Ngũgĩ wa Thiong’o, escritor queniano, é anunciado na Flip 2015

Conhecido também pelo ativismo, autor foi cotado para o Nobel em 2010.
13ª Festa Literária Internacional de Paraty acontece de 1º a 5 de julho.
O escritor queninano Ngũgĩ wa Thiong'o que vem para a Flip 2015 (Foto: Divulgação)
O escritor queninano Ngũgĩ wa Thiong’o, que vem para a Flip 2015 (Foto: Divulgação)

 

O escritor queniano Ngũgĩ wa Thiong’o, de 77 anos, conhecido por seu ativismo político e cotado para o Prêmio Nobel de Literatura em 2010 (vencido pelo peruano Mário Vargas Llosa), vai participar da edição 2015 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), anunciou a organização nesta terça-feira (5). Será sua primeira visita ao Brasil.

A nota destaca que Thiong’o teve sua “trajetória dividida pela identidade local e a identidade imposta pela colonização” britânica. Ele escreveu parte de seus livros em inglês e parte no idioma nativo gĩkũyũ. Sua obra inclui romances, peças de teatro, contos, ensaios e literatura infantil.

Na Flip, o autor lançará as primeiras traduções de seus livros para o português. Pela Alfaguara, sai em junho “Um grão de trigo” (1967), que retrata a idependência do Quênia. Pela Biblioteca Azul, sai “Sonhos em tempo de guerra”, as memórias de Thiong’o.

O perfil de Thiong’o informa que, na escola, ele “foi proibido de falar a língua nativa, forçado à circuncisão e à conversão pelo batismo na Igreja da Escócia, onde recebeu o nome James”. Estreou na literatura em 1964, com “Weep not, child”.

Já em 1977, Thiong’o renegou o catolicismo, a língua e a identidade inglesa. Na ocasião, ele abriu mão no nome de batismo na igreja escocesa. Em seguida, escreveu, em gĩkũyũ, o romance “Petals of blood”. Queria usar a língua que seu povo fosse capaz de entender, mas acabou censurado e preso.

“Na cadeia, como preso político, escreveu no papel higiênico o romance ‘Devil on the cross’, publicado em 1982”, descreve o perfil.

Na Flip, Thiong’o falará ainda sobre “Wizard of the crow”, publicado em 2006, que marcou seu retorno à literatura após quase duas décadas dedicadas ao ativismo. O livro é descrito como “uma sátira política de mais de 700 páginas passada na República de Aburria, país fictício com muitas semelhanças com a realidade com a qual o autor conviveu ao longo de sua vida”.

Nomes já anunciados
Antes de Ngũgĩ wa Thiong’o, a organização da Flip já havia confirmado os nomes das escritoras Ayelet Waldman, de Israel; Matilde Campilho, poeta de Portugal; e Karina Buhr, cantora brasileira que estreia em breve na literatura.

Além delas, estão na programação o irlandês Cólm Tóibín – que em 2013 foi finalista do Man Booker Prize com o livro “O testamento de Maria” – e o historiador e escritor brasileiro Boris Fausto.

Mário de Andrade
O homenageado da Flip 2015 será Mário de Andrade. Esta 13ª edição da festa vai manter a gratuidade no show de abertura e nos telões externos. Também foi mantido o curador, o jornalista e editor Paulo Werneck. Ele já havia exercido a função na Flip 2014, que ficou marcada pela forte presença de humoristas e de convidados que não escritores.

Sobre os planos para esta Flip 2015, Werneck afirmou, por meio de nota que “em 2014, a Flip se  abriu, ao mesmo tempo, para a cidade e para o público que estava fora de Paraty”. E antecipou: “Esse é um movimento sem volta. Em 2015, vamos conservar esse espírito livre e afetuoso que é a marca dos grandes momentos de todas as Flips”.

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