Donga, um dos inventores do samba

O samba surgiu como criação coletiva, nas reuniões que se davam na casa das Tias Baianas, que residiam na Cidade Nova, bairro carioca. Suas casas funcionavam como espaços culturais que ligavam aqueles que migraram da Bahia para a capital da República (em geral negros/as alforriados/as e outros que participaram da Guerra de Canudos) ao que tinha sido deixado para trás.

Suas casas abrigavam terreiros de candomblés e batuques, e para lá iam pessoas atrás de bênçãos e festas. Entre as mais famosas estavam Tia Ciata, Tia Presciliana de Santo Amaro, Tia Gracinda e Tia Verdiana. Entre as inúmeras pessoas que passaram por lá estavam também os responsáveis pelo criação do ritmo que se tornou o maior expoente da música brasileira, como João da Baiana, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Sinhô e Donga.

Ernesto Joaquim Maria dos Santos, seu nome de batismo, era filho de Pedro Joaquim Maria e Amélia Silvana de Araújo, e teve oito irmãos. O pai era pedreiro e tocava bombardino nas horas vagas. A mãe era uma das famosas Tias Baianas. Tia Amélia gostava de cantar modinhas e promovia inúmeras festas em sua residência.

Vivendo em ambientes cercado de música e festividades, começou a tocar cavaquinho aos 14 anos, observando Mário Cavaquinho, e pouco depois aprendeu a tocar violão, estudando com Quincas Laranjeiras.

Donga, assim como os colegas, era assíduo frequentador da casa de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata. Foi exatamente no quintal de Tia Ciata e pelas cordas do violão de Donga que foi composto aquele que é hoje considerado o primeiro de todos os sambas. Pelo telefone foi escrita em parceria com Mauro de Almeida e gravada no ano de 1917.

Em 1919, monta com Pixinguinha e outros seis músicos o grupo Os oito batutas, que saiu em excursão pela Europa no ano de 1922. Nessa mesma década, Donga voltaria a fazer um giro pelo Velho continente, agora como integrante do grupo Carlito Jazz.

Ainda com Pixinguinha, criou os grupos Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que gravou para o seloParlophon nos anos 1920 e 1930, Guarda Velha e Diabos do Céu.

Em 1940, foi escolhido entre os mais representativos artistas nacionais pelo maestro Heitor Villa-Lobos para participar das gravações, a bordo do navio Uruguai, do disco Native Brazilian Music, do também maestro Leopold Stokowski. Além dele também participaram Cartola, Pixinguinha, João da Baiana e Zé Espinguela. Donga gravou nove composições em vários estilos (sambas, toadas, lundus e toques de macumba).

Já na segunda metade do século XX, Donga volta a se apresentar com o grupo Guarda Velha, a convite do cantor e radialista, Almirante.

Ficou viúvo em 1951, após a morte de sua primeira esposa Zaira Cavalcanti, mãe de sua única filha, Lígia. Dois anos depois, volta a casar-se, agora com Maria das Dores Santos Conceição (a Vó Maria) e vai morar no bairro de Aldeia Campista, para onde se retirara como oficial de justiça aposentado, local que se tornou ponto de encontro de grandes nomes da música popular brasileira, entre eles Pixinguinha, Xangô da Mangueira, Aniceto do Império, Walter Rosa, Jorginho Peçanha, Jacob do Bandolim, João da Baiana, Ney Lopes e os iniciantes Martinho da Vila, Clara Nunes, João Nogueira, entre outros.

Doente e quase cego, viveu seus últimos dias noRetiro dos Artistas, falecendo em 1974.

As criações mais conhecidas de Donga, além de Pelo telefone são Passarinho bateu asas, Bambo-bamba, Cantiga de festa, Macumba de Oxóssi, Macumba de Iansã, Seu Mané Luís e Ranchinho desfeito.

 

Fonte: Palmares

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