Onde o tambor bate mais forte

No coração da Vila Madalena, Jongo Reverendo recorre à matriz africana para promover shows e atividades culturais

Jongo

Há um espaço em São Paulo onde o tambor bate mais forte e convida à celebração, à festa, ao congraçamento. O Jongo Reverendo, no coração da Vila Madalena, buscou na matriz africana a inspiração para se tornar uma casa que alia shows e atividades culturais.

No amplo espaço de 300 metros, cabe do jongo tradicional, remanescente quilombola, a espetáculos de samba, rap e forró. “Nosso universo é bem rico e temos muita coisa a trabalhar”, diz a empresária Adriana Carvalhaes. “Sempre fui ligada à cultura popular, sou publicitária, trabalhei no Bar Brahma, tive uma experiência na escola de samba Mangueira relacionada a projetos de marketing. Sou preta… (risos)”.

Adriana cresceu entre aulas de balé e piano, mas acabou por se encontrar nas origens, no trabalho com a matriz africana. No Jongo Reverendo, busca a diversidade. “Aqui na Vila Madalena temos uma demanda grande para um único público, pessoal voltado à economia criativa, da PUC e da USP. Mas também quero gente que consiga ver essa cultura afro, a celebração de tambores”, diz. A seguir, trechos da entrevista de Adriana a CartaCapital.

CartaCapital: Qual o modelo que Jongo Reverendo segue?

Adriana Carvalhaes: A casa surge dentro da matriz africana, com tudo o que se pode receber como legado no aspecto de cultura, música. Podemos falar que aqui cabe desde a apresentação de um jongo tradicional, que vive em Guaratinguetá, remanescente quilombola, até uma festa como a Pilantragi, de música brasileira, que atrai um público mais jovem, mais desligado da cultura popular. Dentro desse espectro vêm o forró, o rap, as rodas de samba. Nosso universo é rico e temos muita coisa a trabalhar.

CC: Que público a casa quer cativar?

AC: Queremos diversidade, não só as turmas de universitários. Buscamos pessoas que consigam ver que existe uma celebração de tambores, o que pode criar uma identificação positiva para congregar tudo o que temos de influência da matriz africana, tudo o que foi transformado aqui, como as aulas de capoeira. Assim como o forró e o jongo, queremos colocar luz nessa cultura ainda desconhecida. Nossa base forte é o samba, não há outra expressão de cultura popular tão conhecida. Em relação ao jongo, perdemos a tradição por ser passado de forma oral, difícil de disseminar. Quando fui estudar o assunto, vi que há três funções básicas, a sagrada, ritualística, com rezas para os orixás, outra ligada à maçonaria, com trocas de informação, daí haver tantos pontos de jongo enigmáticos, e a função em que me agarrei, a da diversão. O momento do batuque era o de alívio para os escravos. A hora de se expressar, cantar, congregar.

CC: Como é a programação do Jongo Reverendo?

AC: Às quintas estamos com a temporada do grupo Sambeto, com o projeto Vozes do Morro, em formato de show. Todo mundo dança muito. Às sextas entramos com formato variado, com base em roda de samba, Os Batuqueiros e Sua Gente. Na sequência, na sexta seguinte, entra Batuque Bantu, roda de samba com Ivisson Pessoa, uma pegada bem ancestral, com influências da nação bantu nagô. Na terceira sexta volta o Sambeto com o instrumental Na Boca do Povo, um projeto um pouco mais pop. A quarta sexta do mês deverá ter samba de quadra, de terreiro, com compositores. O sábado à tarde vamos trabalhar com o Samba da Feira, grupo da Zona Norte que faz samba há 12 anos e lota uma feira de lá. São 11 meninos na roda. No dia 2 de agosto, domingo, vamos estrear o projeto La Rumba no Jongo, do cubano Jorge Ceruto.

 Fonte: Carta Capital

Galo que hoje canta, ainda ontem era pinto: uma análise sobre o processo de formação religiosa no candomblé e na umbanda.

Por Cíntia Raymundo

Orelha não passa a cabeça diz os antigos. As religiões de matriz afrobrasileiras se caracterizam por um complexo sistema hierárquico meritório, temporal e, principlamente, predeterminado.

