Os Estados Unidos comemoram 50 anos da aprovação parlamentar da lei que acabou oficialmente com o racismo no país. A comemoração de 50 anos da lei dos direitos civis, reuniu três ex-presidentes na biblioteca Lyndon Johnson em Austin no Texas. Jimmy Carter e Bill Clinton discursaram ao longo da semana, Jorge W. Bush subiu ao palco no dia 9/04 no período da tarde, mas o pronunciamento mais esperado do dia foi do presidente Barak Obama, beneficiado direto da reforma que acabou com a segregação racial.

“Por causa do movimentos pelos Direitos Civis, por causa do que o Presidente Johnson assinou, novas portas de oportunidade e educação se abriram para todos, não todas de uma vez, mas elas se abriram, não apenas para negros e brancos, mas também para mulheres, hispânicos, asiáticos, índios americanos, homossexuais e deficientes, elas se abriram para você e se abriram para mim” disse o presidente.

Obama reconheceu que a questão racial ainda está presente na politica americana, mas disse que a vida dele, da primeira Dama Michelle e das filhas são um reflexo da lei assinada por Johnson.

O projeto de lei foi apresentado em Junho de 1963, pelo então presidente John Kennedy, a luta pelos direitos civis estava no auge liderada pelo ativista Martin Luther King, manifestações tinham sido rigorosamente repreendidas pela policia em várias cidades americanas. O projeto se arrastou no congresso até a morte de Kennedy em novembro de 1963. Ao assumir a presidência, Lyndon Johnson conseguiu o sinal verde dos parlamentares e assinou a lei em Julho de 1964. 50 anos depois do fim da segregação, a igualdade racial plena ainda não é uma realidade nos Estados Unidos, os negros correspondem a 15% da população americana, mas ganham salários mais baixos, tem menos acesso a educação e são maioria entre a população carcerária.

Fonte: G1

Nascida em 1914 no dia 14 de março, na cidade rural de Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus até hoje i415609tem a sua importância subestimada dentro da literatura brasileira. A escritora teve uma vida complexa e tensa como só pode ser a vida de uma mulher negra. Estudou por dois anos “as primeiras letras”, como diziam, mas interrompeu os estudos porque foi obrigada a migrar com a mãe para outras cidades, na luta pela sobrevivência. Vagou, segundo suas anotações em diários, por algumas cidades do interior de São Paulo, até que por fim migrou para a capital paulista (1947), como empregada doméstica acompanhando os patrões.

Inquieta e questionadora, Carolina não se adaptou às exigências do emprego doméstico, nos quais as relações de trabalho se assemelhavam ao extinto regime escravista. Acabou indo morar na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, uma das que surgiam com o processo de crescimento da cidade de São Paulo. Crescimento esse que teve como uma das consequências a ocupação de habitações precárias pela população preta, pobre e migrante, aglomerada em locais sem infraestrutura. Ela buscava e encontrava no lixo aquilo que a cidade desprezava, sua fonte de renda para sustento dela e dos três filhos. Perambulando pela cidade que observava, admirava sua ostentação: luzes, casa, flores, pessoas e avenidas, contrastando com sua realidade vivencial. À noite, em seu barraco, apinhava a família além da miséria. Entre o ronco da fome, os pedidos dos filhos e os burburinhos da vizinhança, tão esquecida e desprezada como ela, extraia a matéria prima para a sua escrita dos livros, para o seu sonho de se tornar escritora, mais precisamente poeta, e abondar aquela vida de precariedade.

Carolina arquitetava outra vida para ela e os filhos. Escrevia constantemente e procurava os jornais e editoras para publicar o seu trabalho, como relata em seu diário. Obviamente não conseguiu sucesso nesta investida, visto que não logrou credibilidade ao mostrar seus manuscritos registrados em papéis reutilizáveis, grafia e gramática que denunciavam os seus poucos anos de estudo formal, que para uma arte elitista como é a literatura escrita, não coadunava. Insistentemente, ela escrevia o seu dia a dia, repórter de si mesma e da cidade, que olhada pelo ângulo dos pobres à margem do rio Tietê não consegue ostentar nem o glamour, nem a ilusão de um progresso igualitário.

