde 1960, quando a cidade foi fundada. Entretanto, apesar do preconceito e de demonstrações de intolerância, a religião exerce pontos de convergência: a fé e a esperança no que é transcendental de formas diferentes e inspiradoras.

De acordo com o último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre diversidade religiosa, o espiritismo possui mais de 89 mil adeptos no Distrito Federal.  A doutrina, por exemplo, tem como principal característica a necessidade de reforma íntima do ser humano.  Os espíritas acreditam na vida após a morte e na comunicação entre  mortos e vivos, além da reencarnação do espírito. É o que diz a espírita Neusa Maria Salles, 67. Ela veio morar em Brasília há 45 anos e atualmente, reside em Sobradinho-DF.

Naturalizada de Pelotas (RS), Neusa nasceu em um lar espírita e nunca abandonou a fé. A psicóloga relatou que quando chegou à capital sentiu dificuldade para se incluir com grupos que partilhavam da mesma crença. “Os grupos eram muito fechados, dificultando a entrada de novos membros para o trabalho. Eu não queria apenas ir a um centro para assistir a palestras e tomar passes. Queria ser uma trabalhadora como era na minha cidade”, desabafou.

Apesar do início ter sido difícil, mais tarde, a psicóloga entrou em um grupo de estudos e trabalhos mediúnicos, o chamado Grupo Espírita Regeneração e Educandário Eurípedes Barsanulfo em Sobradinho, onde frequenta até hoje. Neusa considera que o espiritismo promove oportunidades únicas na vida. “Creio que se não fosse espírita, seria ateia, pois penso que as outras religiões não trazem a possibilidade de estudo e conhecimento da vida depois da morte como o espiritismo”, afirmou.

 

Para a espírita, a fé é a certeza do auxílio de Jesus Cristo por meio dos espíritos, já a esperança é a convicção de que tudo evolui. “Com o esforço próprio na busca do aperfeiçoamento espiritual, tendo como meta a Lei de Deus, teremos uma vida melhor, com dias melhores. O planeta será mais purificado e os habitantes seguirão o Evangelho do Cristo sendo caridosos com o próximo”, revelou Neusa.

Minoria

Apesar de possuir grande influência no Brasil, as religiões africanas ainda são minoria no país. De acordo com o último levantamento sobre diversidade religiosa do IBGE realizado em 2010, a Umbanda e o Candomblé representam pouco mais de 5 mil pessoas no DF.

Os umbandistas creem nas forças da natureza, nos orixás, e em entidades do plano espiritual que utilizam destas forças para a prática da caridade. Thiago Luiz Leite, 33, nasceu na religião. “A Umbanda faz parte da minha vida desde antes da minha encarnação”, relatou. Thiago se emocionou ao lembrar que quando criança cantava as “giras” dos caboclos. “Era muito energia positiva”, relembrou.

Segundo o servidor público, a religião chegou ao seio da família em Brasília. Ele explica que a fé para os umbandistas é uma mistura de razão e emoção. “Nossa fé é como um escudo que nos protege das nossas próprias imperfeições e das negatividades externas. A fé é o sentimento que move o coração de um umbandista, pois todo umbandista acredita num amanhã melhor”, esclareceu.  

 

A esperança para os umbandistas está inteiramente ligada a fé. “Para mim a esperança é o resultado de uma fé bem resolvida, bem fundamentada, bem ligada a Deus”, afirmou. Eles acreditam que apesar dos percalços que a vida possa trazer, o final do caminho sempre será de verdadeira felicidade.

O Candomblé também é uma religião derivada de cultos tradicionais africanos. Eles possuem a crença em um Ser Supremo e um culto dirigido às forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices.

 

Wagner Santos, de 40 anos, é professor de português e pratica o Candomblé há aproximadamente 20 anos. Ele revelou que começou frequentando os cultos abertos –  cultos aos orixás – e há sete anos, se tornou iniciado, participando diretamente de cultos de forma mais intensa e profunda.

O professor explicou que a principal característica do Candomblé é que não existe certo ou errado. “Se eu tivesse que definir somente uma característica, seria, sem dúvida, a ideia de que não temos certo e errado, não temos a noção de culpa, pela ausência da noção de pecado. Isso faz com que aceitemos as pessoas de forma mais inteira, independente do que a pessoa é ou fez”, comentou.

Quando se fala de fé para religião é algo difícil de ser definido. “Fé é uma característica bastante complicada de ser definida, inclusive pessoalmente. Como é difícil de pensar na fé de forma individual, acho muito complicado defini-la de forma coletiva. A fé é, sem dúvida, o que movimenta as religiões e o mundo”, afirmou.