O candomblé possuí um sistema classificatório de formação religiosa: abiã, yawô e ebômi.

Abiã é o adepto na fase inicial dos ritos iniciáticos. Ele aprenderá o que for permitido. Será integrado a comunidade e terá tempo para se certificar de suas decisões. Muitos, por determinação do orixá, continuam abiã por muito anos. O yawô é aquele com menos de sete anos de iniciação, onde o neófito é consagrado ao Orixá. Assim definiu o etnólogo Herskovits

O iniciado é agora feito, um membro júnior habilitado do grupo de candomblé. Como tal, o novo iaô tem a oportunidade, não concedida a estranhos, de aprender o trabalho dos deuses e participar do culto público..

Os ebômis são os iniciados que completaram a obrigação de sete anos. São consideradas pessoas a quem deve respeito e a quem sempre devem ser ouvidas. Estruturam o que o antropólogo Vivaldo da Costa Lima denominou “princípio da senioridade”. Um complexa rede socioreligiosa construída com tempo, abnegação e merecimento. A partir da obrigação de sete anos, o ebômi se torna apto a assumir cargos dentro do axé. O cargo de santo é uma atribuíção determinada pelo odu e pelo Orixá. Pré determinado, é ancestral. Atribuíção de cargo por motivos pessoais sempre ocasiona, com o passar do tempo, brigas e rupturas. O orixá sempre faz valer a sua vontade.

A relação entre o candomblecista e a divindade é fundamentada através das “obrigações”, liturgias pós iniciação que se denomina respectivamente: obrigação de 1 ano, obrigação de 3 anos e obrigação de 7 anos. Elas não necessariamente obedecem ao tempo decorrido. Uma pessoa com vinte anos de iniciada que não completou o ciclo de obrigação de sete anos não será considerada ebômi.Assim como um pessoa com seis ou menos anos jamais poderá passar pela obrigação de 7 anos.Os antigos preservaram e perpetuaram essa tradição de formação religiosa. Talvez a dinâmica do tráfico escravista possa somar as explicações para este sistema religioso. Muitos escravos poderiam ser iniciados e , posteriormente, vendidos, rompendo alianças religiosas. Para assegurar uma continuidade e preservar saberes o sistema de obrigações cíclicas se tornou eficiente para candomblé. Permitiu criar parâmetros de legitimidade e reforçar o príncipio de senioridade.

Para os antigos,nenhuma pessoa pode se declarar babalorixá ou yalorixá sem passar pelo ciclo de obrigações e sem receber o decá, símbolo certificador que o adepto possuí odú e está autorizado pelos Orixás a abrir uma casa de santo.

Na década de 30, o folclorista Édison Carneiro analisou casos de pessoas que se tornavam zeladores sem obedecer a uma tradição de candomblé. Muitos eram candomblés de caboclos onde o encantado assumia a responsabilidade sobre o preparo religioso do sacerdote. Era, na época,um novo segmento, que embora fosse muito questinado, existe e possuí muitos adeptos. Atualmente, muitos desses candomblés adotam o sistema de obrigações ciclícas.

O processo de formação religiosa na umbanda é caracterizado pela doutrinação. Médium e entidade seguem a doutrina de determinada casa. Há tradições de umbanda direcionada por preto velho, com forte influência africanista. Outras seguem a tradição dos caboclos, marcados pela pajelança e jurema e outros seguem uma orientação espírita e/ou esotérica. A umbanda possuí rituais de senioridade: camarinhas, firmezas, batismos e amacis. Muitas obedecem ao sistema de sete anos, com rituais ciclicos e específicos de cada tradição. Importante ressaltar que o determinante para a Umbanda são as entidades. Elas são as donas de gongá, determinam o caminho da espiritualidade do médium e a orientação da casa religiosa. Não há sacerdócio na Umbanda sem Entidade Espiritual. O médium a qual a entidade determina a abertura de uma casa deve ser preparado, passar por obrigações, saber preparar defesas, familirizar com os códigos de santo. Abrir uma casa de umbanda sem preparo signica lidar com o desconhecido, ocasionando danos a vida dos sacerdotes e de terceiros.

