Cultura negra é celebrada em performance

Mais de 200 mulheres se juntaram em apresentação de parceria do Coralusp com Ilú Obá de Min

Canto, dança, batuque e alegria: tudo isso era possível ver, ouvir e sentir na apresentação do Coralusp em parceria com a ONG Ilú Obá de Min, ocorrida nesse sábado, 21, no auditório do Centro de Difusão Internacional (novo prédio localizado na frente da Escola de Comunicações e Artes, a ECA). A performance celebrava a cultura negra através do feminino e tem direção de Beth Amin, do Coralusp, e Beth Beli e Mazé Cintra, do Ilú. O show incluiu mais de 150 cantoras do coral, além de três solistas, seis dançarinas, cerca de 15 instrumentistas de bateria, e três regentes — todas mulheres.

O Ilú Obá de Min A performance feita só por mulheres e pensada para mostrar um pedaço da cultura africana não podia ser mais natural, já que o Ilú Obá de Min é um centro de difusão das culturas africanas e afro-brasileiras composta quase que totalmente por mulheres. Segundo Baby Amorim, produtora da ONG, “nós temos várias referências, mas fazemos um recorte na cultura Yorubá, da áfrica do oeste, que deixou seu legado no camdomblé”. O próprio nome da instituição significa “mãos femininas que tocam tambor para Xangô”.

As dançarinas do Ilú Obá de Min, que representam as orixás femininas e, ao fundo, as mulheres do coral (Foto: Sofia Mendes)

As dançarinas do Ilú Obá de Min, que representam as orixás femininas e, ao fundo, as mulheres do coral (Foto: Sofia Mendes)

Em pouco mais de uma hora de performance, foram cantadas e dançadas cantigas para as Yabás (as orixás femininas) e tributos a personalidades negras, como Elza Soares, a homenageada do bloco de carnaval do Ilú desse ano. As dançarinas, cada uma delas representando uma orixá, e a bateria, com sua percussão forte e precisa, abrilhantaram ainda mais o espetáculo.

Parceria e ato político         

 A colaboração surgiu quando Beth Amin, técnica vocal do Coralusp, foi procurada por cantoras da ONG que precisavam de auxílio com a voz. Amin aceitou, mas, em contrapartida, propôs um projeto que juntasse as duas organizações. “A minha ideia foi cantar só pras orixás mulheres, o que é uma maneira da gente movimentar uma energia muito feminina”, diz a técnica vocal.

A apresentação só com mulheres acaba adquirindo um significado a mais quando se considera o contexto político do país, em que, com o novo governo, nenhum ministério é chefiado por uma mulher. “A ideia não era fazer nada de caráter político, mas acaba sendo porque, no nosso momento atual, as mulheres estão sofrendo muitos ataques”, afirma Amin.

Produção e obstáculos

 Durante os seis ensaios do grupos, iniciados em abril, as cantoras de todos os tipos e graus de experiência aprenderam as músicas e alguns elementos da cultura africana, como uma aula de amarração de turbante, além do seu significado para a mulher negra. Mas dar conta de tanta gente ao mesmo tempo se mostrou um desafio. Equilibrar o coro com a bateria requereu uma amplificação para as vozes. Além disso, também foi difícil pensar numa formação que satisfizesse todas.

Mesmo com os obstáculos, Beth Amin garante que o resultado foi satisfatório. “A proposta é mais juntar energia positiva do que necessariamente fazer um trabalho de excelência artística”, ela afirma.  Mesmo assim, o amadorismo do grupo não representou nenhum prejuízo para o público, que no final até foi convidado para cantar junto com as cantoras.

Próximas apresentações     

O grupo contará com mais duas apresentações, uma dia 5 de junho, às 14h, na Avenida Paulista e a outra dia 12 de junho, também às 14h, no vale do Anhangabaú. E não para por aí, já que o Coralusp e o Ilú Obá de Min planejam repetir essa parceria todo ano, logo após o carnaval. Quem agradece é o público.

 

Fonte: Jornal do Campus

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