África chega às salas de aula em novo livro de Nei Lopes e Luiz Antonio Simas

Lançamento virtual de ‘Filosofias africanas’ é na próxima terça (8) nas redes sociais da Livraria Leonardo Da Vinci

Foto: reprodução
Filosofias africanas – uma introdução, de Nei Lopes e Luiz Antonio SimasCredit…Foto: reprodução

Depois de lançarem juntos o “Dicionário da história social do samba”, vencedor do Jabuti em 2016, Nei Lopes e Luiz Antonio Simas lançam mais uma obra de referência para o estudo de Humanidades e da influência negra na formação do Brasil. “Filosofias africanas – Uma introdução” é uma obra didática que introduz o leitor ao amplo repertório de intelectuais negros e suas produções. Os autores partem de concepções da formação do universo e da força vital em diferentes regiões da África, chegando à dinâmica da construção do conhecimento numa sociedade fortemente baseada na tradição oral. Ao longo do livro são apresentados teóricos africanos ou afrodescendentes do século XX, entre eles o brasileiro Muniz Sodré, a guadalupenha Ama Mazama e o senegalês Cheikh Anta Diop. No anexo, além das referências bibliográficas, “Filosofias africanas – Uma introdução” apresenta um glossário e lista mais de quase 300 ditos populares africanos, organizados pela região do continente.

Num sentido amplo, o termo “filosofia” designa a busca do conhecimento iniciado quando os seres humanos começaram a tentar compreender o mundo por meio da razão. O termo pode também definir o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca da existência, dos seres, do ser humano e do papel de cada um no Universo. Na prática acadêmica, é usado para designar o “conjunto de concepções metafísicas (gerais e abstratas) sobre o mundo”.

A grande crítica que se faz às tentativas de caracterizar o pensamento tradicional africano como filosofia é a de que, na África, os nativos, defrontados com a grande incógnita que é o universo, seriam incapazes de ir além do temor e da reverência, próprios das mentes ditas “primitivas”.

A partir daí, o chamado “racismo científico”, um dos pilares do colonialismo no século XIX – desqualificando as fontes do saber africano conhecidas desde a Antiguidade –, negou a possibilidade de os africanos produzirem filosofia. Então, o reconhecimento como filósofos, no sentido estrito do termo, de pensadores nascidos na África e de uma linha filosófica deles originada só ocorreu a partir do século XX.

Filosofias africanas trata tanto dos saberes ancestrais africanos, sua essência preservada nos provérbios, na diversidade multicultural e nos ensinamentos passados durante gerações por meio da oralidade, quanto da contribuição de filósofos africanos e afrodescendentes contemporâneos na atualização desses saberes, muitos dos quais pautados no decolonialismo. Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, de maneira didática, mais uma vez escreveram uma obra que evidencia a complexidade, sofisticação e profundidade do pensamento africano e das perspectivas de mundo que sua filosofia provoca.

A SABEDORIA DOS PROVÉRBIOS

No patrimônio imaterial de um povo, representado pela riqueza tradicional acumulada desde os primórdios de sua consciência, os provérbios costumam representar momentos de alta sabedoria. Com a profundidade das sínteses, essas expressões do pensamento contêm em geral a essência dos ensinamentos indispensáveis à vida, ou seja, o sumo da filosofia das sociedades que os criam. Veja a seguir uma relação de provérbios categorizados de acordo com as regiões africanas de suas respectivas origens.

ÁFRICA CENTRO-OCIDENTAL: “Não importa se a noite é longa, pois o dia sempre vem”

ÁFRICA OCIDENTAL: “Tentar e falhar não é preguiça”

ÁFRICA ORIENTAL: “A vaca pariu uma chama: quando foi lamber a cria, ela se queimou, e quando quis apagá-la, o amor de mãe falou mais forte”

ÁFRICA AUSTRAL: “Doença em quarto minguante; cura na lua-nova”

NEI LOPES é bacharel em Direito e Ciências Sociais pela UFRJ e doutor honoris causa pelas igualmente prestigiosas UFRRJ e UFRGS. É autor de quarenta livros, incluindo ficção e poesia, além de dicionários, tendo a africanidade como tema. Na música popular, é compositor premiado, tendo como intérpretes e parceiros renomados artistas, sobretudo no gênero samba. Pela Civilização Brasileira publicou Dicionário da antiguidade africana e, em parceria com Luiz Antonio Simas, Dicionário da história social do samba, vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção, em 2016.

LUIZ ANTONIO SIMAS é mestre em história social pela UFRJ, professor de história no ensino médio e babalaô no culto de Ifá. Tem diversos livros publicados sobre as escolas de samba do Rio de Janeiro e suas comunidades. Recebeu o Prêmio Jabuti, em parceria com Nei Lopes, pela obra Dicionário da história social do samba. Pesquisador das culturas e religiões de matriz africana, publicou pela Civilização Brasileira O corpo encantado das ruas.

ESTANTE: FILOSOFIAS AFRICANAS – UMA INTRODUÇÃO / Nei Lopes e Luiz Antonio Simas / 144 págs. | R$ 34,90 / Ed. Civilização Brasileira | Grupo Editorial Record.