O mais importante tanto na umbanda e no candomblé é saber que sacerdócio é ancestralidade, é comprometimento e abnegação.O candomblé chamará de odú e alguns umbandistas chamará de missão.Como diz o ditado “Galo que hoje canta, ainda ontem era pinto”, ou seja é preciso aprender para ensinar.

Cinco anos depois, avanços do Estatuto da Igualdade Racial são controversos

Maioria das normas não é obrigatória e algumas penas são mais brandas e até inconstitucionais, afirmam especialistas. Mas outros veem efeitos positivos, que se refletem sobretudo na política de cotas.

Estatuto-Igualdade-Racial
A principal crítica ao Estatuto é que a maioria das normas não é obrigatória

O Estatuto da Igualdade Racial teve impactos controversos no combate ao racismo no Brasil. Entre os especialistas ouvidos pela DW Brasil, há quem defenda a sua importância, mas há também quem o considere prejudicial para a luta do movimento negro no país.

Composto por 65 artigos, o Estatuto trata de políticas de igualdade e afirmação nas áreas da educação, cultura, lazer, saúde e trabalho, além da defesa de direitos das comunidades quilombolas e dos adeptos de religiões de matrizes africanas. A publicação da lei completa cinco anos nesta terça-feira 21. Também nesta semana, na quarta-feira, a ONU lança oficialmente no Brasil a Década Internacional dos Afrodescendentes, com o objetivo de propor medidas concretas para combater o racismo e a desigualdade racial em todos os países.

Para o ativista e diretor executivo da ONG Educafro, Frei David, este é um momento importante para se refletir sobre as políticas raciais públicas, entre elas o Estatuto. Segundo ele, o conjunto de leis significou um retrocesso. “Foi um tiro no pé bem grave”, afirma. Ele cita como exemplo o Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela São Paulo Fashion Week com o Ministério Público Estadual, um ano antes da aprovação da lei, estabelecendo cotas de 10% para modelos negros. “Quando saiu o Estatuto, nós exigimos que eles ampliassem para 20%, já que 35% da população de São Paulo é negra. Mas eles disseram que não, porque o estatuto é autorizativo, não determinativo. Ou seja, faz quem quer. E o MP deu razão a eles. Quanto não havia o Estatuto, o MP podia obrigar, depois acabou essa possibilidade”, exemplifica Frei David.

A principal crítica ao Estatuto é que a maioria das normas não é obrigatória e não prevê penas para o seu descumprimento – com exceção de leis já existentes, que foram incorporadas. “A proposta original foi desfigurada. Isso comprometeu muito a eficácia do Estatuto”, afirma Frei David. Para ele, o Estatuto reflete o pequeno poder político dos negros no Congresso Nacional, onde eles são menos de 2%. Penas mais brandas O promotor de Justiça e professor de Direito Penal Christiano Jorge Santos, da PUC-SP, concorda que o Estatuto deixou a desejar. “Em relação ao acesso à Justiça são normas programáticas, que não resolveram nada. Não tem nada de concreto. Não houve nenhuma mudança na prática por conta do Estatuto”, diz. Ele lembra que o crime de racismo já está previsto desde a Constituição de 1988 como inafiançável e imprescritível, com pena de reclusão. A lei 7716, de 1989, regulamentou esse crime. Santos ressalta ainda que houve mudanças para pior na área penal, com alterações que, em certos casos, são contraditórias com a legislação em vigor e permitem penas menores. Ele cita como exemplo o artigo 60, que trata do racismo no local de trabalho. “Há uma parte inconstitucional porque a Constituição prevê reclusão e, no Estatuto, há uma punição com prestação de serviços à comunidade, uma pena menor”, argumenta. “Foi muito mal redigido. Ele apresentou algumas alterações que atrapalharam.” Outra fragilidade do Estatuto é que não há previsão de recursos para as políticas afirmativas e para o monitoramento delas, o que torna difícil a avaliação dos avanços e também dos gargalos. “Defendo o Fundo Nacional de Combate ao Racismo. Mas, sem recursos e sem acompanhamento, o Estatuto vira uma letra morta”, afirma o professor de sociologia Ivair dos Santos, da Universidade de Brasília (UNB). Cotas são efeito positivo Para alguns estudiosos, apesar de todos os problemas, o balanço de cinco anos do Estatuto é positivo.