Da mesma forma, a esperança é diferenciada e voltada para as energias que movem os seres humanos. “Se entendermos a ideia de esperança com o que viveríamos no futuro, no caso do Candomblé, acreditamos que tudo é energia e, por isso, tudo se transforma em vida. Sempre dessa maneira. Há ciclicidade em tudo. A energia que enviamos para o universo é a mesma que ele enviará a nós. Tudo roda devagar e em função de uma renovação de energia. Entendo isso como esperança para o futuro. A tal da vida depois da morte”, concluiu.

Cristianismo

O catolicismo é a religião predominante no Distrito Federal e esse fato também pode ser explicado pela grande migração de brasileiros de outros estados que trouxeram consigo a fé. Dados do IBGE em 2010 apontavam que a capital federal possui mais de um milhão de católicos apostólicos romanos.

A goiana, Ana Luiza Maia, 20, é católica apostólica romana e,atualmente, mora no Jardim Botânico. A família se mudou para Brasília quando ela tinha apenas 2 anos em busca de melhores oportunidades de trabalho.“Quando nos mudamos de Goiânia trouxemos a religião católica junto. Isso não se deu por conta da região deles, mas porque eles realmente acreditavam e minha família era basicamente católica. Minha mãe morou durante muito tempo em uma rua em Goiânia que tem uma igreja na esquina, e meu pai morava em uma cidade pequena em que tudo é perto de tudo e tem uma Paróquia, o que ajuda quem é católico”, acrescentou.

Pela influência da família, Ana Luiza foi batizada na igreja católica apostólica romana com 3 semanas de vida. Desde então, nunca se afastou da religião. “Eu continuo até hoje também buscando influenciar meus amigos, não pela força, mas sim pelo exemplo para eles conhecerem esse amor de Deus maravilhoso que eu conheci”, declarou.  Para a estudante, a fé é uma parte muito significativa da religião, pois é a base de tudo. “Tem uma frase que eu gosto muito que diz assim: ‘Fé é assim: primeiro, você coloca o pé. Depois, Deus coloca o chão.’, da Fernanda Estellita. E ela sintetiza muito isso da entrega diária que fazemos, ou tentamos fazer, aos desígnios de Deus”, ressaltou.

 

A católica apostólica romana ainda destaca que a esperança para os católicos, ao contrário dos não praticantes,não se pauta em criar possibilidades de acordo com os desejos pessoais, mas sim na esperança traçada  em Deus. A fé, a esperança e a caridade são os 3 alicerces da vida cristã. “A esperança funciona como uma fé em Deus, mas não no sentido de crença, e sim no sentido de confiança e espera, de aguardar para que a vontade de Deus traga para nós o que for melhor”, evidenciou Ana Luiza.

Para ela, a parte que mais lhe encanta da religião católica é a espera da vida eterna no céu. “A gente está só fazendo hora aqui enquanto não for nossa hora. Quando morremos, o período de espera acaba, então não há mais necessidade de esperança, nem de fé, porque veremos Deus face a face. Fé é crer sem ver,  então sobra só a caridade ou o amor no final dessa jornada”, esclareceu.

O padre Edilson Santos, 37, também é católico de berço. Ele lembra que quando era criança frequentava as missas com os pais. Aos 10 anos, decidiu fazer a primeira comunhão e depois disso, foi batizado. Nessa idade, ele já queria ser padre, mas somente aos 18 tomou a decisão definitiva. “Após um momento em que buscava aprofundar a minha fé, entendi que Deus me chamava ao sacerdócio”, revelou. O padre mencionou que após aprofundar esse chamado, para tentar discernir se era algo humano ou fruto da imaginação e até mesmo algo sobrenatural, resolveu ingressar no seminário em 2001 e há 7 anos é padre.

A religião católica tem por principal característica a centralidade da fé no mistério da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para os fiéis, a vinda do Filho de Deus ao mundo ofereceu um aspecto muito importante, pois Jesus é o mediador entre Deus e os homens, a ponte entre Céu e Terra. “ ‘Amai-vos uns aos outros como eu vos amei’. Essa é, no meu ponto de vista, a principal característica do cristianismo, e o maior desafio”, complementa Edilson.

Para o padre, a fé não pode ser apresentada como um sentimento cego, nem como um ato de confiança afetiva em Deus. “A fé é, antes de tudo, uma atitude da inteligência, que, movida pela vontade livre, diz sim a Deus que se revela e vem ao nosso encontro”, explicou.

