A importância histórica e as muitas faces de Soweto

Grande parte da história contemporânea da África do Sul foi escrita em Soweto, abreviatura de South West Township, oficialmente adotada em 1963, apesar de sua origem ser mais antiga. No final do século XIX, muitos negros migraram para os arredores de Joanesburgo atraídos pela corrida do ouro. Eles seriam a principal mão-de-obra para a exploração do minério.

Os trabalhadores se amontoavam em barracos ao redor da cidade dando forma à região que, anos mais tarde, se tornaria o principal cenário da revolução. A famosa township foi lar das personalidades mais importantes da África do Sul: o pai Nelson Mandela e o padrinho Desmond Tutu. A “cidade” Soweto incorporada aos limites de Johanesburgo é a maior “favela” sul-africana, com cerca de três milhões de habitantes, que falam praticamente todas as línguas oficiais do país.

O nome Soweto ganhou o mundo especialmente em 1976, quando um grupo de estudantes negros que protestava contra o ensino do afrikâans, língua dos colonizadores, foi recebido à bala pelos policiais. Milhares de estudantes, estimulados pelo Movimento de Consciência Negra, diziam “não” ao idioma do explorador em manifestações que cruzavam a África do Sul. O “Movimento” fundado por Steve Biko foi proibido pelo governo, após a aglomeração de Soweto ter se transformado em uma tragédia. A foto de Hector Pieterson de apenas 12 anos, morto no colo do irmão após um ataque covarde da polícia, ficou eternizada. Rodou o mundo, levando repúdio ao sistema implantado na África do Sul, que apenas naquele ano matou cerca de 700 jovens em protestos ao longo dos meses.

Hector Pieterson: símbolo do levante de Soweto - Arquivo África do Sul

Durante o apartheid, Soweto era tenso, até mesmo quando a África do Sul parecia ir ao encontro de um caminho de paz. No governo de transição, entre 1990 e 1994, CNA (Congresso Nacional Africano – partido no poder há 16 anos) e Inkatha (partido zulu) disputavam o poder que seria dado aos negros, na primeira eleição democrática sul-africana. No passado, o bairro era a fonte quase gratuita da mão-de-obra de Johanesburgo, sem direito ao saneamento básico, eletricidade, educação e principalmente segurança. Hoje, é um cenário mais vibrante, alegre e multifacetado, apesar de as cicatrizes do passado ainda se mostrarem entreabertas.

Wandie's Restaurant, um dos famosos de lá! Notas e cartões registram turistas do mundo inteiro. Arquivo África do Sul

No ano da Copa, Soweto também presencia mais esperança, mais orgulho e é um dos destinos obrigatórios de quem passa por Joanesburgo. Um tour (que deve ser feito seguindo todas as recomendações de segurança) revela parte da vida de Soweto, seja pelos caminhos de becos escuros, seja pelas ruas asfaltadas que exibem carros importados. De um extremo ao outro, é possível descobrir as múltiplas faces de uma região tão importante para a história do país.

A paixão pelo futebol! – Arquivo África do Sul

Entre as atrações estão a Casa de Nelson Mandela, o Museu e Memorial Hector Pieterson, o shopping center Maponya e os shebben, estabelecimentos de bebidas que tradicionalmente eram ilegais no passado. Agora, eles também são conhecidos como tavern e se apresentam como lugares sociais onde moradores de áreas carentes se reúnem após o trabalho. O futebol é uma paixão comum a quase todos da região, que não por coincidência, abriga os clubes mais populares do país: Kaizer Chiefs e Orlando Pirates!

Fonte: JB Online

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