O conjunto de leis, que tramitou por sete anos no Congresso, é visto por esses especialistas como uma síntese das demandas históricas do movimento negro. Segundo Hédio Silva Júnior, advogado e professor de direito da Faculdade Zumbi dos Palmares, o grande avanço – presente no Estatuto, mas não criado por ele – é a mudança de abordagem do racismo, que deixa de ser apenas punitiva, para incluir uma combinação de instrumentos. “A punição desencoraja e é exemplar, mas sozinha não resolve um racismo estrutural. Além dela, precisamos de políticas afirmativas, que mudam as taxas de desigualdade; e de educação, que alteram o sistema de valores”, explica o professor, que já foi secretário de Justiça do Estado de São Paulo. Os especialistas que consideram o Estatuto positivo argumentam que o documento estabeleceu princípios e inspirou iniciativas importantes, como as leis que criaram cotas nas universidades federais (2012) e no funcionalismo público federal (2014). “É verdade que o Estatuto não obriga, mas o seu caráter permissivo não tem colocado obstáculos às ações afirmativas”, diz Silva. Ele argumenta também que, no conjunto de leis, há a indicação de deveres do Estado, o que permitiria à sociedade cobrar dos poderes públicos uma atuação eficiente e a defesa de direitos.

As cotas são unanimidade entre os especialistas. Elas são, de longe, as medidas que mais avançaram entre as políticas afirmativas, segundo eles. “Elas são o cartão de visita e estão transformando o Brasil. Nas universidades, essas políticas começaram no inicio dos anos 2000, no Rio de Janeiro, e tiveram resultados muito positivos”, afirma Silva.

Fonte: Carta Capital

Tufo: Patrimônio cultural de Moçambique

Mulheres reúnem-se para dançar Tufo trajando capulanas e blusas com cores vivas. Os seus rostos estão cobertos por mussiro, uma espécie de creme facial usado pelas mulheres Macuas. Com um lenço enrolado na cabeça, e para dar o toque final no visual, elas abusam das joias, colares e pulseiras.

O Tufo tem origens árabes, mas se incorporou no litoral oriental de Moçambique, maioritariamente na província Nampula e Cabo Delgado. Esta manifestação cultural vai se candidatar a patrimônio cultural imaterial da humanidade mas pouco se sabe sobre a mesma.

Zaquia Rachid, 47 anos, Rainha do Tufo como se autointitula, pratica a dança desde os seus 10 anos. Entrou no grupo Tufo da Mafalala em 2000 depois da morte de seu sogro. “Quando Malatana Saide estava para morrer deixou o grupo em minhas mãos, desde ai é cantar e dançar” conta alegre. Para esta mulher a dança tufo é para si uma terapia. “Quando danço tufo as preocupações que apertam o meu peito desaparecem, logo esqueço a dor e fico feliz”.

Simbologia da dança 

O Mussiro é uma componente que não é obrigatória na dança, mas as mulheres aplicam para sentirem mais identificadas com a sua terra. “Para estar bem, sentir que estou a dançar algo da minha terra tenho que colocar mussiro. Com este produto me sinto uma Mutiana orera (mulher) de Nampula, uma moçambicana” explica Zaquia.

As mulheres que dançam tufo são vaidosas. Na apresentação desta dança as mulheres ficam preocupadas em mostrar-se belas e para isso elas usam vários artifícios como a maquilhagem. “Os brincos, pulseiras, anéis são um capricho. A capulana e o lenço não podem faltar. Eu gosto de corres vivas, pois gostamos de ser vistas. Desejamos captar a atenção do público quando dançamos” clarifica a Rainha do Tufo.

Na sua performance estas mulheres saltam a corda ao ritmo nas batidas dos pandeiros. Zaquia conta que a corda, Ntxoco em Macua, era algo usado pelas crianças nas brincadeiras mas elas levaram ao palco. Nas apresentações, geralmente, nos deparamos com esteiras que servem proteger as dançarinas da sujeira.