O que muitos chamam de coincidência é na verdade intencionalidade por parte de Carolina, que mostrava seus escritos aos profissionais da assistência social e religiosos que iam prestar assistência aos “favelados”. Em 1958, mostrou a um jovem repórter, Audálio Dantas, da Folha da Noite, designado para fazer matéria sobre a favela do Canindé, os seus escritos em cadernos que reaproveitava. Impressionado com o que leu, Audálio compilou algumas páginas e intitulou “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”. Publicado em agosto de 1960, foi recorde de vendas. A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana. Depois, foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Carolina de Jesus logrou realizar os seus dois intentos, tornou-se escritora e, no mesmo ano da publicação de seu livro (1960), se mudou da favela do Canindé para uma casa de alvenaria, comprada com o resultado editorial de venda de “Quarto de Despejo”. Recebeu homenagens, nacionais e internacionais, viajou por vários estados do Brasil. A vida de Carolina Maria de Jesus, se fosse ficção, terminaria com letreiros de fim e final feliz.

Pressionada pela editora, ela escreveu “Casa de Alvenaria”. Lançado em 1961, o livro não teve o mesmo impacto que antecessor. A escritora passou a questionar as desigualdades sociais a partir da “sala de visita”, termo que usava para designar um lugar digno. Houve uma mudança de lugar físico, mas não do local social de onde De Jesus fala, em relação à sociedade.

Fonte: Raça Brasil

Passageiro ia para o funeral da mãe, no Recife, mas não conseguiu comprovar transação feita pelo cartão de crédito

A companhia aérea Gol foi condenada pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Amazonas a pagar R$ 20 mil em indenização a um consumidor por racismo. O passageiro ia viajar para Recife para comparecer ao funeral da mãe.

A discriminação racional ocorreu por parte de uma atendente da Gol no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, em 2011.

813ecschlaef47qu0bfx1q9pq

Segundo nota publicada no site do TJ, o consumidor teve dificuldades para comprovar uma transação feita pelo cartão de crédito do chefe no mesmo dia da viagem. Impossibilitado de entrar no voo, ele afirmou que iria buscar os seus direitos.

“Quando virou as costas, ouviu a funcionária proferir ofensas discriminatórias, na frente de outros passageiros, dizendo: ‘tinha que ser preto mesmo'”, informa a nota.

Além da indenização por danos morais, a Gol também foi condenada a pagar a quantia de R$ 1.842,22, a título de indenização por danos materiais, pelo valor gasto com a compra das passagens no cartão de crédito do chefe do passageiro, acrescidos de juros e correção monetária.

Procurada, a Gol informou que só se manifestará na Justiça.

 

Fonte: IG

A exposição Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber, patente na OCA do Parque Ibirapuera de S. Paulo, resulta de uma parceria entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e o Museu Afro Brasil, de S. Paulo. Inaugurada no âmbito da celebração do dia da cidade de S. Paulo, às 19h do dia 24 de Janeiro de 2014, esta exposição deu inicio às comemorações dos 10 anos do Museu Afro Brasil e, simultaneamente, encerra as comemorações dos 100 anos da Faculdade de Ciências de Coimbra.

Com peças raras das coleções científicas (Antropologia e Astronomia) da Universidade de Coimbra e de colecionadores particulares, reflete sobre a construção do conhecimento científico português em relação aos povos e territórios do além-mar, principalmente na África e no Brasil.

O ponto de partida é a refundação da Universidade de Coimbra, na era do Marquês de Pombal (1699-1782), e a introdução do ensino das ciências na educação superior em Portugal, trazendo esse olhar para a contemporaneidade. Entre as peças e obras expostas, há astrolábios, esferas, lunetas, mapas feitos pelo engenheiro italiano Miguel Ciera no séc. XVIII, cartas geográficas, desenhos, bustos frenológicos, contadores lusíadas (séc. XVI-XVII), olifantes (séc. XV-XVI), fotografias, documentos históricos da Universidade, herbários de Friedrich Welwitsch no séc. XIX e retratos do Marquês de Pombal (por Francisco José Resende, 1882) e de D. Francisco de Lemos (1735-1822), brasileiro que foi bispo e reitor de Coimbra.