Segundo Edilson, a esperança é uma virtude teologal vinculada à realização e a felicidade. Ele compara a esperança com a âncora e a vela de um barco, pois assim como os objetos, promove a segurança, firmeza e progresso para os fiéis. “A esperança nos garante essas duas realidades, tanto da âncora quanto da vela do barco, desde que seja cultivada e colocada em prática. Ela nos conduz ao nosso fim último e maior realização que para nós cristãos é a Vida Eterna”, afirma.

Gerson Berbet tem 65 anos e há 40 anos é pastor. Ele conta sobre a fé e a esperança para os evangélicos.

“A fé para os cristãos tem tudo a ver com a crença, isto é acreditar, e também colocar a confiança na pessoa de jesus cristo o filho de Deus eterno. Esta fé está fundamentada em sua palavra e seus ensinos. Mesmo para alguns parecendo uma loucura, os cristãos se fundamentam na palavra da cruz, sendo a salvação de todo aquele que crê! Esta fé cristã está baseada também na bíblia sagrada, com seus princípios, doutrina, preceitos, mandamentos, culto e adoração ao único e verdadeiro Deus, o eterno, justo e santo. A fé para os cristãos é uma bússola, uma direção para viver uma nova vida em cristo, uma vida abundante, uma vida eterna e plena de fruto e produtividade. A fé para os cristãos aponta também o nosso destino eterno no reino que jamais terá fim, o reino do rei dos reis e senhor dos senhores, Jesus de Narazé!”

Sobre a esperança o pastor continua. “A esperança para os cristãos é como uma âncora no mar desta vida! primeiro a esperança de um novo homem, à imagem e semelhança do filho de Deus que nasceu pela palavra anunciada por um anjo e o poder do Espírito Santo que trouxe a uma virgem a semente da mais poderosa esperança: Jesus Cristo, que é a nossa única esperança! Esperança para o cristão é a coisa mais fantástica e extraordinária porque espera uma ressurreição de todos que morrem. Isto é um regresso da morte para vida. Assim como grão de trigo que é lançado na terra e depois de algum tempo nasce e frutifica, assim é também a esperança para o cristão! O cristão de fato esperança algo que os olhos nunca viram, os ouvidos nunca ouviram e a mente humana nunca imaginou! Os cristãos esperam um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça!”

 

Estilo de vida

A Kundalini Yoga é uma ciência milenar sobre a arte de lidar com a expansão da consciência, acordando e fazendo subir a Energia Kundalini pelo canal da espinha vertebral, atravessando e ativando os centros de energia denominados de chakras. Essa realização é feita com a mistura e união de Prana (energia cósmica) com Apana (energia de eliminação) e gera uma pressão. Essa pressão forçaa subida da kundalini através da coluna e utiliza Pranayamas (exercícios respiratórios), Bhandas (contrações corporais), Kryias (jogos completos de exercícios) e Asanas (posturas), Mudras (gesticulação com mãos, dedos ou braços) e Mantras (palavras cantadas).

Frederico Sanchotene Alcalde tem 20 anos e pratica Kundalini Yoga há 2 anos. Ele se formou há aproximadamente 2 meses como mestre e pode dar aulas. Ele conta que não consideram o Kundalini Yoga como uma religião mas, um estilo de vida. “Kundalini Yoga vai trabalhar com respiração, vai trabalhar com meditação, posturas e mantras. Ela utiliza  essas tecnologias para desenvolver um sistema nervoso e endócrino”, explicou.

Segundo Frederico a prática tem o objetivo de estimular o praticante a ajudar o próximo. “Mexemos muito com trabalho em grupo. A gente sempre quer estar se ajudando. A ideia é sempre estar disponível a ajudar o próximo. Tem um trabalho que mexe muito com o espiritual. Mas a gente não idolatra nenhuma imagem, a gente só trabalha nosso espiritual. Tem muitas coisas que são ditas na Kundalini Yoga que vem de outras religiões para ficar mais dinâmico. Temos um estilo de vida vegano ou vegetariano”, relatou.

O últimos censo do IBGE referente  à diversidade religiosa no Brasil em 2010 apontam que houve um crescimento de grupos religiosos no país. Os católicos ainda são a maioria, mas têm perdido adeptos.  Em 2010, eles chegaram a aproximadamente 64,6% fieis, 9% a menos que em 2000. Os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu nesse período, passando de 15,4% em 2000 para  22,2% em 2010. O espiritismo ocupa o terceiro lugar com 2% da população. Já as religiões africanas como Umbanda e Candomblé são a minoria no país, representando 0,3% da população.