Rotina de um grupo

O grupo Tufo da Mafalala é composto por mais de 30 membros, dentre eles família e amigos. A entrada no grupo é voluntária. Este é liderado por Momade Matano Saide de 55 anos, sua esposa trata da organização das composições e coreografia os seus filhos são os instrumentistas e os amigos são as restantes bailarinas.

Fundação

Momade Saide conta que o agrupamento tem suas origens em Nampula. “Este surgiu bem antes do meu nascimento, Matano Saide, meu pai e fundador do grupo, ainda morava em Nampula. O grupo antes era denominado associação familiar, só homens faziam parte do mesmo. Mais tarde entraram as mulheres” disse.

No início dos anos 70, por convite de apreciadores desta dança, Matano Saide vem para Maputo, bairro da Mafalala, para ensinar a dança.

Momade conta que nos finais dos anos 80 por causa da saúde frágil de seu pai teve de pegar os rumos do grupo. “No início não estava muito interessado no grupo, mas tive de me importar porque meu pai já estava velho e não podia guiar sozinho o grupo. Um dia, no ano de 1989, meu pai chamou-me e reuniu-me com todos e explicou que “hoje meu filho vai pegar o grupo é melhor começaram a respeita-lo”. No momento era muita responsabilidade, mas logo me adaptei e agora sou o líder do grupo.

Momentos alegres

O Grupo Tufo de Mafalala viveu momentos alegres Momade e Zaquia recordam deles com felicidade. “A nossa viagem para Africa do sul, em 2003, foi marcante, uma experiencia única”, lembra disso com emoção a Rainha do tufo.

O ano de 2009 foi marcante para o grupo, participamos num festival na Argélia. Dividimos o palco com artistas internacionais reconhecido em África e no mundo. Recordo que apertei a mão do músico Salif Keita entre outros artistas desta dimensão. Neste ano tivemos uma atuação na homenagem a Paulina Chiziane e Ungulane Bhaka Khosa, para nós aquele foi um momento ímpar”, conta Momade com orgulho.

Momentos maus

Não é só de momentos alegres que este grupo vive. “São vários momentos negativos pelos quais passamos. Este grupo não tem o reconhecimento que merece, não somos considerados. O nosso governo não estima o grupo. Nós vamos aos aeroportos nas recepções porque amamos o nosso governo, mas as vezes ter água para os membros do meu grupo é um problema. Eles não nos dão cachê, só nos chamam”, desabafa Momade.

A rainha do tufo vai mais longe e afirma que “o governo não tem amor às danças tradicionais. Nós cantamos e dançamos com suor e o governo não quer nos dar apoio”.


Dificuldades

As dificuldades que este grupo enfrenta são diárias e vão desde a manutenção dos instrumentos até a compra da indumentária.

“A Manutenção dos instrumentos é cara, os especialistas estão em Nampula. Só para comprar uma pele para fazer os batuques gastamos dez mil meticais”, reclama Momade.

Nós compramos a nossa indumentária graças ao nosso suor, vivemos para o tufo, vendemos biscoitos fritos, chamussas, rissóis e bijuterias. Somos muitos, mas não temos transporte até agora” relatou com mágoa Zaquia.

Sonhos

No meio de dificuldades e problemas vários sonhos põem em pé este grupo. “Sonhamos em ter transporte. Ter um outro ofício além da dança. Nos não estudamos, somos batalhadoras mas as nossas condições financeiras são precárias”, conta Zaquia.

Momade conta que “gostaria que o grupo viajasse para fora de moçambique. Recebemos vários turistas na nossa casa, espero que um dia, um deles tenha a ideia de nos convidar para seu país”, conclui.

Elevação da dança Tufo a património Cultural imaterial da humanidade

Em 2012 o ministro da cultura, Armando Artur, anunciou que Moçambique vai candidatar a dança Tufo, à lista do patrimônio cultural e imaterial da humanidade. Passado dois anos esta declaração ainda não se tornou realidade. Para que este processo seja efectivo é necessário percorrer uma serie de passos.

Condição para a elevação

A Unesco faz a salvaguarda do património (i)material dos países membros. Para um país ser membro desta organização internacional a condição número um é ratificar, aceitar, as convecções. Moçambique é um estado membro da UNESCO, ratificou as convenções.