Outro núcleo da exposição apresenta o raríssimo acervo de Antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, destacando-se, entre os objetos etnográficos, 32 tampas de panela do povo Woyo, recolhidas pelos missionários do Espírito Santo, de presença marcante em Angola desde a década de 1860; uma cadeira de espaldar do povo Chowke; uma máscara masculina Nkaki, dos Luluwa; uma estatueta de representação de missionário, do povo Yombe; duas máscaras do povo Songo; e pentes e máscaras Mwana Pwo e Cihongo dos artistas contratados pela companhia Diamang, que trabalhavam numa aldeia situada no complexo do Museu do Dundo, em Angola.

Incorporados à exposição na Oca, artistas contemporâneos atualizam esse universo da “Cartografia do Poder”: Albano da Silva Pereira, Albuquerque Mendes, Ana Vieira, André Cepeda, Arthur Omar, Aston, Cristina Ataíde, Debbie Fleming Caffery, Didier Morin, Dominique Wade, Edgar Martins, Gérard Quenum, Gonçalo Pena, Guilherme Mampuya, Joan Fontcuberta, João Fonte Santa, João Pedro Vale, Joel-Peter Witkin, José de Guimarães, José Luís Neto, José Resende, José Rufino, Lygia Pape, Miguel Palma, Nuno Cera, ORLAN, Paul Den Hollander, Sam Durant, Sofia Leitão, Susana Anágua, Tunga e Yonamine.

Viagens científicas

Os laços históricos entre Portugal e Brasil são bastante conhecidos, mas o grande público geralmente desconhece o interesse científico que Portugal, a Metrópole, sustentou em relação às suas colônias, como o Brasil e Angola. O investimento de cunho científico no Ultramar refletiu-se na aquisição, por instituições portuguesas, ao longo dos séculos de dominação, de exemplares do reino mineral, vegetal e animal, além de objetos etnográficos, testemunhos da rica história dessas regiões.

Até a primeira metade do século XVIII, as remessas e recolhas desses exemplares estavam relacionadas, sobretudo, aos interesses privados da Coroa portuguesa e da nobreza mais esclarecida. Foi a partir dos anos oitenta de Setecentos e ao longo do séc. XIX que as coleções, frutos de recolhas e aquisições, passaram a ser sistematizadas nos Museus de História Natural de acordo com critérios científicos definidos, em grande parte, por naturalistas estrangeiros que chegavam a Portugal para suprir a falta de profissionais formados em escolas portuguesas.

Dentre os naturalistas tratados na exposição, destaca-se o italiano da cidade de Pádua, Domingos Vandelli (1735-1816), que teve importante papel não apenas como diretor do Museu de História Natural, do Laboratório Químico e do Jardim Botânico e docente de História Natural e Química em Coimbra, mas também como responsável pela incorporação de coleções no próprio Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, no decurso de diversas viagens filosóficas organizadas por ele ao Brasil e África.

O impulso da Ciência em Portugal, iniciado na segunda metade do século XVIII, ampliou-se no século XIX no território brasileiro, com a vinda da família real para o Brasil e a abertura dos portos, que favoreceu a entrada de naturalistas estrangeiros. Foi nesse contexto que ocorreu a criação, através de um decreto de 1818, do Real Museu no Rio de Janeiro. A criação desse espaço culminou não apenas na intensificação das pesquisas, mas principalmente no estreitamento dos laços entre Brasil e Portugal, na medida em que algumas coleções de Lisboa foram transferidas para o Brasil.

O estudo e a exploração da natureza expandiram-se para o continente africano ao longo do século XIX. Estas expedições com objetivos científicos vão estar presentes na exposição através de herbários do botânico Friedrich Welwitsch em Angola, no ano de 1852, e de parte substancial da coleção etnográfica do professor Luís Carrisso, recolhida entre 1927 e 1936.

Exposição apresentada inicialmente em Portugal e agora em versão ampliada pelo Museu Afro Brasil, que incorporou objetos valiosos sobre a história de Angola e artistas contemporâneos brasileiros, “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber” propicia reflexões sobre a alteridade, o hibridismo, a dominação e o poder, temas inerentes à História da formação do Brasil.

