Livro conta a história de famoso terreiro de candomblé nagô do Brasil

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Livro mostra importância, respeito e reconhecimento que o cargo de equede tem dentro do candomblé

Livro mostra importância, respeito e reconhecimento que o cargo de equede tem dentro do candomblé Dadá Jaques/Editora Barabô

O Ecos da Terra – Gênero e Sustentabilidade da terça-feira (5) homenageia o terreiro mais famoso de candomblê nagô do Brasil, o Terreiro Casa Branca, na Bahia. No livro “Equede – A Mãe de Todos” somos apresentados a história de vida da mãe Sinha. Um testemunho de Gersonice Azevedo Brandão, a Equede Sinha, que como diz o título da obra é “a mãe de todos e todas” na casa.

“Eu acredito que a gente é escolhido para ser mãe dos filhos que a gente inicia. E a partir do momento que você é escolhida por um orixá para o cargo de equede, você é equede em qualquer lugar que você chega. O orixá da equede também escolhe a sua mãe. Existe uma hierarquia e é preciso respeitar o mais velho”, explica a mãe de santo.

Sobre o respeito e a importância ao candomblé, Mãe Sinha destaca os direitos e deveres da religião às prévias do lançamento do livro “Equede – A Mãe de Todos” no RJ – ainda sem data definida. “Nossa religião é cuidar da natureza e do meio ambiente. Eu costumo dizer que nós somos os primeiros ambientalistas do mundo pois essa é nossa função dentro do terreiro. Mas já sofremos muito preconceito sim”.

Fica a dica para uma leitura que ensina um pouco da cultura afro-brasileira e muito da história do país. Clique no player acima para ouvir a entrevista completa.

O Ecos da Terra – Gênero e Sustentabilidade vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 10h às 11h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro – 800 kHz com apresentação de Denise Viola. Participe do programa ao vivo pelo telefone (21) 2117-6922 ou mande mensagem através do Whatsapp (21) 99864-0238

 

Fonte: EBC Rádios

Ator Danny Glover visita terreiro de candomblé em Planaltina

Casado com brasileira professora da UnB, ator de “Máquina Mortífera” e “Predador 2” conheceu um pouco da cultura negra e experimentou comida baiana

Conhecido por seus papéis em “Máquina Mortífera”,  “Predador 2”, “Jogos Mortais” e tantos outros, o ator americano Danny Glover, 69 anos, passou pela capital federal nessa segunda-feira (20/6). Durante o dia, ele visitou a presidente afastada Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada para mostrar apoio à petista  — Glover também já se manifestou favorável às políticas do ex-presidente Lula.

Em seguida, ele esteve no terreiro de candomblé Ilê Odé Axé Opô Inlé (que significa “A Casa do Caçador”), que funciona desde 1993 em Planaltina. Casado com a brasileira Eliane Cavalleiro, ex-professora da Universidade de Brasília (UnB), que é filha de santo do terreiro, Danny foi à convite da mulher conhecer a cultura, religião, gastronomia e riquezas da cultura negra.

“Ele veio à noite e conheceu o acarajé, comidas baianas, adorou. Também ficou sabendo que seu orixá é Oxóssi, da prosperidade e da fartura. Então, entregamos um colar de miçangas confeccionando especialmente para ele e também recebeu um toque especial através dos atabaques. Fizemos a dança do orixá dele, que até então ele não conhecia, e após o jantar o grupo de pé Omóayó, composto por pessoas da comunidade, fez uma apresentação”, detalha o sacerdote guardião do terreiro, Pai Aurélio de Odé.

O norte-americano teria se emocionado com a sintonia das crianças e dos idosos durante a apresentação. De acordo com o Pai Aurélio de Odé, mesmo ainda em recuperação de uma cirurgia no joelho, Glover balançava as pernas e disse que o som era “arrepiante”.

Nesta terça-feira (21/6), a esposa do ator enviou uma nota de agradecimento em nome do marido, onde fez questão de comentar o carinho da comunidade.

“Ele é muito humano, atencioso e está envolvido na luta contra o preconceito, na luta pela diversidade”, disse  Pai Aurélio de Odé.