Segundo a responsável pela área da Cultura no Escritório da Organização da Educação Ciência e Cultura, Unesco, em Moçambique, Ofélia da Silva, “todos os membros do estado podem propor a elevação de um bem cultural a patrimônio da humanidade. A proposta destes é apresentada aogoverno de moçambique (Ministério da cultura), que representa o estado de Moçambique). Em seguida ministério da cultura faz a submissão da proposta.”.

Outra condição para a elevação é a elaboração de um inventário. Como explica Ofélia da Silva “O ministério da cultura vai trabalhar com o ARPAC (Arquivo do Património Cultural) no sentido de reunir arquivos, documentos, entrevistas e outras informações sobre a dança Tufo”.

O inventário é preciso, pois é necessário conhecer a gênese desta manifestação: quem a pratica, onde se dança, quais os rituais tradicionais por de traz desta dança, em que momento. Todos estes elementos serão documentados através de entrevistas, inquéritos, vídeos, áudios que vão constituir o inventário.

Por vezes os estados membros da UNESCO não têm recursos para executar tais acções. A nossa fonte, Representante da UNESCO, clarificou que, “quando isso acontece o governo submete um pedido de apoio técnico e a UNESCO compromete-se a ajudar com um fundo de até 25 mil dólares. Além disso a UNESCO envia técnicos para inventariar e no fim faz relatório”.

Ofélia da Silva revelou que o ministério já pediu, em Agosto de 2013, apoio técnico para garantir o apoio das danças tufo, mapico, e xigubo. Mas como explica a representante, “isso aconteceu numa reunião não tão formal e é necessário que a Unesco e o ministério discutam melhor os pontos”.

A última condição para a elevação é a elaborar programas de salvaguarda. Estes programas vão traçar as estratégias de modo a fazer a formação dos fazedores desta dança.

Significado da elevação da dança Tufo

Para Ofélia da Silva a elevação da dança tufo a patrimônio imaterial da humanidade é algo bom porque vai de encontro aos programas e objetivos da UNESCO.

“Candidatar Tufo é uma forma de salvaguardar. Para além de esta dança estar inventariada será promovida para outros lugares a nível mundial. Elevar a dança significa promover a diversidade cultural de Moçambique. O mundo saberá que o nosso país tem uma dança chamada Tufo”, concluiu da Silva.

Atividades do Ministério em coordenação com o ARPAC

O Ministério da Cultura negou a pronunciar-se, mas fontes próximas a esta instituição revelaram que várias atividades estão em curso com vista à submissão da candidatura. Paralelamente a isso, o ARPAC por intermédio de um dos seus pesquisadores, Sérgio Manuel, está a reunir o material. “Já foram realizadas expedições, viagem para várias províncias de modo a inventariar esta dança” conclui Sérgio.

Historial da Dança

Um estudo de Álvaro Pinto de Carvalho que reúne escritos muçulmanos, que tratam de hábitos, usos e costumes, publicado em Moçambique 1969, afirma que o Tufo é uma palavra árabe, que traduzida, quer significar “pandeiro ou pandeirante”, ou ainda, dança de caráter religioso, acompanhada ao som de pandeiro.

Segunda o estudo, a dança nasceu a partir do dia da entrada do profeta Mohammad na cidade de Yterib-cidade (atual Medina) no ano de 622 da era cristã. Os seus “adeptos” do profeta foram-no esperar à cidade, com pandeiros e cânticos, demostrando-lhe assim, a alegria que sentiam e a adesão às doutrinas do Alcorão que ele havia tentado pregar em meca.

Um arquivo copilado pelo ARPAC conta que a dança foi Introduzida há vários séculos na costa de Moçambique por comerciantes arabes-swahili. A dança Tufo possui forte raízes religiosas. O mesmo arquivo conta que na origem, esta dança era apenas executada em rituais e momentos festivos associados à religião Muçulmana, mas com o tempo a dança foi se massificando.

por Hélio Nguane

Fonte: Buala

Balaio de Ideias: Manifesto por uma vida afetiva digna

A jornalista Maíra Azevedo faz contundente análise sobre racismo e afetividade. Foto:  Edilson Lima/ Ag. A TARDE/ 29.1.2014

Maíra Azevedo

Para a maioria, o 25 de julho é apenas mais uma data no calendário. Para nós, que fazemos o debate de gênero e raça, é momento de analisar as posturas sociais e como elas interferem nas vidas daquelas e daqueles que dizemos defender em nossos discursos. As pautas são diversas. Por isso optei em focar meu debate sobre algo que faz parte das conversas das mulheres negras: vida amorosa ou a falta dela. Por isso, resolvi fazer uma série de questionamentos e espero as respostas.