Fonte > Jornal do Brasil

Evento virtual coloca em debate questões étnicas e raciais; confira a programação

O projeto tem por propósito valorizar e fortalecer as culturas indígena e negra por meio de programações artísticas, educativas e culturais em todo o país.

Dar maior visibilidade às discussões sobre a ampliação da representatividade de negros e indígenas no Brasil é a proposta do Seminário Sesc EtnicidadesO evento, que marca o lançamento do projeto Identidades Brasilis, ocorre de forma virtual nos dias 30/11 e 01/12. 

Na programação, serão discutidos temas como o racismo estrutural, a inserção da temática indígena nos currículos escolares, as ações de resistência dos povos indígenas em meio à pandemia do Covid-19, como a arte e a cultura têm contribuído por meio da mediação cultural, novas formas de interlocução com os saberes e as produções artísticas dos dois grupos étnicos.

O projeto Identidades Brasilis tem por propósito valorizar e fortalecer as culturas indígena e negra por meio de programações artísticas, educativas e culturais do Sesc em todo o país. As ações serão desenvolvidas a partir dostemas Arte e Cultura, Memórias, Histórias e Patrimônios, Modos de vida e Políticas Sociais.

Participam do Seminário Sesc Etnicidades nomes de destaque da cultura indígena e negra: a Doutora em Literatura Comparada pela UERJ e pesquisadora das narrativas de mulheres negras, professora Fernanda Felisberto; o Mestre em Sociologia e Doutor em Educação pela UFMG, Rodrigo Ednilson; , a Doutora em Educação e pesquisadora Rita Potyguara; e o escritor, professor e ativista do movimento indígena, Edson Kayapó.A transmissão será pelo canal da instituição no YouTube (youtube.com/SescBrasil), a partir das 14h, no dia (30).

“O projeto Identidades Brasilis tem um caráter político, educativo e cultural e abrangerá ações múltiplas que serão desenvolvidas pelo Sesc em todo país. O Seminário Sesc Etnicidades é um marco inicial deste trabalho, que parte da compreensão de que o Brasil foi forjado a partir de uma dinâmica colonial e é necessário olhar para a pluralidade cultural composta pela diversidade humana, nessa terra pindorama”, ressalta o analista de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Leonardo Moraes.

Desigualdade real no país

O informativo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indica que, em 2018, 55,8% da população se declarou preta ou parda (a soma das duas raças resulta nos negros). Entretanto, no estrato dos 10% com maior rendimento per capita, os brancos representavam 70,6%, enquanto os negros eram 27,7%. Entre os 10% de menor rendimento, isso se inverte: 75,2% são negros, e 23,7%, brancos.Além disso, na classe de rendimento mais elevado, apenas 11,9% das pessoas ocupadas em cargos gerenciais eram pretas ou pardas. Entre os brancos, esse percentual era de 85,9%.

Em relação à população indígena, segundo último censo realizado pelo IBGE, em 2010, o Brasil possui cerca de 896 mil indígenas, divididos em 305 etnias falando 180 línguas distintas do português, o que representa cerca de 0,2% da população total brasileira. A luta pelo reconhecimento dos direitos e da diversidade indígena é tão antiga quanto a própria história do Brasil. No entanto, mesmo após 30 anos do processo de redemocratização no país, a representatividade indígena nas instituições brasileiras segue incipiente. 

PROGRAMAÇÃO

30/11/2020

14h – Abertura: Carlos Artexes, Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc

14h30– Painel: “Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado: diálogos entre arte, cultura e educação”: Hilana Bernardo (Sesc Rio Grande do Norte) e Leonardo Borges (Sesc São Paulo). O painel apresenta ações afirmativas promovidas pelo Sesc.

16h30– Mesa de Debate e Lançamento de Publicação: “Cultura Africana e Afro-brasileira: conquistas e desafios na/para contemporaneidade” com os convidados Fernanda Felisberto e Rodrigo Ednilson. A mesa discutirá questões étnicos raciais que inspiraram a publicação da série “Educação em Rede – Volume 6 – Cultura afro-brasileira e africana no Sesc: possibilidades e desafios”, sobre a implementação das ações afirmativas no Brasil.

1/12/2020

14h– Abertura – Lúcia Prado – Diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc

14h30– Painel: “Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado: diálogos entre arte, cultura e educação”: Aliã Waimira (Sesc Piauí) Betânia Avelar (Sesc Rondônia). O painel apresenta as ações afirmativas promovidas pelo Sesc.

16h30 – Mesa de Debate e Lançamento de Publicação: “Cosmologias e Culturas Indígenas: ideias para adiar o fim do mundo” com os convidados Rita Potyguara e Edson Kayapó. A mesa debaterá questões educativas e culturais relacionadas aos povos indígenas e como elas se articulam com suas manifestações políticas e de resistência.