Fonte: Jornal de Brasília

Curta sobre samba de bumbo promove debate e festa no Jongo Reverendo

Curta sobre samba rural paulista será exibido com debate e festa no Jongo Reverendo

 

 

No  dia 27 de agosto, sábado, às 18h, o espaço Jongo Reverendo irá exibir o curta-documentário “Esse bumbo é meu”, seguido de bate-papo com personagens do filme e apresentação do grupo Samba de Bumbo de Dandara. O evento tem como objetivo a reflexão e celebração do empoderamento da mulher no samba rural paulista.

 
“Reúne-se um grupo de indivíduos, na enorme maioria negros e seus descendentes, pra dançarem o samba. (…) Instrumentos sistematicamente de percussão, em que o bumbo domina visivelmente. (…) As mulheres nunca tocam. Os homens, pelo contrário, todos tocam, e indiferentemente qualquer dos instrumentos passando estes de mão em mão”, Mário de Andrade (1933).

 
Programação:
18h – Documentário “Esse bumbo é meu”
https://www.facebook.com/essebumboemeu/
18h30 – “Mulher, candidate-se.”
Coletivo Pagú prá Ver de Teatro do Oprimido. Formado por trabalhadoras das áreas de assistência, saúde, educação e administrativa apresentará cena que trata da questão da objetificação da mulher na mídia e propaganda.
19h – Bate-papo sobre o filme e empoderamento da mulher, com realizadores e personagens.
20h – Empoderamento da mulher e preparação para fazerem o samba de bumbo junto com o grupo Samba de Bumbo de Dandara
21h – Apresentação do grupo Samba de Bumbo de Dandara

ESSE BUMBO É MEU
Clique na imagem para assistir ao trailer

Sinopse “Esse bumbo é meu”

O filme registra o samba de bumbo, expressão musical tradicional do interior paulista, herança do tempo da escravidão. O documentário apresenta a luta das mulheres do samba para manterem viva a cultura de seus ancestrais, enfrentando diversos conflitos. Soluções se apresentam, mas afinal, de quem é esse bumbo?

Direção colaborativa de  Ruy Reis, Paula Simões, Dagmar Serpa, Marina Chekmysheva e Daniel Mirolli. Co-produçao Academia Internacional de Cinema.

Grupo Dandara - Lançamento do Livro Barbara Esmenia
Clique na imagem para assistir ao trailer

O grupo de Samba de Bumbo de Dandara surgiu de um desejo de mulheres fazerem o samba de bumbo que originalmente é tocado por homens, cabendo as mulheres o papel de apenas dançarem. É comum encontrar puxadores do samba mulheres, mas tocando é algo que ainda não esta presente nessa manifestação.
Muitas das quadrinhas remontam o período da escravatura, parte dessas quadrinhas narram esse momento e com o tempo foi incorporando outros temas.  Infelizmente poucos valorizam a importância da mulher nessa manifestação.  O Samba de Bumbo de Dandara é uma tentativa de valorizar o samba tradicional e seus batuqueiros, mas principalmente homenagear as matriarcas e reafirmar o papel da mulher negra à frente dessas manifestações, apoderando-se daquilo que é dela por ancestralidade. Ao homenagear a guerreira Dandara estendemos para as Marias, Antonias e outras guerreiras que carregam no sangue a história de lutas do povo e da mulher negra.

Sobre o Jongo Reverendo
Terreiro contemporâneo de cultura e entretenimento. Conteúdo e diversão voltados para riqueza da da herança ancestral afro brasileira.
Serviço
Local: R. Inácio Pereira da Rocha, 170 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05432-010
Horário: 18h
Entrada: franca
Página do Facebook: https://www.facebook.com/essebumboemeu/
Evento: https://www.facebook.com/events/103220066797688/

Tour pela história do negro, do samba e do carnaval no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro sediou os Jogos Olímpicos. Foi uma oportunidade de apresentarmos para os povos de várias partes do mundo toda a diversidade cultural que a cidade abriga. O samba, um dos traços mais marcantes da cultura carioca, foi reverenciado. Um ritmo que desembarcou aqui vindo nos navios negreiros, trazidos pelos escravos cruelmente obrigados a deixarem a África e virem para a então capital do Brasil, o Rio de Janeiro. No período dos Jogos Olímpicos, o site CARNAVALESCO visitou a nossa “Pequena África”. Fomos convidados pelo Rio Media Center e adoramos mostrar esse lado tão importante do nosso Rio de Janeiro.

