Oni Xé Á Áwuré: Projeto de dança afro para escolas de Maceió no Teatro Deodoro dia 10

Baseado na Lenda de Oxalufã, de Pierre Verger, o espetáculo de dança afro “Oní Xé A Àwúre” dirigido pelo dançarino, professor e coreógrafo Edu Passos estreia no dia 10 de outubro (domingo), no Teatro Deodoro a partir das 20h, com entrada gratuita por meio de convites, e depois percorrerá diversos bairros de Maceió com apresentações públicas mostrando o resultado das oficinas ministradas por Edu.

Edu, que com 30 anos de carreira na arte da dança, mineiro, radicado em Alagoas, teve o seu projeto “Dança Afro-Brasileira nas escolas” premiado, pelo Ministério da Cultura, com o I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, sendo o único na região nordeste, e que consistiu na realização de oficinas de dança afro em duas escolas públicas de Maceió: Escola Estadual Alberto Torres, situada no bairro do Bebedouro e a Escola Estadual Professor Theonilo Gama, situada no bairro do Jacintinho, onde aproximadamente 60 jovens frequentaram as oficinas durante o período de maio a julho e desde agosto vem acontecendo os ensaios para a montagem do espetáculo. No elenco estão 22 jovens.

O projeto concorreu na categoria dança, com 120 inscritos, que disputavam os prêmios de R$ 80 mil reais. Ao todo foram distribuídos R$ 1.100.000,00 para 20 projetos de três categorias artísticas com estética negra contempladas nesta edição: teatro, dança e artes visuais. O prêmio é uma iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon) e da Fundação Cultural Palmares, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.

Edu Passos explica que nos seus 30 anos de trabalho, nunca havia visto um edital voltado para expressões culturais afro-brasileiras, o que o motivou a criar esse projeto direcionado para as escolas públicas. Seu objetivo foi levar aos jovens da periferia de Maceió a dança afro-brasileira como qualquer outra disciplina do currículo escolar. Segundo Passos este prêmio é o reconhecimento do trabalho que ele desenvolve há anos e do seu compromisso com a cultura afro.

As oficinas tiveram como objetivo geral aproximar os participantes da linguagem artística da dança, trabalhando a expressão corporal e, como específico, formar multiplicadores para o ensino da dança afro-brasileira e teve sua metodologia baseada na relação entre a prática da dança e o processo reflexivo sobre o fazer. As aulas sempre foram intercaladas com leitura de textos e discussões provocadas pela Professora/Ms. Nadir Nóbrega, que é a Coordenadora Pedagógica do projeto e Diretora Cênica do espetáculo.

O espetáculo, com duração média de 50 minutos, possui formato que se adapta a lugares abertos nas comunidades periféricas que tem difícil acesso aos equipamentos culturais ou até mesmo nunca tiveram a oportunidade de assistir a um espetáculo de dança.

Numa rápida entrevista Edu Passos fala um pouco mais sobre o projeto e sobre o espetáculo:

Como surgiu a idéia do projeto?

EDU PASSOS – Surgiu quando eu li o Edital do I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileira, promovido pela Fundação Cultural Palmares, teatro, Dança e Artes Visuais. Onde ia ser contemplado com o prêmio, um projeto de cada linguagem por cada Região do País. Aí tive a ideia de fazer um projeto onde eu aplicava oficinas de Dança Afro-Brasileira em duas escolas da rede pública de Maceió, para alunos (as) do Ensino Médio. Com o objetivo de formar multiplicadores da Dança Afro-Brasileira e o produto final das oficinas seria a montagem de um espetáculo de Dança Afro para ser apresentado em lugares abertos na periferia de Maceió. Para minha felicidade o meu projeto foi o premiado na categoria Dança – Região Nordeste.

Como se deu a seleção dos jovens?

EDU PASSOS – Primeiro escolhi as escolas: a Escola Estadual Alberto Torres, situada no bairro do Bebedouro e a Escola Estadual Professor Theonilo Gama, situada no bairro do Jacintinho. Passei em todas as turmas do Ensino Médio explicando o que era o projeto e como ia ser desenvolvido, fiz o convite a todos e aguardei a presença deles no sábado dia 08 de maio de 2010, dia em que iniciei as oficinas.

Quais foram as maiores dificuldades até aqui?

EDU PASSOS – No início foi à resistência de alguns alunos (as) que não sabiam o que era Dança Afro. Sempre ligavam à dança afro à macumba, até que foram conhecendo e entenderam a proposta. E depois os espaços físicos das escolas, para as oficinas de dança. Não haviam salas preparadas para aulas de dança.

