Feliz “Dia das Corujas”, mamães

Mãe Stella faz reflexão sobre o papel das mães. Foto: Antonio Queirós/Ag. A TARDE/ 09.04.2004

Maria Stella de Azevedo Santos

O Dia das Mães serve para homenagearmos aquelas que fazem da vida delas uma permanente homenagem aos filhos. A minha mãe, que trouxe meu corpo físico para a Terra, faleceu quando eu tinha apenas seis anos de idade, mas a memória de meu corpo guarda até hoje os carinhos recebidos. É costume dizer que mãe é aquela que “dá a luz”, no sentido de que dá o nascimento, mas também é mãe toda aquela que ilumina o caminho de alguém, orientando, educando, aquecendo o filho com mimos e afetos. Foi assim que fui criada e principalmente educada não só por minha tia, mas também por Joaninha, uma das muitas outras filhas de criação de minha saudosa tia, que no candomblé que hoje está sob os meus cuidados tinha o cargo de Sobaloju.

Se eu fui educada socialmente por todas essas pessoas queridas, espiritualmente contei com mais uma mãe: Oxum Miwa – minha Mãe Senhora, que foi para mim uma senhora mãe. A doce filha das águas que, vaidosa, cuidava para que sua aparência física expressasse, de maneira mais límpida possível, seu interior. Como o espelho usado por Oxum, era através da contemplação de seus atos que buscávamos formar nossa realidade e refletir sobre a realidade da vida. Mãe Senhora se confundia com sua própria essência – a água, que tem na capacidade de adaptação ao recipiente ao qual está contida uma de suas principais características.

É um desafio falar de um tema que nasceu junto com a humanidade, tendo sido, portanto, já comentado por muitos, sob os mais diversos aspectos e os mais diferentes estilos. Já comentado inclusive por mim, em maio de 2011, neste mesmo jornal. Preocupada em ser repetitiva, cheguei a pensar em não abordar mais este tema. Meu coração não permitiu. Como aprendi que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, simplesmente resolvi obedecer. Que seja, então, o que meu coração ordena, que é o mesmo que dizer: “seja o que deus quiser”, pois também aprendi, com os longos anos de vida, que deus mora na cabeça, mas reside no coração. Uso aqui o verbo residir não como sinônimo de morar, mas sim como verbo transitivo indireto, significando manifestar-se. Pois, se deus habita nossa cabeça, é através de nosso coração que ele se declara e se expressa.

No caso específico deste artigo, imploro às deusas que usem meu coração para iluminar os corações de todas as mães que, assim como eu, devem viver em estado constante de inquietação a se perguntarem: será que estou sendo uma boa mãe? Compartilho com minhas colegas mães a fórmula mágica que a mim foi dada pela sabedoria popular, tendo em vista aplacar estes momentos de crise: “pé de galinha não mata pinto”. Ufa! Pensar assim é o mesmo que dar ao coração um chá de erva cidreira: ele fica calminho, calminho. Como mãe que sou, posso usar e abusar do direito de aconselhar. Ainda mais que já sou uma mãe agbá – uma mãe velha. E sendo a semana do Dia das Mães, então, melhor ainda. Portanto, segue o que creio ser o maior conselho que posso dar às minhas coleguinhas “corujas”: vivam com toda a intensidade e profundidade possível cada etapa da vida de seus filhos, pois nenhuma fase é melhor do que a outra, em todas vocês encontrarão alegrias e dificuldades.

Talvez vocês não queiram pensar nisso, mas essas fases passam, deixando uma saudade que só pode ser preenchida caso entendam que filhos são para sempre. E se não existem ex-filhos, as dificuldades nunca deixarão de existir, mas, para a nossa alegria, as alegrias também não. Se um dia foi gostoso forrar os cadernos que os filhos iriam levar para um novo ano letivo, delicioso também será vê-los vibrar porque passaram no vestibular ou conseguiram o primeiro emprego. Abusando do direito de aconselhar, finalizo pedindo a vocês, mães, que tenham cuidado para não fazerem da bela missão da maternidade um drama penoso de ser vivido e enfrentado. Observem que peço apenas que não façam da maternidade um drama, nunca que não sejam dramáticas, pois uma mãe que não é dramática nem parece que é mãe. Beijos e bênçãos para todas vocês, “mamães corujas”, e para seus, com certeza, lindos filhotes.

Fonte: A Tarde

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