Capital negra das Américas registra 412 casos de agressões a minorias no carnaval

Em relatório parcial divulgado pelo Observatório da Discriminação Racial, Violência Contra a Mulher e LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de Salvador, os dados apontam a força do preconceito nesta que é considerada a capital negra da América Latina. Somente neste carnaval foram registrados 412 casos de agressões contra minorias entre racismo, sexismo e homofobia.

Das ocorrências, a que apresentou maior número foi o de racismo contra negros que contabilizou 256 casos. Na sequência foram registrados 138 de violência contra a mulher (sexismo) e 18 de homofobia. O resultado ultrapassa o do carnaval 2011, que registrou 350 casos. As informações servirão de subsídios para a formulação e implantação de políticas voltadas para a prevenção de discriminações e desigualdades.

Estratégia – Durante toda a folia 120 observadores trabalharam na observação e apuração das ocorrências. Eles ficaram distribuídos em pontos estratégicos dos circuitos da festa e nos seis postos instalados em vários pontos da capital baiana (Cruzeiro do São Francisco – SPD; Ladeira de São Bento; Lapa; Camarote Casa dos Bailes – Casa d´Itália; Assufba e Faculdade Social da Bahia – Ondina).

Nesta edição, a Semur ampliou seus postos com a inclusão de mais um ponto de atendimento na Avenida Oceânica para facilitar a efetivação de denúncias no circuito Dodô. De acordo com o secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira,  a missão é contribuir para a realização de uma festa popular tranquila e igual para todos os foliões, independente de cor, gênero ou orientação sexual. 

Segundo ele, a campanha é feita por meio da prevenção e disseminação da cultura da paz no Carnaval. “O que se pretende a cada ano é ampliar o campo de atuação, visando reduzir as desigualdades que tornam vulneráveis parte significativa da população de Salvador”, ressalta. Ele lembra que apesar de sua população 83% negra, a cidade ainda apresenta altos dados de ações discriminatórias motivadas por questões raciais.

Outros casos – As ações machistas também chamaram atenção nesta sétima edição do Observatório, tendo em vista que já foram registrados 138 casos de mulheres agredidas durante o carnaval, contra 91 totais do ano anterior. O número de agressões ressalta a necessidade de que sejam elaboradas políticas públicas de proteção às mulheres, e intensificadas as campanhas de respeito ao gênero. Foram registrados 18 casos de agressões verbais e/ou físicas contra os LGBTs.

Os resultados do Observatório alertam ainda que, a maior festa popular do mundo, infelizmente, não está sendo democrática e comprova, através dos dados, a existência de ações discriminatórias, violentas e desiguais.

Fonte: Palmares

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