 

Exposição: “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber”, do Museu Afro Brasil.

Facebook: https://www.facebook.com/dacartografia.brasil

Abertura: 24/01, às 19h.

Local: Oca do Ibirapuera
Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3
Tel: (11) 3105-6118 e (11) 5082-1777.
De 25 de janeiro a 23 de março de 2014.

Terça-feira a domingo, das 10h às 17h.

Entrada gratuita

Fonte: Buala

Dentre a vasta obra de Abdias Nascimento, o livro Axés do Sangue e da Esperança-Orikis é o único de poesia. Foto: Xando Pereira/Ag A TARDE/13.11.2002

Dentre a vasta obra de Abdias Nascimento, o livro Axés do Sangue e da Esperança-Orikis é o único de poesia. Foto: Xando Pereira/Ag A TARDE/13.11.2002

Lindinalva Barbosa é autora de As Encruzilhadas, o ferro e o espelho, estudo sobre a obra poética de Abdias. Foto: Lúcio Távora/Ag. A TARDE

Intelectual multifacetado, Abdias Nascimento (1914-2011) nasceu em 14 de março,  Dia da Poesia. A data foi escolhida para festejar esse gênero literário por conta do  aniversário de Castro Alves. Curiosamente, também é o  dia em que a escritora Carolina de Jesus nasceu.  Os três produziram uma arte saída da vivência ou da aproximação (no caso de Castro Alves) com o  universo negro. Embora pouca gente saiba, Abdias publicou Axés do Sangue e da Esperança-Orikis, único livro de poesias da sua vasta obra.

A surpresa de muitos quando se deparam com o livro, publicado em 1983, é por conta da imagem do combatente aguerrido de Abdias que, por vezes, acaba ofuscando a sua imensa sensibilidade.
“O  senso comum tem uma noção de  poesia como algo que está apenas  no campo do lirismo. É como se as posturas mais aguerridas e mais duras estivessem  distanciadas desse campo”, explica Lindinalva Barbosa, autora da dissertação As Encruzilhadas, o Ferro e o Espelho .

A pesquisa que resultou no texto apresentado para a obtenção do seu título de mestre em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) mostra as formas artísticas e discursivas do livro com característica diferenciada dentre a obra literária de Abdias.
Lindinalva conta que tomou contato com o livro em 1986, período inicial da sua trajetória como militante do Movimento Negro Unificado (MNU).

De acordo com ela, embora o livro  traga poesia, ele reflete o espírito mais geral da produção de Abdias.

Luta e religião

“A obra de Abdias está inserida no campo da  literatura negra, conceito que uso. Esse tipo de literatura traz a mensagem capaz de comunicar a luta cotidiana que é travada contra o racismo”, acrescenta.

A religião afro-brasileira é a base dos poemas reunidos no livro. O título escolhido por Lindinalva faz referência aos três orixás que dominam a obra: Exu, Ogum e Oxum.

Exu é o senhor das encruzilhadas, ou seja, dos  vários caminhos que se encontram e exigem decisões; Ogum é o dono da tecnologia e arte de retirar do ferro os variados objetos, inclusive as armas; Oxum é a dona da fertilidade e da luta que combina paciência e inteligência.

“Em uma entrevista que fiz com Abdias, ele chegou a me dizer que Exu era o patrono da sua ação política, como aquele que não se conforma com  as situações que o racismo coloca e que entra e sai de encruzilhadas. Abdias era assim”, diz.

“Ogum prepara as armas e Abdias sempre disse que tudo o que fazia era  ferramenta para a luta contra o racismo;  Oxum é o orixá votivo de Abdias, que, de certa forma, contrabalançava seu espírito bélico, pois ela também é bélica, mas de uma forma mais maleável, engenhosa e sinuosa como as águas”, completa a pesquisadora.

O encontro de Abdias com as religiões afro-brasileiras aconteceu  na década de 1930, no terreiro de Joãozinho da Goméia, no Rio de Janeiro.

“Em uma de suas biografias, ele coloca que o  momento em que deu conta de si enquanto sujeito negro de uma forma mais plena e decisiva foi quando se aproximou do universo afro religioso”, afirma Lindinalva.