Quem faz manifestação pela morte afetiva e cotidiana das mulheres negras? Quem se importa quando as mulheres passam sozinhas pelas ruas? Quem se incomoda com o fato das mulheres negras serem sempre maltratadas por seus parceiros, seja fisicamente ou psicologicamente? Quem tenta buscar solução pela vida miserável que as mulheres negras levam, pois ou elas estão chorando pelos homens negros que morreram ou pelos que ajudam a tirar suas vidas? Porque a morte das mulheres negras é real. Quando não morrem fisicamente, estão mortas afetivamente. A solidão mata, entristece, deprime.

Hoje, peço a você um minuto de reflexão. Qual mulher negra que você conhece vive uma relação bacana, tranquila, com cumplicidade? Se lembrar de cinco, sem precisar puxar pela memória, então eu volto e digo que estou errada. As mulheres negras estão sozinhas, até mesmo quando tem alguém ao lado. Porque a maioria dos homens, quando estão ao lado de uma mulher negra acham que já fizeram o bastante por ela. Para muitos, o fato de terem assumido a relação com uma de nós é um plus, um bônus. Devemos agradecer, afinal estamos fora das estatísticas da solidão.

É preciso fazer um alerta, uma convocação. Temos obrigação moral de sermos mais companheiras uma das outras. Se somos mesmos comprometidas com o debate de empoderamento feminino, vamos aprender a não brigar por homens, a não permitir que eles nos dissolvam. Pois, quando eles partem, ficamos em frangalhos e eles fazem isso em série.

Não dá mais para aceitar as migalhas que muitos desses homens pensam em nos oferecer: levar para um quarto de hotel e ter uma noite de prazer ou se aproveitar do nosso status para ter um duplo prazer. Muitos deles querem gozar da nossa influência e acham que nos dar o gozo é a melhor forma de retribuir tudo que já fizemos por eles.

E a nós mulheres negras, cabe praticar mais a sororidade. Devemos ser mais cúmplices, não julgar a outra. Estender a mão e no momento de dor, nada de lembrar “EU BEM QUE TE AVISEI”. Esse sofrimento em busca de um homem legal, bacana, companheiro, que te respeite, parece ser incessante e isso é cobrado de todos os lados.

A hora de chorar pelos cantos já passou e não deveria nem ter chagado. Mas é preciso despertar e ser mais cofiante, rejeitar essas miudezas que eles nos oferecem por aí. Porque pra gente é sempre mais difícil. Queremos viver, bem viver e não sobreviver. Vamos protestar contra a miserabilidade afetiva a que somos submetidas e que ás vezes é praticada por aqueles que defendemos. Basta! Por uma vida afetiva verdadeira e digna.

Maíra Azevedo é jornalista do Grupo A Tarde e militante das causas que envolvem a questão étnico-racial, gênero e combate ao racismo e  a todas as formas de desigualdades

Fonte: A Tarde Online

FILHOS DE CADA ORIXÁS

FILHOS DE CADA ORIXÁS.

EXU🎲: Maliciosos, Perigosos, Briguentos, Não guardam rancor, Gulosos, Imaturos, Sexualmente muito ativos. Mundanos, Intrigantes, Debochados, Mulherengos, Engraçados.

OGUM🔪:
Conquistadores, Guerreiros, Bringuentos, Amigos, Solidários, Frios, Viris, Sexistas, Impulsivos, Sinceros, Leais, Intolerantes, Afeitos às profissões militares e à informática. Gênio difícil. Independentes. Ambiciosos. Disciplinados. Inteligentes. Líderes natos.

OXÓSSI 🐇🌽:
Provedores. Desconfiados. Solitários. Curiosos. Vaidosos. Instáveis quanto às opiniões. Espontâneos. Astutos. Amáveis. Alegres. Calmos. Amantes da natureza. Concentrados. Sutis. Caçadores em todos os sentidos. Libertários.