Fonte: Portal Amazônia

Katiúscia Ribeiro sobre caso Carrefour: Brasil se nega a reconhecer racismo

A filósofa Katiúscia Ribeiro - Dani Villar/Arquivo Pessoal
A filósofa Katiúscia Ribeiro
Imagem: Dani Villar/Arquivo Pessoal

“O falecimento do Beto demonstra que esse país nunca se responsabilizou de fato com as pautas raciais. O Brasil se nega a reconhecer o racismo, nós não conseguimos frear as violências raciais. Homens negros morrem porque historicamente há uma negligência e um apagamento da história, que subalterniza os povos negros na própria história”, afirmou a filósofa Katiúscia Ribeiro após João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, ter sido asfixiado e espancado por seguranças numa loja da rede Carrefour em Porto Alegre (RS) às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

O caso gerou revolta, tomando o país por protestos em diversas cidades. Katiúscia compartilhou sua visão sobre o caso e o racismo estrutural presente na sociedade brasileira durante participação em uma live da UM BRASIL, da FecomercioSP, em parceria com a BRASA (Brazilian Student Association), na sexta-feira. A filósofa discorreu sobre as características sociais que levam à certeza de que o assassinato foi um crime pautado na raça.

Durante a conversa mediada pela jornalista Joyce Ribeiro Katiúscia se aprofundou ainda na questão do apagamento histórico da negritude e seus saberes ao citar o “epistemicídio”, termo usado por teóricos e ativistas do movimento negro para definir o esforço da cultura ocidental em não reconhecer a cultura e o conhecimento da população negra.

“É a negação da história negra na própria história. Quando você mata o conhecimento, você mata uma história e mata os agentes dessa história. O epistemicídio chega antes do soco que deram na cara do Beto. História é poder, se você tira a história de um povo e apresenta para o mundo apenas uma história de açoite e chicote, qual a imagem no inconsciente que nós faremos dessas pessoas? Que elas são eternamente subalternizadas.”

Segundo Katiúscia, que é gaúcha e doutoranda em filosofia africana, o epistemicídio é capaz de explicar porque não haveria uma violência semelhante caso a vítima fosse uma pessoa branca: “é porque você entende que a pessoa branca tem a garantia de validação humana, porque ela construiu o mundo, construiu a civilização”. Outro conceito apresentado por Katiúscia e que ajuda a entender a violência contra pessoas negras no Brasil é o de zoomorfização, que aproxima a criatura humana do animal.

“Nós estamos diante de um processo de desumanização, esse lugar de animalização histórica dos corpos das pessoas negras, nos quais nossos corpos, nossas vidas não têm validade e não tem importância”, explica a filósofa.

Ainda sobre a data do 20 de novembro, Katiúscia diz que é um momento para “celebrar pequenos feitos”, mas também de organização e diálogo da população negra: “isso nos faz entender como o racismo opera, como ele é estritamente violento e, como diz Silvio Almeida, como ele é a base que estrutura as relações sociais. É por isso que nós continuamos morrendo”

Fonte – UOL

Podcast criado pelo Unicef ensina cultura afro-brasileira para comunidade educacional

Deixa que eu te conto está disponível no YouTube, Spotify e no próprio site da organização

Podcast criado pelo Unicef ensina cultura afro-brasileira para comunidade educacional(foto: Educa Mais Brasil)

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou, na última semana, o podcast “Deixa que eu conto”, voltado para alunos dos ensinos infantil e fundamental (3 a 8 anos), professores e familiares. O programa aborda conteúdos didáticos sobre a história e cultura afro-brasileira.

podcast está disponível de forma gratuita em plataformas como YouTube, no Spotify e no próprio site da agência da ONU. O Unificef também autoriza a reprodução livremente pelas emissoras de rádio, sejam públicas, comerciais ou comunitárias.

Cerca de 50 episódios serão publicados até o final do ano com histórias, músicas e brincadeiras para que as crianças conheçam e possam ampliar seus repertórios incluindo conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e a cultura africana. Até então estão disponíveis episódios como: “O que é um quilombo”, “Realezas africanas”, “Quibungo”, “A criação do mundo e som da kalimba” e muitos outros.

Para a oficial de educação do Unicef, Julia Ribeiro, a educação pode contribuir para diminuir o racismo e fortalecer identidades. A audição de histórias sobre a cultura afro-brasileira “é uma oportunidade para as crianças negras se sentirem representadas e também para as crianças não negras verem seus colegas ocupando esse espaço.”

Além dos episódios sobre a cultura afro-brasileira, o Unicef produziu 96 programas voltados à alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental e deverá finalizar ainda este ano 48 episódios sobre a cultura amazônica e os saberes da região, com histórias de indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

Os temas de cada episódio do programa dos podcasts estão previstos nas Diretrizes Nacionais da Educação Infantil e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil. Todo material “oportuniza o contato com outras narrativas não euro-centradas”, defende a educadora Mafuane Oliveira, uma das cinco roteiristas responsáveis pelo programa a respeito da cultura afro-brasileira.