Uma amostra dessa arte pessoal e engajada é um dos trechos do poema intitulado Mucama-mor das estrelas: Não direi que isto é poesia/ talvez lembranças fantasia/ quem sabe murmurar de sonhos/ testemunho ou biografia.

O trabalho de Lindinalva Barbosa ainda não foi publicado em livro, mas pode ser conferido tanto no site do Programa de Pós Graduação em Estudo de Linguagens da Uneb, como no site do Ipeafro, que reúne produções sobre Abdias.

 

Fonte: Mundo Afro

Bate-papo com Marcos Cardoso no Espaço Cultural Tambor Mineiro irá versar sobre a importância da memória cultural africana na formação do país

No próximo dia 22 de março, sábado, às 14h, o historiador e filósofo Marcos Cardoso irá receber o público no Espaço Cultural Tambor Mineiro para o bate-papo “Introdução à História da África e resistência negra”. O objetivo é introduzir os participantes à história do continente africano, com ênfase na resistência do povo negro, da escravidão à contemporaneidade. Eles serão convidados a refletir sobre a presença civilizatória da África no mundo e no país a partir de uma introdução sobre a importância da memória cultural africana na formação das culturas negras na diáspora e no Brasil, no processo de construção da identidade étnico-racial e na identidade nacional.  As inscrições são gratuitas, abertas a todos os interessados e podem ser feitas pelo telefone (31) 3295-4149. O Tambor Mineiro fica à Rua Ituiutaba, 339, Prado.

O bate- papo faz integra a programação da ocupação anual do Espaço Cultural Tambor Mineiro, realizada por Maurício Tizumba, idealizador e coordenador do espaço, em parceria com o grupo percussivo Bloco Saúde. O projeto Bloco Saúde/ Tambor Mineiro prevê, além de cursos de aperfeiçoamento do próprio grupo, sete bate-papos e workshops gratuitos e abertos ao público. “A parceria com o Bloco Saúde existe há quatro anos e é aqui que o grupo se formou. Esse projeto amplia essa parceria e oferece uma programação de qualidade para a cidade e os interessados em conhecer mais sobre a nossa cultura, a cultura do nosso povo”, afirma Tizumba.

 O Tambor Mineiro ainda receberá os workshops Cajón Afroperuano, com o músico, cantor, compositor e luthier argentino, Beli; Labidumba, uma oficina de canto ministrada pelo cantor, compositor e multiinstrumentista, Sérgio Pererê; Gunga, com Maurício Tizumba; Dança afro, com Benjamin Abras; Congado, com o capitão-mor Antônio Ciriaco; e pandeiro, com o instrumentista Digão. Todas as atividades do projeto contam com o apoio do Instituto Unimed-BH.

 MARCOS CARDOSO

Mestre em História Social e bacharel e licenciado em Filosofia pela UFMG. Na Prefeitura de Belo Horizonte coordenou as comemorações do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, o 1º  Festival Internacional da Arte Negra de Belo Horizonte, o Núcleo de Implantação do Centro de Referência da Cultura Negra da Secretaria Municipal de Cultura, entre outros. Foi  também secretário executivo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, professor da especialização em Estudos Africano e Afro-Brasileiros da PUC/Minas e do programa de Ações Afirmativas da Faculdade de Educação da UFMG.  

 

INSTITUTO UNIMED-BH

 O Instituto Unimed-BH é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 2003 com a missão de conduzir o programa de Responsabilidade Social da Unimed-BH, contribuindo para a melhoria consciente e continuada da qualidade de vida das comunidades onde ela atua. Como o referencial adotado é a promoção de vidas saudáveis, os projetos do Instituto têm na saúde sua área prioritária de intervenções, mas mantêm interface com outros campos, como a educação, cultura, lazer e capacitação profissional. Além de sua atuação social, o Instituto Unimed-BH busca fortalecer a cultura em Minas Gerais, apoiando projetos artísticos, através de seu programa de incentivo, amparado na Lei Rouanet.