Chaya Dechem/ Divulgação

 

Fonte: Metrópoles

Mãe Menininha do Gantois será tema da Vai Vai no Carnaval do ano que vem

Mãe Menininha do Gantois é homenageada no Carnaval 2017

Mãe Menininha do Gantois é homenageada no Carnaval 2017 / Divulgação

A Mãe de Santo baiana Menininha do Gantois será a homenageada da Escola de Samba Vai Vai no carnaval paulistano do ano que vem. A escolha foi feita para marcar os 30 anos de morte da matriarca do candomblé, que representa a cultura e religiosidade de matriz africana na Bahia

Com enredo já definido – No Xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu. Menininha Mãe da Bahia, Ialorixá do Brasil – e uma sinopse do desfile, representantes da escola foram à Bahia pedir oficialmente autorização à Mãe Carmem, filha da homenageada e atual ialorixá do Terreiro do Gantois, localizado no bairro da Federação, em Salvador.

“Este ano, exatamente por causa do aniversário de morte de Mãe Menininha, veio essa vontade do nosso presidente de fazer a homenagem a essa grande figura, para abordar todo o legado de amor, de paz, de união, de religiosidade que ela deixou. Dessa forma, fomos consultar a Mãe Carmem, lá no Gantois, e felizmente obtivemos isso [a autorização]. A nossa intenção é fazer um grande xirê [palavra iorubá que significa dança e evocação aos orixás] no palco do Anhembi e contar a trajetória de doçura dessa ialorixá mais famosa do mundo”, disse à Agência Brasil a diretora de Carnaval da Vai Vai, Janaína Decarli.

Janaína contou que a ideia de homenagear a matriarca baiana surgiu em um sonho do presidente da escola, Darli Silva (Neguitão). Segundo a diretora, Silva sonhou que a Vai Vai deveria homenagear a Mãe Menininha e propôs aos demais membros da agremiação, que acataram a sugestão.

“Vamos levar para a avenida o legado de amor, a doçura, a história de vida com os orixás, em vida e depois da morte. Quando se lembra de Mãe Menininha, lembra-se de amor. A gente vai falar dela, pelas veias do candomblé, por meio dos orixás. Vamos trazer essa bandeira de homenagem ao candomblé e às religiões de matriz africana. Vamos passar por cima de todo o preconceito e intolerância que existe contra algumas religiões, contra orientação sexual, de raça”, acrescentou a representante.

Integrantes da Vai Vai pedem autorização para homenagear Mãe Menininha

Integrantes da Vai Vai pedem autorização para homenagear Mãe Menininha / Divulgação

A proposta da homenagem foi levada diretamente aos envolvidos com o Terreiro do Gantois e aos familiares da Mãe Menininha, em Salvador. A filha caçula da homenageada, Mãe Carmem, é a atual ialorixá do terreiro. Hoje, com 88 anos, ela contou que recebeu com alegria a notícia do tema do desfile da Vai Vai. Mas o “sim” só pôde ser dado após uma consulta aos orixás.

“Depois que consultei os orixás, eles aceitaram que fizessem [a homenagem]. Eu fiquei muito feliz e agradecida, porque é uma grande homenagem a mamãe, então só tenho a agradecer. Por que não aceitar isso, com o consentimento dos orixás? Vai sair muita coisa do candomblé: muita cultura, de tudo um pouco, vai ser uma coisa linda. Eu não vou participar do desfile porque a homenagem será para mamãe, mas sei que vai ser muito bonito”, disse a mãe de santo.

Sobre a importância de combater a intolerância religiosa, a ialorixá é taxativa: “nem Deus e nem o Diabo quer [a intolerância]”.

“Eu fui criada totalmente no candomblé, minha mãe era do candomblé, mas tivemos muita vivência católica, por exemplo. Ela queria que fôssemos batizados e fizéssemos a primeira comunhão na Igreja Católica. Então, dentro do candomblé, não se proíbe nada que é bom. Não há justificativa [para a intolerância religiosa]. Por que essa intolerância? Só porque é de preto e pobre? Não pode ser”, afirmou a filha de Mãe Menininha, que ressalta a importância de mostrar o candomblé como uma religião que prega o bem e a igualdade.