Fonte > O Estado de Minas

Apesar de criação de delegacia, templos de religiões de matriz africana são atacados até durante a pandemia no RJ

Nem mesmo a criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) no Rio inibiu atos de violência contra praticantes de religiões de matriz africana e seus templos, afirma o professor e babalorixá Ivanir dos Santos.

No mês da Consciência Negra, Ivanir lembra que, em plena pandemia, enquanto os centros estavam fechados, em dois meses foram registrados cinco casos de intolerância religiosa. Mas ninguém foi responsabilizado ou preso.

Os números evidenciam que a umbanda e o candomblé, principalmente – que eram considerados casos de polícia no início do século 20 – voltam a ser perseguidos. E seus seguidores sofrem cada vez mais com a intolerância religiosa, em pleno século 21.

Não são poucos os registros de centros e terreiros, objetos sagrados e até mesmo seguidores vilipendiados, destruídos e agredidos por quem não respeita a fé nas religiões afro-brasileiras.

De acordo com o Comitê de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), só em 2019 foram registrados 201 casos, o dobro do número de 2018.

Interlocutor do CCIR, Ivanir do Santos diz que esses ataques inclusive colocam em risco a aceitação de outros aspectos da cultura negra, como o samba, as vestimenta com motivos étnicos e até a culinária – na Bahia, o acarajé é chamado por evangélicos de “bolinho de Jesus”. Para ele, nova onda de perseguição das religiões afro-brasileiras tem ligação política, de dominação.

“Era caso de polícia a até os anos 1920. Na década seguinte começou um movimento de aceitação. Mas dos anos 1990 para cá, com a ascensão das religiões neopentecostais, voltamos a sofrer uma perseguição política, de poder, de dominação. Até os anos 1980, éramos respeitados, ninguém destruía terreiros nem expulsava seguidores, principalmente do candomblé e da umbanda. Mas a partir do crescimento dos neopentecostais, inicia-se uma disputa de poder. Os pastores passam a entrar nos presídios, buscam a conversão de presos, se espalham pelas favelas, enquanto a espiritualidade africana começa a ser demonizada”, disse o babalorixá.

Terreiros invadidos e incendiados

Em um dos casos de intolerância em 2020, na Taquara, na Zona Oeste, pessoas que se diziam evangélicas, invadiram o terreiro, chutaram as oferendas feitas aos orixás e, gritando frases como “fora Satanás”, jogaram óleo ungido nas peças sagradas e no portão do terreiro.

Em outro registro, em Inhoaíba, também na Zona Oeste, a vizinha evangélica de um terreiro foi vista, à noite, colocando uma escada no muro e com uma vara de bambu para quebrar peças sagradas no terreno ao lado. Em Austin, em Nova Iguaçu, um incêndio destruiu completamente o centro de candomblé, que estava em recesso por causa da pandemia.

“Sem falar nos casos que não são levados à polícia por medo de represália, como agressões e expulsão das comunidades. Desde a criação do CCIR, me entristece constatar que avançamos pouco contra a intolerância religiosa. Por trás desses ataques sistemáticos, da demonização, do racismo religioso, do preconceito, tem se disseminado a disputa pelo mercado religioso. Ou seja, você cria um sistema onde o seguidores de religião de matriz africana se sentem envergonhados. E isso vira base para a conversão de pessoas que vão fazer parte desse outro grupo religioso que tanto nos persegue”, disse o babalorixá.

Para o historiador Luiz Simas, quando terreiros e centros religiosos afro-brasileiros são atacados, mais do que objetos sagrados, perde-se uma parte da identidade brasileira. Principalmente, se se levar em consideração que a história do povo africano está calcada da oralidade.

“Os cantos de terreiros perpetuam saberes, costumes, modos de vida, de construir redes de identidade social. São extremamente importantes no processo de reconstrução das culturas africanas destruídas pela diáspora. O Rio de Janeiro é fortemente marcado pelo candomblé. As culturas africanas redefinem nosso modo de vida”, disse o historiador quando da apresentação do projeto de lei que quer tornar o jêje (a língua nativa usada nos cultos afros), em patrimônio imaterial do estado.

Ivanir dos Santos destaca ainda que muito da intolerância vem do desconhecimento. As religiões de matrizes africanas pregam a caridade e a evolução humana. E assim, fazem parte da cultura do brasileiro.

“Muito já avançamos na aceitação de traços da cultura negra, como os penteados, as vestimentas étnicas, o canto e a dança, como samba. E até mesmo nas festas de réveillon na praia, que têm origem nos ritos africanos de buscar purificação com a água salgada do mar. Não podemos aceitar essa nova onda de demonização das religiões afro e cultura negra. Elas são parte da identidade do povo brasileiro”, disse o babalorixá.

Fonte > G1

IV Xirê da Consciência Negra acontece entre os dias 24 e 26

A quarta edição do Xirê da Consciência Negra será realizada de maneira diferente. Por conta das restrições impostas pela pandemia, as atividades deste ano acontecem de forma virtual, entre os próximos dias 24 e 26, com debates e apresentações artísticas transmitidas por meio da página do Ilê Axé Alaroke no Facebook (@Alaroke), trazendo palestrantes renomados no país. A iniciativa, realizada em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra – celebrado em 20 de novembro, é voltada a adeptos de religiões de matriz africana, pesquisadores, integrantes do movimento negro e demais interessados da sociedade civil na luta contra o racismo e a intolerância religiosa.