 

Assessoria de Imprensa:

Canal C – Comunicação e Cultura

Júlia Moysés // 31.9791.2776

Carol Macedo // 31.9821.3626

  

Júlia Moysés

         
C. 31.9791.2776

julia@canalc.art.br | www.canalc.art.br

Blog Canal C e Facebook

Em sua segunda edição, a Mostra irá receber inscrições de grupos e artistas de Minas que tenham a cultura afro como tema ou um elenco predominantemente negro

A segunda edição da Mostra Benjamin de Oliveira já tem data e local: de 16 a 27 de abril, no Oi Futuro. Para compor a grade de programação, além de dois espetáculos da Cia Burlantins – Clara Negra e Oratório – e de cinco espetáculos convidados, a Burlantins está fazendo um chamamento público para conhecer espetáculos de teatro, dança e circo que tenham a cultura afro como tema ou um elenco predominantemente negro.  As inscrições são gratuitas e abertas a grupos e artistas de todos o Estado até o dia 16 de março. Os interessados devem acessar o formulário – cujo link está disponível na página facebook.com/burlantins – e preencher as informações solicitadas. É necessário ter um vídeo que mostre o trabalho.

O nome da mostra já revela seu eixo temático. Benjamin de Oliveira, patrono da Burlantins desde a fundação do grupo, nasceu em 1870 e foi o primeiro palhaço negro do Brasil. É considerado o criador do circo-teatro brasileiro, gênero que levava para as ruas paródias de operetas, contos de fadas teatralizados e grandes clássicos da literatura. Nos entreatos, cantava lundus, chulas e modinhas em companhia de seu violão. Ao escolher o nome daquele que era conhecido como “Rei dos Palhaços”, a companhia reitera seu desejo de valorizar a riqueza cultural dos negros brasileiros.

O Governo de Minas apresenta a segunda edição da Mostra Benjamin de Oliveira, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, que tem patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

 

Assessoria de Imprensa

Canal C – Comunicação e Cultura

julia@canalc.art.br // 31 9791 2776

carol@canalc.art.br // 31 9821 3626

marciochagas.jpg

As feridas abertas pelo ataque racista a Márcio Chagas da Silva vão demorar a fechar. Depois de encontrar bananas no seu carro após apitar o jogo entre Esportivo e Veranópolis, na Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, ele se emocionou ao relembrar o episódio. Em sua casa, em Porto Alegre, o árbitro lamentou o ato, ocorrido após a vitória dos donos da casa por 3 a 2.

- Quando me deparei com meu veículo com as portas amassadas e bananas por cima… banana no cano de descarga, eu fiquei muito decepcionado por ser tratado dessa forma, já que vivemos numa cidade relativamente educada e evoluída. Eu pensei no meu filho. Pensei: “Eu vou dar um beijo no meu filho” e dizer “cara, para ti isso não vai acontecer porque isso é muito ruim, é muito ruim” – disse, chorando.

bananas

Foto: Márcio Chagas da Silva/Arquivo Pessoal

- Eu me senti muito mal, bem decepcionado, porque a gente sai de casa sempre para fazer o melhor trabalho possível. Lógico que os erros da arbitragem vão acontecer, e não foi motivo para que tivesse acontecido tudo isso dessa forma negativa, porque, se forem buscar as imagens e até as análises da partida, não há lances contestáveis pra que pudesse acontecer uma manifestação tão negativa como foi dessa forma. E até meu questionamento aos meus colegas no término da partida foi… isso porque a equipe do Esportivo venceu a partida, imagine se fosse ao contrário. De repente colocariam fogo no meu carro? Invadiriam o vestiário? – questionou.

O árbitro garantiu que vai fazer boletim de ocorrência e que aguarda um posicionamento da Federação Gaúcha de Futebol:

- Eu preenchi a súmula, eu vou fazer o boletim de ocorrência ainda, porque não consegui fazer ontem (quarta-feira). Fiquei bem abalado emocionalmente e não consegui fazer naquele momento, queria voltar o mais rápido possível para minha residência.

 

Fonte> Geledes

 

 

Baiana

Imagem  —  Publicado: março 8, 2014 em Cliques
Tags:, ,

Ilustração: Bruno Aziz

Ilustração: Bruno Aziz

Maria Stella de Azevedo Santos*

Seis horas da manhã. Ouço vozes que vêm da movimentada rua que fica em frente ao quarto em que hoje estou dormindo. A casa está em reforma. Ai que saudade do meu quarto no fundo da casa… Em vez de vozes, eu escutava o lindo canto dos passarinhos, que de tão acostumados com o ambiente já penetravam casa adentro, entrando e saindo como se estivessem em seus próprios ninhos. Saudade do antigo quarto, e excitação com as novas experiências de amanhecer neste outro quarto.