E a seleção para participar do espetáculo como aconteceu?

EDU PASSOS – Aconteceu naturalmente, já que todos que participaram das oficinas ficaram para o espetáculo. Até porque durante as oficinas já estávamos trabalhando com eles a montagem do espetáculo. Aqueles que não continuaram saíram por vontade própia.

Do que se trata o espetáculo?

EDU PASSOS – O espetáculo tem o título ONÍ XÉ A ÀWÚRE (Senhor que faz com que tenhamos boa sorte), baseado na Lenda de Oxalufã, de Pierre Verger. Mas a nossa preocupação foi montar o espetáculo na contemporaneidade? não levar para o palco os elementos do sagrado do candomblé.

O que é a lenda?

EDU PASSOS – A lenda conta a história de Oxalufã (Oxalá), que queria visitar seu filho Xangô. Oxalá consulta o seu Babalaô, que diz para ele, que não era uma época boa para ele fazer aquela viagem, pois se fizesse ia lhe acontecer vários incidentes durante a viagem. Oxalá que era teimoso faz a viagem e acontecem vários aborrecimentos durante o percurso e ele acaba sendo preso no Palácio do seu próprio filho, Xangô. Xangô em uma consulta com o seu Babalaô, descobre que o homem que está preso no seu Palácio é seu pai, ele ordena que o soltem e prepara uma grande festa para Oxalá.

O espetáculo contará ainda com as participações do cantor Igbonan Rocha, além dos músicos Denivan Costa, Paulinho Keita, Roberi Verçosa, Cristiano Borge e Thiago Felipe.

Ficha técnica

Espetáculo Oní Xé a Àwúre

Baseada na lenda de Oxalufã, de Pierre Verger

Resultado do projeto ?Dança Afro-Brasileira nas escolas? premiado com o I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras

Estreia – Dia 10 de outubro, (domingo) no Teatro Deodoro

Convites podem ser retirados na bilheteria do Teatro Deodoro até o dia 08 de outubro.

Apresentações em praça pública:

2ª Apresentação dia 12 de outubro, (terça) na Praça Santa Tereza, na Ponta Grossa

3ª Apresentação dia 23 de outubro, (sábado) na Praça Lucena Maranhão, em Bebedouro

4ª Apresentação dia 29 de outubro, (sexta) no Projeto Mirante Cultural, no Jacintinho.

5ª Apresentação dia 30 de outubro, (sábado) no Alto do bairro de Ipioca.

6ª Apresentação dia 06 de novembro, (sábado), na Praça Sebastião Elias (vizinho à Companhia da PM) no Clima Bom.

Todas as apresentações acontecerão às 20 horas.

– Coreografias: Edu Passos e Nadir Nóbrega Oliveira

– Direção cênica: Nadir Nóbrega Oliveira

– Direção musical: Paulinho Keita

– Músico (berimbau): Denivan Costa

– Percussionistas: Paulinho Keita, Roberi Verçosa, Cristiano Borge, Thiago Felipe – Vocal: Igbonan Rocha

– Dançarinas:

Andréa Karla Pontes da Silva

Andressa da Silva Solano Moura

Christiohane Correia da Silva

Heloísa Lima de Carvalho

Larísse Darline da Silva

Luciene da Silva Santos

Niedja Tenório

Priscila Graciele da Silva Teixeira

Samila Pereira da Silva

Sheyla Morgana Pereira da Silva

Viviane dos Santos Silva

Viviane Santos do Nascimento

Yasmin Brenda Silva Santos

– Dançarinos:

Aldemir dos Reis

Denivan Costa de Lima

Diego Januário dos Santos

Elvis Santiago da Silva Santos

Joseph de Morais

José Nunnes de Souza

Marcos Paulo Marques de Lira

Rafael Oliveira Saraiva da Silva

Ricardo Cardoso Moura dos Santos

– Direção geral: Edu Passos

– Figurinista: Andréa Cavalcante de Almeida

– Arte gráfica: Marcos Elizário (Gordo)

– Cenógrafo: Acioli Filho

– Cenotécnico: Jeamerson dos Santos -Iluminação: Edner Careca

– Som: G & T: Sonorização e Iluminação (Teco)

– Palco: Túlio Palcos & Eventos

– Assessoria de comunicação: Keyler Simões

– Produção Executiva: Tudomais Produções

Realização: Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon)

Parceria: Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Fundação Cultural Palmares

Patrocínio: Petrobras através da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), do Ministério da Cultura

Informações: (82) 9971-4281 / 3315-5656

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