De acordo com Ramon Odé Kínikò, ogan do Alaroke que integra a equipe de organização do evento, o objetivo é compartilhar conhecimento e fomentar o empoderamento das comunidades tradicionais de terreiro. “É importante trazer o tema ao debate, pois a intolerância religiosa infelizmente ainda é uma realidade no país e está diretamente relacionado ao racismo. Porque nossa religião é de preto. Nossa crença vem dos povos originários de África. E é por isso que os adeptos das religiões de matriz africana são as principais vítimas desta intolerância”, explica.

A iniciativa é realizada em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra – celebrado em 20 de novembro (Foto: divulgação)

A Mesa de Abertura do evento, que acontece no dia 24, às 19h, traz para discussão a Filosofia Africana como Contributo para as Comunidades de Terreiros, com o doutor em Bioética e professor da Universidade de Brasília (Unb) Wanderson Flor; o doutorando em Filosofia Valter Duarte e o doutorando em Estudos Étnicos e Africanos João Mouzart. Às 21h30, será exibida uma apresentação musical do Afoxé DiPreto.

Já no dia 25, a programação começa às 14h, com Comunicações Coordenadas sofre Artes Afrocentradas, com Breno Loeser, Díjina Torres, Lina Delé Nunes, Michelle Pereira e Mãe Mary. Às 19h, a mesa fica por conta de Juracy Júnior Xaguinandji, que é mestre em Ciências da Religião e babalaxé do Ilê Axé Alaroke; e do doutor em Política Social pela Unb Carlos Alberto Obá Moxeí, que vão tratar sobre Povos de Terreiro, Comunidade e Ancestralidade. A intervenção artística será do Mc e poeta Wesley Pardal.

No dia 26, o Xirê segue a partir das 14h, com apresentação de projetos e ações socioeducacionais desenvolvidos por terreiros de Sergipe e parceiros, com o doutor Ilzver Matos e a Comissão de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE). Dentre os projetos a serem mostrados estão A Escola Vai ao Terreiro (Ilê Axé Alaroke); Olope Griots, Oxê e Idará (Sociedade Omolàyié); Xangô Menino (Comunidade Ojú Ifá); Casa Mar Vai à Escola e Cine Omiró (Casa Mar); Preservando o Axé (Centro de Umbada Caboclo Tupy) e Mídia Livre Os Caatingas (Centro Cultural Erukerê).

Às 19h, haverá uma Mesa para debater Educação Intercultural, Educação nos Terreiros e Protagonismo Negro, com a doutora em Educação Stela Caputo, que é coordenadora do grupo de pesquisa Kékeré UERJ, com crianças de terreiro; a doutora Vanda Machado, que criou o Projeto Político Pedagógico ‘Irê Ayó’ na Escola Eugenia Anna dos Santos, no Ilê Axé Opô Afonjá (Salvador/BA); o mestre em Ciências da Religião Ramon Odé Kínikò e o jornalista Tiago Rogero, vencedor do 42º Prêmio Vladimir Herzog (2020) com o podcast Negra Voz. Para encerrar, os participantes poderão acompanhar uma apresentação musical da percussionista Dani Baixa e um espetáculo de dança de Michelle Pereira.

Feira Preta 2020 emplaca parcerias e promove 21 dias de evento

Festival promove atividades envolvendo empreendedorismo, produção de conteúdo e cultura pela perspectiva de pessoas negras

Festival promove atividades envolvendo empreendedorismo, produção de conteúdo e cultura pela perspectiva de pessoas negras

