Para cada branco assassinado no Distrito Federal morrem 7 negros

Um estudo da Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Social do Governo Federal, intitulado Mapa da Violência, revela que para cada pessoa branca vítima de homicídio no Distrito Federal (DF), sete negros são assassinados. Em uma comparação proporcional por raça, o DF ocupa o 4° lugar no ranking, atrás apenas da Paraíba, de Alagoas e de Pernambuco.

A informação se refere ao número absoluto de mortes violentas, em 2010, e não considera a proporção entre brancos e negros nas populações dos Estados. Caso se leve em consideração o tamanho da população negra e branca, o DF tem cinco negros mortos para cada branco, uma diferença de 406% nos índices de homicídios. O número supera o dobro da média nacional, de três negros para cada branco assassinado.

O índice de assassinatos de negros no DF aumentou 20,6% entre 2002, quando 632 mortes foram registradas, e 2010, com 762. Já a taxa de homicídios de brancos cresceu 8,7% no mesmo período, subindo de 103 para 112 casos. Os dados foram alcançados a partir de levantamento que abrange registros entre os anos 2002 e 2010 e dados por número de habitantes.

De acordo com Renísia Garcia Filino, doutora em Políticas Públicas, Gênero e Raça da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), a segurança pública é violenta contra os negros, a educação é excludente, o sistema de saúde atende de forma diferenciada as mulheres negras e a mídia por muito tempo colocou os negros numa condição de subserviência. “É um conjunto de fatores que leva à banalização da morte da juventude negra”, afirmou.

Recorte racial – Quando se leva em consideração o percentual de negros e brancos por grupo de 100 mil habitantes de cada raça, a proporção no DF é de cinco negros para cada branco assassinado (diferença de 406% nos índices de homicídio entre as duas raças). O Distrito Federal fica em 18º lugar quando comparados os assassinatos de brancos por grupo de 100 mil habitantes, com índice de 10,4%.

Já em relação a mortes de negros, o DF tem 52,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, 6º lugar no ranking entre as unidades da federação, de acordo com o estudo. O DF também está entre as oito unidades da federação que ultrapassam a marca dos 100 homicídios para cada 100 mil jovens negros. Entre 2002 e 2010, houve queda de 12,5% nos assassinatos de jovens brancos do DF. Entre os jovens negros, o aumento foi de 10,8%.

Balanço – De acordo com os apontamentos do Mapa da Violência 2012, é preocupante o elevado índice de vitimização negra encontrado nos dados de 2010. “Preocupa mais ainda a tendência crescente do problema. Os níveis atuais de vitimização negra já são intoleráveis, mas se nada for feito de forma imediata e drástica, a vitimização negra no país poderá chegar a patamares inadmissíveis pela humanidade”, aponta o estudo.

Para Renísia, os elevados números de mortes entre os jovens negros no Brasil se devem ao que ela denomina “racismo estruturante”, que inclui o tratamento diferenciado a brancos e negros em diversas esferas e níveis da sociedade. De acordo com ela, é necessária a aplicação de programas de combate à violência contra a população negra. “Existem recursos, mas muitos municípios não usam. Isso tem a ver com a invisibilidade da mortalidade dos negros na sociedade”, explicou a doutora.

 Com informações do G1 e Geledes

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