Para o diretor do Centro de Estudos Afro Orientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor Lívio Sansone, ligado à área de antropologia,  a importância de Mãe Menininha extrapola a religiosidade e reflete a luta que ela mesma teve em defesa do candomblé.

“O carnaval é feito de festa e celebração e é bom que sejam celebradas também as pessoas que tiveram o grande mérito de preservar as tradições africanas no Brasil e aprenderam a apresentá-la de maneira interessante a um público muito amplo. Mãe Menininha teve esse grande mérito, era uma mensageira entre dois mundos: o mundo da casa de santo e o mundo da sociedade mais ampla. Ela foi visitada por presidentes, políticos, sempre por pessoas importantes. Ela foi determinante na luta para tirar o candomblé da marginalidade e transformá-lo em uma das tantas religiões do Brasil”, disse o especialista.

Na opinião de Sansone, a escolha da homenageada é justa e merecida, inclusive como forma de mostrar à população a importância do respeito à religiosidade. Se o carnaval tem que homenagear alguém, nada melhor do que Mãe Menininha, sobretudo neste momento em que é necessário lutar para que a tolerância religiosa seja uma prática, não somente um lema. Ela é um símbolo grande e é justo que seja escolhida”, acrescentou.

Em 1976, dez anos antes de morrer, Mãe Menininha do Gantois foi homenageada pela Escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel. Ela nasceu em Salvador, em 1894, e morreu em 1986, aos 92 anos, de causas naturais. Descendente de pessoas trazidas da Nigéria para serem escravizadas, a mãe de santo foi escolhida para ser ialorixá do Terreiro da avó, ainda criança. Passou, oficialmente, a matriarca do local, aos 28 anos.

Religiões afro-brasileiras sob um olhar poético

Os rituais e as festas são uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro. Desde que passei a ser blogueira do SZRD, a inquietude tomou conta da rotina e virei uma pesquisadora contumaz da nossa história cultural.

Na última semana, tive o privilégio de manusear uma das obras de Cecília Meireles (1901-1964) de 1983, pela Funarte. O título “Batuque, samba e macumba – estudos de gesto e de ritmo” é uma síntese da jornalista, pintora, escritora e professora brasileira que retratou o período de 1926 a 1934 com ilustrações e textos do Carnaval e costumes brasileiros.

Cecília Meireles. Foto: Reprodução

Todas as ilustrações do livro, pintadas pela escritora, foram expostas em 1933. À época, a imprensa noticiou que aquela exposição fixaria os ritmos do samba, as figuras típicas da baiana e do bamba.

Cecília, que também era poetisa, detalha o que é o xale retangular de um e meio a dois metros de comprimento, com uma largura de uns 80 centímetros, atravessado de listas duradouras, entremeadas de algum fio metálico, ou apenas riscado de azul e branco. Trata-se do autêntico pano da “Costa” (da costa de África). Usado pelas baianas em todos os segmentos.

Outro trecho, minuciosamente transcrito, sob o olhar de nossa protagonista. “No canzol estão, pois, os santos com os seus emblemas: Xangô, Ogum, Oxossi, com fitas vermelhas. Machados, espadas, flechas, etc – uma vez que tudo os distingue: cores, objetos e substâncias. Iemanjá, por exemplo, tem como emblemas as rosas brancas, a estrela-do-mar, os búzios, os seixos rolados, miçangas brancas ou azuis, fitas da mesma cor. Se a Umbanda é o terreiro físico, onde se desenvolve a macumba, um outro terreiro existe, na imaginação do negro, em plano astral, correspondente àquele, e onde repercute o bem e o mal que nele se pratica, despertando assim as forças sobrenaturais que passam a agir segundo o poder dos feiticeiros, e à sua vontade – sempre que a sua vontade for justa. É o terreiro da Aruanda”.