Um dos maiores eventos de cultura e empreendedorismo negro da América Latina, a Feira Preta, ganhou um novo formato em 2020 e será totalmente online. Serão ao todo 21 dias de programações entre 20 de novembro e 10 de dezembro. Em sua 19ª edição, mais de 100 atrações nacionais e internacionais entre shows, hackaton, talks, painéis e workshops, além de ações presenciais como videomapping na cidade de São Paulo, compõem a programação da Feira. Todas as atividades são gratuitas. Com o tema Existe um futuro preto!, o Festival Feira Preta, que terá pela primeira vez patrocínio da Lei Rouanet, irá trazer programações relacionadas ao afrofuturismo e afropresentismo. Tradicionalmente, o afroempreendedorismo é a principal atração do Festival, que nesta edição irá apresentá-lo em 14 eixos: música, gastronomia, dança, teatro, hackathon – Game Jam, artes visuais, Stand Up, infantil, literatura, saúde & bem-estar, diálogos criativos, tecnologia & algoritmos, Patrimônio Imaterial e empreendedores negros. No novo formato, eles terão a oportunidade de apresentar e vender seus produtos online pelo marketplace do Mercado Livre. Adriana Barbosa, criadora da Feira Preta e CEO da PretaHub, explica que o trabalho da Feira vai além de reunir empreendedores e divulgar conteúdo, mas que exerce também a função de advocacy para negócios que ainda não estejam presentes nas mídias sociais. Uma parceria com o Mercado Livre, por exemplo, irá ajudar esses empresários a se posicionarem nas redes sociais e a impulsionarem suas vendas através da plataforma. “Um dos principais papéis da Feira Preta dentro da comunidade negra, além de influenciar na construção coletiva de projeções para o futuro, é transmitir esperança. Não existe a possibilidade de deixarmos de realizar o evento e exercer essa transmissão em um ano cujo cenário é tão distópico, ainda mais quando impacta diretamente uma parcela populacional que vive cotidianamente essas distopias”, explica Adriana. A empreendedora também explica como os pilares do afrofuturismo e afropresentismo estarão presentes na programação e nas discussões propostas pelo Festival, que se propõe a mostrar a riqueza, a pluralidade e a importância da cultura africana e afro-brasileira, com produtos desenvolvidos por empreendedores negros. Além das atrações, todo o conteúdo dessa edição foi curado e produzido por uma equipe de quatro produtoras de audiovisual lideradas por profissionais pretos: Arroz Doce Produções, Oxalá Produções, Terra Preta Produções e A Rua Agradece. A transmissão será feita por diferentes plataformas e redes sociais, que também atuam como parceiras de conteúdo nessa edição: TikTok, Spotify, YouTube, Facebook, Instagram, passando por aplicativos de relacionamento que irão cocriar conteúdos com curadoria Feira Preta, durante o #FeiraPretaOcupa. Podcasts, Stand Up, playlists personalizadas e videomapping também fazem parte da programação da Feira que poderá ser acompanhada pela hashtag #ExisteUmFuturoPreto e está disponível também no site. Ao longo dos 20 dias, a programação terá como base a Casa PretaHub, espaço de co-working em São Paulo, e a Casa Natura Musical, de onde serão transmitidas as atrações. A partir das redes da Feira serão promovidos diálogos e trocas de conhecimento, com talks e painéis com a participação de especialistas, estudiosos, pesquisadores e/ou convidados. Entre as atrações confirmadas da programação estão as apresentações de Luedji Luna com a cantora britânica Anais, Tássia Reis, a segunda edição do Preta Jazz Festival, o Encontro dos Blocos Afros SP: Ilú Oba, Ilú Inã, Umojá e Zumbiido, e o show dos músicos refugiados da diáspora africana no África em nós. Todas as apresentações musicais serão realizadas direto do palco da Casa Natura Musical. A Feira conta com parceiros como Ministério do Turismo, Assaí, Mercado Livre, Banco Itaú e Basf, TikTok, Spotify, Facebook, Instagram, IBM, Logitech, British Council, Instituto Moreira Salles, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, GNT, MAC, Converse, Tinder e Grupo +Unidos. A programação completa do Festival e da Feira podem ser acessadas pelo site da instituição. Confira abaixo alguns destaques da programação:

20/11 – Sexta-feira

– Playlist #Existeumfuturopreto by Feira Preta

O quê? Lançamento da Playlist #Existeumfuturopreto by Feira Preta com os artistas Taís Araújo, Tia Má, Stephanie Ribeiro, Ana Paula Xongani, Helio De la Pena, Silvio Almeida, Fred Nicácio, Manoel Soares, Rafael Zulu e Rodrigo França

Quando? 20/11

Onde? Spotify- Painel de abertura do Afrolab para Elas – Mentorias

O quê? Painel de abertura de nova edição do programa que conta com o apoio do Facebook através do programa #ElaFazHistória, com participação de Adriana Barbosa, CEO da PretaHub, Day Molina, Stylist, Produtora & Criativa e Danielle Almeida, Especialista em América Latina,

Quando? 20/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- Amaro Freitas e Sidmar Vieira

O que? Show de Amaro Freitas e Sidmar diretamente da Casa Natura Musical.

Quando? 20/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- África em nós – acordes da memória

O quê? Apresentação com Boris Reine-Adelaide (Martinica), Charles Arche Borromee Obas (Haiti), Pyroman (Congo), Pupa Kanda (Angola), Yannick Delass (Congo), Lua Bernardo e Rômulo Alexis (Brasil), diretamente da Casa Natura Musical.

Quando? 20/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- Degusta Preta com Chef Sam Mama Africa la Bonne Bouffe

O quê? O chef ensina a fazer um prato delicioso inspirado no continente Africano a convite do Feira Preta Ocupa, diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato Firmeza.

Quando? 20/11 a partir das 18h

Onde? Youtube da Feira Preta – https://www.youtube.com/channel/UCFK6_F5zXQGQwz7HqGfLF_Q- Painel Pretos no Universo dos Games

O quê? Com Keisha Howard, Fundadora da Sugar Gamers, Raquel Motta, Tecnóloga, Fundadora e CEO na Sue The Real e mediação de Thaíssa Candella, Professora e Programadora.