O passeio teve início em uma parte da Zona Portuária bastante esquecida: o Largo de São Francisco da Prainha, já que ele está localizado na antiga Prainha, que é o nome primitivo da Praça Mauá. O largo abriga casas antigas, porém mal preservadas, um contraste enorme com a Praça Mauá, a cerca de 300 metros dali.

De lá, o tour seguiu para a Pedra do Sal, ponto crucial para a história do samba no Rio de Janeiro. Em 1808, a família real se mudou para o Brasil e fez do Rio de Janeiro a nova capital e sede do governo português. Essa mudança movimentou muito o comércio. As mercadorias chegavam em navios que desembarcavam ali no porto. Dentre as mercadorias, escravos – já que eram assim tratados à época – e o sal.

Mas em 1831, um regulamento delineou três ancoradouros para os navios, sendo que os de carga tiveram que se direcionarem para o trecho entre a atual Praça Mauá e o Cais do Valongo. Ou seja, o caminho para mercadorias como o sal, muito valioso à época, ficou restrito. No caminho ainda havia uma enorme pedra, um obstáculo, para o transporte dessa mercadoria. A saída? Esculpir degraus na própria pedra.

Por se localizar numa região onde chegavam diariamente centenas de escravos, essa área se tornou um berço de manifestações africanas. Ali morava Tia Ciata, uma negra cozinheira e amiga dos policiais, que comiam da sua comida. Ela sedia a sua casa para manifestações culturais africanas, que eram feitas majoritariamente por estivadores – escravos, grande parte deles “defeituosos” – com alguma deficiência na perna, ou nos braços – e que se amontoavam no porto em busca de trabalho. Quando a guarda real vinha para acabar com o movimento, os policiais amigos avisavam Tia Ciata com antecedência. Dentre as manifestações, candomblé, capoeira e samba – com uma pronúncia mais próxima a ‘sémba’-, um ritmo trazido da África pelos negros.

Nessa época, não existia carnaval para essas pessoas, vistas como inferiores, pois era uma festa exclusiva da elite, da qual os pobres eram proibidos de participarem. Num movimento de resistência e ocupação, os chamados “sambistas” passaram a ir para as ruas e para as portas dos bailes de carnaval para fazerem suas manifestações culturais. Esse é o início do que se tornaria depois os blocos de rua do carnaval. Em algum momento, as duas festas se encontraram, os ritmos se misturaram, fazendo do samba uma marca da festa de carnaval.

Na sequência, passando pelos caminhos da escravidão e do samba, o tour foi para o Cais do Valongo, local de entrada de milhares de africanos de Angola, Congo e Moçambique e hoje conhecido como Cais da Imperatriz. Primeiro era chamado cais do Valongo e foi o berço de entrada da maioria dos escravos que vieram para o Rio. Quando a escravidão começou, o porto de Salvador, onde hoje está o Pelourinho, foi o primeiro a receber escravos. Com a vinda da família real para o Brasil, e o Rio sendo elevado à condição de capital, o porto se transferiu para a região portuária. Posteriormente ele foi coberto e refeito, para melhorar a aparência da região e ficar mais bonito para receber a futura imperatriz, Thereza Cristina, que chegaria ao Rio pelo porto para conhecer seu futuro marido, Dom Pedro II.

Também incluso no projeto de restauração da região à época da vinda da realeza, o tour subiu por uma escadaria marcada pela arte urbana da cidade, que dá no Jardim Suspenso do Valongo, uma construção paisagística datada de 1906, concebida como jardim romântico destinado aos passeios da sociedade da época.

Com a condição degradante a que eram submetidos os escravos nos navios, muitos chegavam mortos ou morriam assim que desembarcavam. Por isso, foi criado um cemitério para os chamados “pretos novos” – já que morriam novos -, na região próxima ao Morro do Castelo e igreja de Santa Luzia. Com a reclamação da elite local por causa do mal cheiro, o cemitério foi removido e trazido para a área onde os negros já se concentravam, na região da Gamboa. Durante anos, a localização ficou desconhecida, mas após a reforma de um casarão na região, foram achadas as ossadas. Esse foi o ponto final do tour, onde está atualmente o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, que abriga inclusive algumas ossadas dos pretos novos (nome dado aos cativos recém-chegados ao Rio de Janeiro em meados do século XIX, em uma área hoje conhecida como Pequena África).

É um tour importante para a imprensa, os turistas, mas principalmente para os moradores da cidade, que desconhecem boa parte da história africana presente na história do Rio, o sofrimento dos negros e seu movimento de resistência que propiciou o advento do samba e do carnaval de rua, e que fez deles marcas da cultura carioca.

 

 

Fonte: Carnavalesco