Religiões afro-brasileiras sob uma olhar poético. Foto: Reprodução

Os olhos cintilam enquanto folheio e viajo nas pinturas e linhas da autora. A forma lírica e pueril como define nossos costumes é sedutor. Eis outra parte da narrativa. “A macumba em seu aspecto festivo tem uma doçura selvagem, um encantamento profundo, de onde se exala o torpor misterioso e a invencível atração da selva africana, povoada de deuses e demônios, tão autênticos como a água dos rios, os troncos das árvores e as feras que passeiam, sem dizerem aos homens de onde vêm nem quem são. Traduzem, além disso, a saudade do negro pela choça dos seus antepassados, o banzo da ausência sem volta, a melancolia da vida que o Atlântico partiu – e que o bom brasileiro acolheu em sua alma com ternura, para consolar o antigo escravo e antiga ama, que lhe encheram a infância de lendas e cantigas e deixaram seu sangue na terra que plantaram – seu coração nos berços que moveram e a última esperança num mundo mais feliz, na Aruanda do sonho, que a música e o fumo da macumba permitem às vezes entrever”.

Todas as religiões que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, ainda na condição de escravos, são consideradas afro-brasileiras. A lista passa de 15 costumes e rituais africanos, mas a predominância em todos os estados brasileiros está no Candomblé, Quimbanda e Umbanda.

O termo candomblé é uma junção do termo quimbundo candombe (dança com atabaques) com o termo iorubá ilé ou ilê (casa): ou seja, “casa da dança com atabaques”. É uma religião derivada da natureza africana onde se cultuam os Orixás e voduns. Mantêm mais de três milhões de seguidores em todo o mundo. A ligação dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas, nomeavam um zelador de santo também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.

Religiões afro-brasileiras sob uma olhar poético. Foto: Reprodução

A Quimbanda é um conceito religioso de origem afro-brasileira, presente na Umbanda, ainda controverso quanto a sua real definição na atualidade. Por vezes, é classificada como uma religião autônoma. Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, também conhecidos como “Povo da Rua” e abrangem os mensageiros ou guardiões Exus e Pomba-gira. Estas entidades trabalham basicamente para o desenvolvimento espiritual das pessoas, com o intuito da evolução, além de proteção de seu médium. Como são as entidades mais próximas à faixa vibratória dos encarnados, apresentam muitas semelhanças com os humanos.

A Umbanda, de origem brasileira, sintetiza vários elementos das religiões africanas e cristãs, porém sem ser definida por eles. Oriunda da língua quimbunda de Angola e significa “magia”, “arte de curar”. Formada no início do século XX, no sudeste do Brasil, é considerada uma religião brasileira por excelência, com um sincretismo que combina o catolicismo, a tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena. O dia 15 de novembro, já considerado como a data do surgimento da Umbanda pelos seus adeptos, foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 através da Lei 12.644.

Durante a III Semana de Folclore, em 1950, na cidade de Porto Alegre/RS, Cecília Meireles declarou a respeito da mostra: “Eu não vim aqui, propriamente, como uma especialista na matéria. Eu vim como uma pessoa que, cansada de buscar caminhos para que os homens se entendam em outros setores de atividades intelectuais, procura, no folclore, talvez um caminho mais ameno, talvez um caminho mais possível. (…) encontrem no folclore a solução para muitos de seus problemas pela compreensão das suas origens, da sua identidade, daquilo que neles é transitório e também aquilo eu neles é permanente”.

Muito obrigada Cecília Meireles. Sua obra, genuinamente brasileira, fortalece nossa origem e nossa cultura. Motumbá!

 

Fonte: SRZD

Mãe Stella de Oxóssi completa 91 anos

Ontem (02), Maria Stella de Azevedo Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, completou 91 anos de idade. Mãe Stella é uma das mais importantes líderes espirituais e defensoras da igualdade racial e do respeito mútuo entre as religiões.

Iniciada no Candomblé em 1939, no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá (Salvador – BA), pela Iyalorixá Mãe Senhora (Oxum Muiwá), tendo por ela todas as obrigações completadas, ocupou o posto de Kolabá, assim designada no ano de 1964. Foi eleita Iyalorixá (Mãe de Santo), em 1976, sucedendo Mãe Ondina (Iwin Tonan).

Após visitar a Nigéria, em 1981, tornou-se a anfitriã da II Conferência Mundial de Tradição dos Orixá e Cultura, realizada em Salvador, dois anos depois. Participou ainda da terceira edição, ocorrida em Nova York (EUA), em 1986. No ano seguinte, Em 1987, Mãe Stella integrou a comitiva organizada por Pierre Verger para a comemoração da Semana Brasileira na República do Benin, na África. Sua presença mereceu destaque e ela foi recebida com honras de líder religiosa.