Quando? 20/11 às 18h

Onde? Inscrições no link

21/11 – Sábado

– Degusta Preta com Chef Iêda de MatosO quê? A chef da Casa de Iêda ensina a fazer um prato delicioso inspirado no Continente Africano, a convite do Feira Preta Ocupa e diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato FirmezaQuando? 21/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube https://www.youtube.com/channel/UCFK6_F5zXQGQwz7HqGfLF_Q e na Página no Facebook – https://web.facebook.com/feiraculturalpreta”- Bate papo Bares e Drinks

O quê? Bate papo sobre Bares e Drinks com os bartenders Laercio Zulu e Paulo Ravelli diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato Firmeza.

Quando? 21/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube https://www.youtube.com/channel/UCFK6_F5zXQGQwz7HqGfLF_Q e na Página no Facebook – https://web.facebook.com/feiraculturalpreta”- Luís Celestino

O que? Show do cantor Luís Celestino com muito samba e swingue.Quando? 21/11 a partir das 18hOnde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- Oficina Pretos Criadores de Conteúdo com o Tiktok na Feira Preta Ocupa.

O quê? Oficina de criação para usuários do Tik TokQuando? 21/11 das 10h30 às 13h

Onde? Inscreva-se Gratuitamente pelo link: bit.ly/OficinaTikTok

22/11 – Domingo

– Documentário Quebradeiras de CocoO quê? Exibição do Documentário Quebradeiras de Coco, Rede Mulheres do Maranhão

Quando? 22/11 a partir das 18hhttps://1ce631fb2b1833f57672c2a696455f9c.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- Roda de Conversa “Mulheres Cervejeiras”

O quê? Com a beer sommelier e Carol Chieranda e a cozinheira Dani Souza do Cozinha Omi Odara, diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato Firmeza.Quando? 22/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube https://www.youtube.com/channel/UCFK6_F5zXQGQwz7HqGfLF_Q e na Página no Facebook – https://web.facebook.com/feiraculturalpreta”- Degusta Preta com Guilherme Petro do Prato Firmeza

O quê? Chef ensina a fazer um prato delicioso inspirado no Continente Africano, a convite do Feira Preta Ocupa e diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato Firmeza.

Quando? 22/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook

23/11 – Segunda-feira

– Bate-papo sobre Empreendedorismo SocialO quê? Bate-papo sobre Empreendedorismo Social com Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e DICE – Sibongile Musundwa da África do Sul, com o apoio do British Council.

Quando? 23/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- Degusta Preta com Melanito do Biyou’z

O quê? Degusta Preta com Melanito do Biyou’z Ensina a fazer um prato delicioso inspirado no Continente Africano a convite do Feira Preta Ocupa diretamente da Casa Preta Hub em parceria com o Assaí e Prato Firmeza.

Quando? 23/11 a partir das 18h

Onde? Canal da Feira Preta no YouTube e na Página no Facebook- #FuturoÉPretoChallenge – Estética do Afrofuturismo

O quê? A estética do afrofuturismo será por conta do challenge #FuturoÉPretoChallenge, onde 06 influenciadores tiktokers convidados irão mostrar: Como você se vestiria nesse futuro? Iniciando um movimento pelas redes sociais, desafiando e estimulando outros creators a mostrarem a versão deles.

Quando? 23/11

Onde? Redes Sociais da Feira Preta.- Takeover do Instagram @bibliotecadefotografiaims por Nego Júnior

O quê? Takeover do Instagram @bibliotecadefotografiaims por Nego Júnior (@negojunior_)

O fotógrafo Nego Júnior fará, em novembro, um takeover da conta da Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista no Instagram. Serão cinco posts sobre livros pesquisados por ele em nosso acervo que tematizem a negritude e temas relacionados à edição deste ano da Feira Preta.

Quando? 23 a 27 de novembro, segunda a sexta-feira

Onde? Instagram da Biblioteca de Fotografia

Fonte > Jornal do Comércio

Debate + Os Doces Bárbaros

Para celebrar o Dia da Consciência Negra (20.11) e marcar a abertura do 1666 – Festival Internacional de Cinema 16 mm, a Cinemateca e o MAM Rio apresentam um evento especial ao ar livre.As atividades começam na próxima sexta às 18h, com o debate “Expressão e Documentação da Cultura Negra Brasileira”. Participam o diretor Jom Tob Azulay (homenageado nesta segunda edição do 1666), Djalma Corrêa, Caio Prado e Rodrigo Sousa & Sousa. A mediação é da diretora artística do MAM Keyna Eleison.Em seguida, às 19h30, será exibido “Doces bárbaros”, de Jom Tob Azulay.

São só 50 lugares. Reserve seu ingresso antecipadamente em www.mam.rio/ingressos

Fonte: MAM Rio

Fundação Pierre Verger relança o clássico “Lendas Africanas dos Orixás”

A obra é um dos títulos mais procurados por pesquisadores, religiosos e interessados em assuntos da diáspora africana

Criada em 1988 pelo fotógrafo francês, a Fundação Pierre Verger tem como um dos seus principais objetivos preservar, organizar, pesquisar e divulgar a obra do seu instituidor. Funcionando na casa onde Verger viveu durante muitos anos até a sua morte, em 1996, a Fundação cuida de um patrimônio cultural de inestimável valor antropológico, etnográfico e artístico, construído ao longo de 60 anos de viagens pelos cinco continentes e de incontáveis horas de dedicação à escrita das histórias, experiências e estudos sobre as culturas e os povos que ele conheceu ao redor do mundo.