OSSAIN 🍃🌿: Atraentes. Ambíguos. Magnéticos. Esquisitos. Solitários. Pesquisadores. Curiosos. Didáticos. Desapegados. Vingativos. Feiticeiros. Dissimulados. Envolvem-se facilmente com drogas. Perspicazes. Tímidos.

OBALUAIÊ⚫⚪: Depressivos. Sinceros. Rabugentos. Honestos. Calados. Frágeis fisicamente. Vingativos. Amargos. Pessimistas. Desajeitados. Auto-destrutivo. Melancólicos. Verdadeiros. Fortes na adversidade. Equilibrados.

OXUMARÊ 🐍:
Belos. Ocultos. Cuidadosos. Irritáveis. Indecisos. Oportunistas. Impacientes. Falsos. Mutáveis. Volúveis. Apegados às riquezas. Sedutores. Desdenhosos.

XANGÔ 🌋: Justos. Ponderados. Enérgicos. Amistosos. Falastrões. Vaidosos. Invejosos. Teimosos. Ambiciosos. Fortes, fisica e moralmente. Estourados. Gananciosos. Afeitos à engenharia e ao direito. Sedutores. Coerentes consigo mesmos. Grandes escritores. Infiéis. Ciumentos. Valentes. Cruéis. Gulosos. Inteligentes.

OXUM 💛: Amorosos. Meigos. Detalhistas. Estáveis. Emotivos. Vaidosos. Intelectuais. Sedutores. Verdadeiros, Ciumentos. Possesivos. Ardentes no amor. Pirracentos. Manipuladores. Voluptuosos. Chorões.Fofoqueiros. Falsos. Grandes feiticeiros.

LOGUN ÉDÉ 🐠:Brilhantemente inteligentes. Inconstantes. Orgulhosos. Belos. Volúveis no amor. Imaturos. Calmos. Educados. Muito românticos. Intuitivos. Solidários. Rancorosos. Adaptáveis. Poéticos. Desconfiados. Indecisos.

IANSÃ ⚡: Sensuais. Nervosos. Bonitos. Apaixonados. Explosivos. Metódicos. Teimosos. Malcriados. Excelentes amigos. Espalhafatosos. Faladores. Ciumentos. Irriquietos. Insensíveis à opinião pública. Volúveis no amor. Solidários. Fortes. Carismáticos.

OBÁ 🔶:
Trabalhadores incansáveis. Melancólicos. Infelizes. Guerreiros. Ingênuos. Reclamões. Agressivos. Persistentes. Influenciáveis. Resignados. Decididos. Concentrados.

EWÁ 🔶🔴: Belos. Ambíguos. Tranquilos. Adaptáveis. Pacificadores. Unificadores. Cheios de iniciativa. Sensíveis. Poéticos. Amorosos.

IEMANJÁ 🐳🐬:Maternais. Calculistas. Bringuentos. Conselheiros. Chorões. Atormentados. Ariscos. Afeitos à psicologia. Protetores. Altivos. Rancorosos. Fascinamtes. Independentes. Fechados. Criativos.

NANÃ 🌸:
Calmos. Benevolentes. Sábios. Dóceis com crianças. Austeros. Sem vaidade. Ranzinzas. Vingativos. Insensatos. Pirracentos. Praguejadores. Resmungões. Taciturnos. Assexuados.

OXAGUIÃN 🐚: Guerreiros. Orgulhosos. Brigões. Metidos. Não aceitam perder. Não aceitam receber críticas. Agitados. Autoritários. Falsos. Ejóinos. Apaixonados. Bonitos.

OXALUFÃ 🐌:
Lunáticos. Guerreiros. Justiceiros. Briguentos. Agitados. Mentirosos. Organizados. Não sabem perder. Não sabem receber críticas. Fechados. Frios. Quando apaixonados amam profundamente. Inteligentes. Arrogantes. Amigos. Sensíveis. Intuitivos. Brilhantes. Calmos. Autoritários. Indulgentes. Simples. Sovinas. Chatos. Ranzinzas. Respeitáveis