Em 1999, Mãe Stella, após anos de luta, conseguiu o tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC).

Redigiu diversos artigos em jornais e revistas sobre as questões atinentes às comunidades de terreiro; foi convidada a participar em congressos acadêmicos voltados à questão da religiosidade. Recebeu vários prêmios de destaque, como a Medalha de Ordem ao Mérito da Cultura, do MinC, na classe Comendador, no ano de 1999. Publicou dois livros: Òwe – Provérbios (2007) e Epé Laiyé – Terra Viva (2009).

Para Cida Abreu, presidenta da Fundação Cultural Palmares (FCP), “a personificação de Mãe Stella simboliza a necessidade de afirmação e a resistência da população negra brasileira”.

A FCP, lançou em setembro de 2015, o selo e o carimbo personalizados em comemoração aos 90 anos de Mãe Stella de Oxóssi. A solenidade ocorreu no próprio Ilê Axé Opô Afonjá, no Cabula em Salvador. A iniciativa, realizada em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), fez parte de uma ação estratégica contra a intolerância religiosa.

“A homenagem significou o reconhecimento à força da resistência de uma matriarca, defensora da igualdade racial; do respeito mútuo entre religiões; da preservação da oralidade da religião de matriz africana, como patrimônio cultural ancestral afro-brasileiro”, enfatizou Cida Abreu.

Na ocasião, Mãe Stella pediu aos presentes que não permitisse que “o mundo em que vivemos se transforme, sem retorno, em uma sociedade de poetas mortos”.

Ainda em 2015, a Iyalorixá foi nomeada membro do Conselho Curador da Fundação Cultural Palmares, órgão colegiado presidido pela presidenta da Fundação Palmares e composto por dez membros nomeados pelo Ministro da Cultura, Juca Ferreira, para um mandato de três anos, com a finalidade de formular e propor metas norteadoras para o Sistema e o Fundo Nacional de Cultura.

 

Fonte: Palmares

Em novo álbum, Beyoncé desperta para questão racial

A cantora estadunidense Beyoncé causou rebuliço na internet com sua mais nova produção, o álbum-filme Lemonade, lançado neste sábado (23). Desde 2013, quando vazou um álbum visual sem divulgação prévia, a cantora vem fazendo de cada lançamento, um grande evento. Desta vez, seu sexto álbum de estúdio alcançou status de arte entre alguns críticos e público fiel ao apresentar-se de forma mais conceitual e, além disso, trazer um teor político, colocando em pauta questões acerca da representatividade de negras e negros nos Estados Unidos e no mundo.

Os versos que declama no vídeo como “I tried to change, closed my mouth more/ Tried to be soft, prettier/ Less…awake” (“Eu tentei mudar, me calar mais/ tentei ser mais branda, mais bonita/menos… desperta”, em tradução livre) já revelam uma Beyoncé que “acordou” para a questão racial e vem afirmando cada vez explicitamente sua origem negra. Em Lemonade, suas referências vão desde Billie Holliday, Nina Simone e Malcom X, às mães de jovens como Trayvon Martin e Michael Brown, assassinados pela polícia estadunidense em Ferguson.

Opinião

Mas essa auto-afirmação também gerou críticas. Em janeiro, quando a cantora apresentou a canção “Formation” durante o intervalo da final do Superbowl, horário mais nobre da televisão nos EUA, ela foi duramente criticada. No palco do evento, música, coreografia e figurinos carregavam uma série de referências à história do movimento negro, como os Panteras Negras, e faziam alusões à recente onda de violência no país.

Para a rapper brasileira Yzalú, “colocar um pessoal vestido de Black Panthers no Superbowl, onde a maioria do público é branca, é um tapa na cara”. Segundo ela, artistas como Beyoncé ou Rihanna fortalecem a cultura negra, mesmo dentro de uma forte lógica mercadológica. “Houve um momento que você não poderia falar que você era negro, não poderia dizer que você tem orgulho de ser negro. Hoje, esses artistas vem dando o recado: ‘nós nos orgulhamos, nós temos uma cultura. E essa cultura está viva'”, disse.