Com 30 anos de existência, completados e celebrados recentemente, a Fundação Pierre Verger segue desenvolvendo ações que ampliam o acesso à obra de Fatumbi e possibilitam ao público o encontro com esse acervo. São publicações e reedições de livros, exposições e seminários, além de outras atividades socioculturais desenvolvidas com a comunidade da Vila América, local onde a Fundação está situada.

Com sua primeira edição lançada em 1985 pela Editora Corrupio, o livro “Lendas Africanas dos Orixás” é um dos títulos mais procurados por pesquisadores, religiosos e interessados em assuntos da diáspora africana. A obra traz um compilado de lendas, cuidadosamente coletadas por Verger em 17 anos de sucessivas viagens pela África Ocidental, desde 1948, período em que se tornou Babalawô (1950) e quando recebeu do seu mestre Oluô o nome de Fatumbi.

Todas essas lendas foram anotadas por Verger a partir das narrativas desses sacerdotes de Ifá, os babalawôs africanos, pais do mistério sagrado. Como diz Arlete Soares no texto de apresentação da primeira edição, são “histórias que constituem, todas elas, testemunhos diretos e espontâneos da cultura iorubá, cuja influência na nossa cultura faz-se sentir de maneira tão acentuada”.

Apesar de Pierre Verger ser conhecido mundialmente por seu trabalho fotográfico, “Lendas Africanas dos Orixás” não tem nenhuma das fotografias produzidas por ele. No entanto, a imagética das histórias dessa obra recebe o auxílio luxuoso de Carybé, que assina as 24 ilustrações. O artista visual nascido na Argentina e grande amigo de Fatumbi traduz com carinho, sensibilidade e cuidadosas informações etnográficas o espírito da magia dos orixás, que é fruto da sua intimidade com o candomblé da Bahia.

Esta nova edição de “Lendas Africanas dos Orixás” é uma publicação da Fundação Pierre Verger e traz como uma das principais novidades o prefácio assinado por Reginaldo Prandi, sociólogo e reconhecido escritor brasileiro sobre as mitologias dos orixás, com o texto “Um babalaô me mostrou”, no qual o professor destaca o quanto esta publicação tem contribuído para repor parcela significativa da tradição esquecida de parte do patrimônio mitológico iorubá por força da adversidade da vida dos africanos no Brasil.

Com edição de arte e design gráfico de Enéas Guerra – também responsável pela primeira edição – e projeto editorial da Solisluna Design Editora, “Lendas Africanas dos Orixás” chega com uma tiragem de 4.000 exemplares, em capa dura, no formato 21,7 x 27,6 cm. Nas suas 100 páginas, além dos 24 textos e ilustrações originais, o livro apresenta uma fotografia dos artistas, texto de apresentação de Gilberto Sá, o prefácio original de Arlete Soares e o texto de Prandi. A impressão é da Ipsis Gráfica.

A Fundação Pierre Verger lança a nova edição desse grande clássico da mitologia dos orixás no próximo dia 12 de setembro, às 19 horas, na Galeria Marcelo Guarnieri, em São Paulo. “Lendas Africanas dos Orixás”, assinado por Pierre Fatumbi Verger e Carybé, retorna às prateleiras das livrarias após três anos de grande procura dos leitores.

Para utilizar, bastará apenas fazer o download, instalar e colocar a câmera do aparelho sobre a ilustração de Carybé que, automaticamente, o aplicativo reconhecerá a imagem e iniciará a narração do seu texto de referência. Este recurso já vem sendo utilizado pela Fundação nas últimas exposições de Verger e, segundo conta Alex Baradel – responsável pelo Acervo Fotográfico e idealizador do aplicativo: “é uma forma de disponibilizar conteúdos extras ao público, promovendo, também, acessibilidade às crianças e às pessoas com deficiência visual”.

O aplicativo funciona não apenas com as imagens do livro e da exposição, mas em qualquer outro suporte onde as ilustrações possam ser reconhecidas, como, por exemplo, a tela de um computador, e se constitui, também, em uma ferramenta interessante de ser utilizada para inserção das culturas africanas e afro-brasileiras em espaços de educação, especialmente os que trabalham com o público infanto-juvenil. Outro bônus da noite será o valor promocional do livro que, nesse dia, será vendido por 48 reais.

A programação segue no dia 14, quando acontecerá, a partir das 10 horas, uma atividade no mesmo local com Vovó Cici, na qual a griot narrará textos do livro entre outras histórias da inesgotável cultura do culto aos orixás africanos. Não deixe de levar seus filhos e crianças para vivenciarem esta experiência única.

 

Fonte: Carta Capital