Na cidade histórica de Cachoeira, na Bahia, rituais católicos se misturam com preceitos do candomblé

Literalmente cortada pelo Rio Paraguaçu, a cidade de Cachoeira, localizada no Recôncavo Baiano a 111 km de Salvador, é uma das principais referências da cultura da baianidade. Com uma população de maioria afrodescendente, o município também é notabilizado pela cultura dos séculos 18 e 19 e pela sua religiosidade, onde os rituais católicos se misturam com os preceitos do candomblé.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional (Iphan), no início da década de 1970, a cidade reúne o segundo maior conjunto arquitetônico do estilo barroco na Bahia. Exemplo disso é o conjunto que abriga a Igreja e o Convento do Carmo, que já possui mais de dois séculos. No interior da Casa de Oração estão guardados verdadeiros tesouros, como trabalhos em talha dourada e imagens sacras de tamanho natural, além de artefatos construídos sob influência oriental.

As fachadas dos edifícios e sobrados e o antigo calçamento das ruas de Cachoeira traduzem a ligação desta antiga cidade com os valores históricos. Alguns casarios chegam a lembrar o Pelourinho e outras localidades do Centro Antigo de Salvador.

Por falar em história, foi em Cachoeira que, segundo historiadores baianos, ocorreram os primeiros passos para a consolidação da independência do Brasil em relação a Portugal. Durante o século 19, em 25 de junho de 1922, a cidade se projetou para a historia política do país, com as lutas contra as tropas canhoneiras portuguesas que tentavam sitiar a vila com o objetivo de sufocar a mobilização popular contra a dominação colonial.

Assim, os cachoeiranos decidiram pela a proclamação do príncipe Dom Pedro I como regente. O movimento foi considerado um marco para o que os baianos chamam de verdadeira Independência do Brasil, que teria ocorrido no dia 2 de julho de 1823. Por conta disso, a cidade é, desde 2007, sede do Governo do Estado da Bahia todo 25 de junho.

E a passagem de Dom Pedro II pela cidade baiana deixou marcos que são visíveis até hoje. A ligação de Cachoeira com a vizinha São Félix e com os demais municípios do Recôncavo Baiano se dá por meio de uma ponte metálica rodoferroviária, batizada com o nome do príncipe regente, construída no século 19. Dom Pedro II também é lembrado pelos comerciantes locais, uma vez que seu nome é emprestado a diversos estabelecimentos.

Em São Félix, traços históricos também são facilmente percebidos na arquitetura, principalmente em prédios como o da cadeia pública. A antiga fábrica de charutos Dannemann hoje dá lugar a um espaço cultural que abriga exposições e exibições da fabricação de charutos feitos exclusivamente por mulheres.

Na cidade, é possível conhecer ainda a antiga estação ferroviária, que também data do período do Brasil Império.

Religiosidade e cultura

A cultura de matriz africana e a religiosidade são outros pontos marcantes que diferenciam Cachoeira de outras cidades baianas. Lá é possível encontrar manifestações culturais que têm atravessado os tempos e resistido à modernidade, mantendo suas características originais. O samba-de-roda, considerado pelo Ministério da Cultura como Patrimônio Imaterial Brasileiro, é uma arte implementada pelos escravos e que hoje seus descendentes a trazem de forma original.

SERVIÇO

Como chegar Ao sair de Salvador pela BR-324, percorre-se 59 km até o entroncamento com a BR 420, onde percorre-se mais 11 km até a cidade de Santo Amaro e retoma a BR 420, trafegando por mais 38km.

A Empresa de Transporte Santana São Paulo opera a linha Salvador (BA) – São Félix diariamente. Tel: (71) 3450-4951.

Hospedagem Pousada 25 de junho
Praça 25 de junho, 12, centro
Tel: (71) 3336-5775

Pousada Beira Rio
Rua do Carmo, S/N, centro
Tel: (75) 9991-0967

Pousada do Convento
Praça da Aclamação, S/N, centro
Tel: (75) 3425-1716

Onde comer A Confraria
Praça da Aclamação s/n, centro
Tel: (75) 3425-1716

Outra tradição mantida é a da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, uma confraria formada por mulheres negras, com mais de 50 anos de idade, todas descendentes de escravos. A manifestação é católica e reúne mais de 15 mil pessoas todos os anos na cidade, entre estudiosos brasileiros e estrangeiros da cultura africana, jornalistas de todos os cantos do mundo e adeptos do candomblé.

A irmandade, que existe a mais de 150 anos, possui uma série de rituais. Os principais incluem uma saída em procissão pelas principais ruas da cidade, missa pelas almas das “irmãs” que já morreram, missa de corpo presente, com a imagem de Maria, seguida de procissão do enterro de “Nossa Senhora”, missa de assunção e procissão festiva que marca o encerramento das festividades religiosas.

A roupa totalmente branca é sinal que as integrantes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte estão de luto. Já a indumentária que possui as cores vermelha, preta e branca representam a alegria com a assunção de Maria.

Outro detalhe interessante é a quantidade de adereços utilizados pelas “irmãs”. São pulseiras, colares e jóias em ouro, prata e pérolas que se contrastam com as marcas do tempo estampadas na pele das integrantes da irmandade.

As fachadas dos edifícios e sobrados e o antigo calçamento das ruas de Cachoeira traduzem a ligação desta antiga cidade com os valores históricos.

A sede da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte fica próxima àquela que foi a primeira igreja construída na cidade: a de Nossa Senhora do Rosário, que depois passou a se chamar Nossa Senhora da Ajuda.

Outro importante ponto de visitação em Cachoeira é a Fundação Hansen Bahia, que reúne mais de 10 mil peças como matrizes e xilogravuras do gravador alemão Karl Heinz Hansen, que viveu na Bahia até 1978 e adotou o nome do estado em seu sobrenome. O prédio que abriga os objetos de Hansen já fora ocupado pela princesa Isabel, durante o século 19.

Culinária

A gastronomia também é um dos pontos fortes do Recôncavo, pois a proximidade com o mar da Baía de Todos-os-Santos e com o sertão baiano se configura numa importante miscigenação cultural que reflete diretamente na culinária local.

Em Cachoeira e São Félix é possível saborear iguarias à base de carne, frutos do mar e a tradicional maniçoba, prato feito com a folha da mandioca, que de acordo com os moradores locais “é um excelente energético e afrodisíaco natural”.

De origem indígena, a maniçoba recebe o reforço das carnes suína e bovina e o tempero à base de alho, sal, folha de louro, e pimenta e outros ingredientes defumados e salgados. A iguaria acompanha arroz, farinha de mandioca e pimenta.

Durante o preparo, é preciso triturar e cozinhar por um longo tempo a folha de mandioca para a extração do ácido cianídrico, veneno natural presente na planta.

A feijoada, o caruru, vatapá, acarajé, abará e os diversos tipos de moquecas também são muito comuns na cidade de Cachoeira.

Outros pontos turísticos e atrações locais

Ao passar por Cachoeira, não deixe de conferir também alguns pontos importantes como os prédios da Santa Casa, construído no século 18, a Capela de Santa Bárbara e o Chafariz Imperial.

Outro atrativo é a Sociedade Lítero-musical Minerva Cachoeirana. A orquestra filarmônica, formada por moradores locais, foi fundada em 10 de fevereiro de 1878 e ainda hoje encanta os moradores e visitantes da cidade.

Fonte: UOL

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