Já a tese de que o último movimento da cantora em direção às denúncias raciais seriam uma forma de apropriação das lutas é refutada por Djamila Ribeiro, mestre em Filosofia Política e feminista negra. “As críticas da militância aconteceu mais no Brasil, onde ainda temos uma visão muito ortodoxa de uma esquerda que ainda não entendeu a questão racial. A partir do momento que ela [Beyoncé] é negra, ela não está se apropriando, mas faz parte desta história de luta”, argumentou.

Segundo ela, muitos cobram uma postura de militante de uma cantora que, na verdade, é uma artista que está inserida em uma lógica capitalista. “Mas qual artista que não está? Então eles fuzilam a Beyoncé e ninguém fala do [Kendrick] Lamar, que também está e é garoto propaganda da Calvin Klein”, questiona.

Neste caso, Djamila acredita que a questão de representatividade se sobressai à indústria cultural. Ela pontua que “independente de ser uma mulher rica, ela é uma mulher negra” e sua imagem é de grande impacto para meninas e jovens negras que se sentem representadas em contextos de pouca presença de negros na mídia, sobretudo no Brasil.

Mesmo assim, a pesquisadora pondera: “a representatividade tem um limite, isso é inegável. Não basta ser negro ou negra e reproduzir lógica de opressão. Mas isso não quer dizer que ela não seja importante. E reconhecer os limites é diferente de ignorar sua importância”, disse. Ela exemplifica com o voto da deputada Tia Eron (PRB-BA) que votou a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados. “Não quer dizer que não é importante ter pessoas negras nos espaços de poder. Mas também não basta ser negra e corroborar com toda aquela lógica que nos oprimem. Mas no caso de Beyoncé, ela é uma artista que resolveu se posicionar. E eu acho importantíssimo quando o artista questiona seu tempo, para além de entreter”, afirma.

O mesmo afirma Yzalú, para quem a cantora estadunidense “chegou em um patamar” em que pode se desvencilhar dos desejos da indústria para falar do empoderamento negro e feminino. “E é extremamente propício para o momento que a sociedade vive nos EUA e também no Brasil, que consome muita música americana”, afirmou.

“Se ela usou toda essa influência para fazer este trabalho… ótimo. A gente precisa de representatividade e ela é uma figura forte para a mulher negra, que vem a cada dia nadando contra a maré para levantar sua voz. Uma mulher negra como a Beyoncé, a Rihanna e outros nomes simplesmente ascedem uma chama de esperança para gente. Precisamos de referências. Quanto mais a Karol Conká, da Flora Mattos, da Tassia Reis, Preta Rara, Luana Hensen, para mim é bom também. Isso é o que chamam de sororidade, né? Uma vem e puxa a outra. É cada vez mais importante nós mulheres negras estarmos coligadas, conectadas”, disse a rapper.

 

Fonte: Caros Amigos

Mestres de bateria vão participar de homenagem a mestre do candomblé

Foto (Foto: Arquivo)
Foto | Arquivo

Quatro Mestres do Carnaval Irão Homenagear o Mestre do Candomblé.

Quatro Grandes Mestres do Carnaval, Andrezinho, Ciça, Odilon e Marçalzinho irão fazer parte da Homenagem ao Ogan Bangbala na EXPO RELIGIÃO.

EXPO RELIGIÃO é uma feira Inter-religiosa que reúne vários segmentos religiosos. No último dia será dedicado as religiões de Matrizes Africanas. Como dia 10 é dia dos pais a homenagem será ao Ogan BangBala e os quatro mestres do carnaval serão responsáveis por esta homenagem, tocando juntos para o Mestre dos Mestres.

Serviço:

EXPO RELIGIÃO 2014

Local: Estação da Leopoldina

Endereço: Avenida Francisco Bicalho s/n – Centro – Rio de Janeiro

De 08 a 10 de Agosto 2014

Horário: 10h às 19h

Entrada: 1 KG de Alimento não perecível – Cada kg receberá 1 cupom para concorrer a 1 Moto 0KM quanto mais quilos mais chances de ganhar.

Telefone: 21-2437.7466

http://www.exporeligiao.com.br

Fonte: O Globo