Muita gente pode pensar que seis horas é um bom horário para acordar, eu também acho. Acordar às cinco horas é ainda melhor. É muito bom renascer a cada dia junto com o sol, sendo despertada pelo cantar de um galo. Entretanto, toda essa imagem romântica se transforma em uma realidade concreta quando, em vez do cantar do galo, ouço um alto-falante com um som de má qualidade anunciando a venda de pamonhas; quando o sol, tão preguiçoso quanto eu, teima em continuar adormecido em cima de uma acolchoada e fresca nuvem enegrecida. Confesso que a palavra pamonha me estimula a acordar mais rápido.

A imaginação foi tanta que cheguei até a sentir o cheiro inebriante de um bom café. Voltar a dormir estava fora de cogitação, o pregão da rua já tinha invadido minha mente: “Olha a pamonha, olha a pamonha, pamonha quentinha pro seu café da manhã”; “Acaçá de milho bem feito, tem de milho e tem de leite”; “Banana-da-terra, batata-doce, melão, melancia, ovos”. A essa altura, meu simples café imaginário com pamonha já se transformava em um banquete.

A imaginação fica solta quando o corpo está cansado e preso a uma cama. Hoje posso me dar a esse delicioso luxo, pois ontem varei a noite fazendo nascer para a vida espiritual mais um filho. Momento em que foram entoados muitos cânticos que atraíssem boa sorte, prosperidade, alegria, união, saúde, enfim, tudo de bom que uma pessoa precisa ter para caminhar com dignidade na vida. Enquanto minha imaginação vagava entre o passado recente de um ritual e o futuro próximo de um café da manhã, não foi pequeno o susto que levei ao ouvir uma voz que parecia querer ser ouvida por todo o universo:

“Sucateiro, sucateiro, compro sucata pra reciclagem”. A voz do sucateiro me assustou, mas o que ele queria comprar para reciclar me surpreendeu. “Quem tem ilusão pra vender? Quem precisa se desfazer de suas ilusões? Quem quer me entregar suas ilusões? Preciso de ilusões para reciclar, preciso de ilusões para transformar em sonhos! Olha o sucateiro…” – insistia o sucateiro.

Meu corpo se esqueceu de que estava exausto e deu um pulo da cama (ainda bem que ele não se esqueceu de pegar a bengala). Parece que a curiosidade é um grande despertador na vida e da vida. Sabendo que minhas pernas não tinham a rapidez necessária para alcançar o comprador de ilusões, precisei pedir a alguém que o trouxesse até minha presença. Ainda zonza de sono, não sabia se tinha alguma ilusão para vender, até porque não estava entendendo como era o funcionamento daquele comércio. Sabia apenas que precisava conhecer aquele estranho comerciante.

O sucateiro de ilusões aproximou-se de mim muito contente. Pensei que ele estava acreditando que iria fazer um excelente negócio comigo. Seu contentamento, segundo ele próprio, era simplesmente pelo fato de conhecer mais uma pessoa. Para meu espanto, fiquei sabendo que seu grande prazer era quando encontrava alguém que não tinha nenhuma ilusão para lhe vender e que o prazer era muito maior quando encontrava pessoas que já sabiam reciclar suas próprias ilusões em verdadeiros sonhos possíveis de serem concretizados, independentemente do tempo que eles precisassem para se realizarem.

Eu não sabia se alguma ilusão ainda estava viva em mim. Sonhos, eu sabia que ainda tinha muitos. Após uma longa e frutífera conversa, o sucateiro se despediu. Eu fiquei ponderando sobre a inusitada situação que acabava de vivenciar e relembrei do ritual da noite passada, cujos cânticos têm a função maior de reciclar as cabeças dos iniciados e do iniciante, que estava entregando sua cabeça ao comando de seu orixá.

* Por Maria Stella de Azevedo Santos – Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. 

 

Fonte: A Tarde Online