“Branco significa puro” argumenta a cantora nigeriana Dencia, durante uma entrevista para o canal britânico de televisão “Channel 4″, em defesa do creme clareador de manchas escuras Whitenicious, desenvolvido por ela. O produto se tornou polêmico após a artista negra aparecer com a pele significativamente mais clara após usá-lo, causando um furor entre jovens africanos que, como a estrela pop, desejam se tornar brancos.

O site do cosmético apresenta informações vagas sobre sua composição, informando apenas a presença de ingredientes naturais de alta qualidade. O rótulo do creme clareador menciona extrato de aloe vera e vitamina C, componentes que, segundo a dermatologista da Unifesp (Unifersidade Federal de São Paulo) Valéria Petri, não são capazes de promover um clareamento extenso total quanto o apresentado pela estrela pop africana. Ela ainda alerta que o uso de vitamina C em grande quantidade pode provocar alguns tipos de câncer de pele.

NEGROS REJEITAM CREME CLAREADOR E FALAM DE PRECONCEITO EM SP

A dermatologista acredita que o Whitenicious contenha hidroquinona em sua fórmula, derivado da borracha com grande potencial carcinogênico que é proibido no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). De acordo com ela, a substância também pode provocar lúpus (uma doença autoimune), hipertensão e até mesmo a modificação do DNA com prejuízo a gerações futuras. “Não há sentido em clarear uma pessoa negra, porque ela foi preparada pela natureza com aquela quantidade de pigmento para ser protegida do sol”, afirma Valéria.

Mesmo com tantos riscos à saúde, jovens africanos, indianos e norte-americanos estão pagando até U$S 160 por um frasco de 60 ml do cosmético da empresa de Dencia, com sede na Califórnia, nos Estados Unidos. O produto também tem causado a curiosidade de alguns brasileiros, que aparecem pedindo informações em páginas de redes sociais de sites especializados em importação.

Atacada pela imprensa internacional e por comunidades negras, Dencia rebate dizendo que a polêmica alimenta suas vendas e usa o Twitter para provocar seus críticos, como ao retuitar uma seguidora: “o creme é para manchas escuras, mas se você sentir que todo o seu corpo é uma mancha escura, use nele todo”.

Comunidade negra reflete sobre a autoestima

Para a cantora Sandra de Sá, este tipo de produto pode abalar a autoestima do negro, mas a palavra-chave deve ser consciência. “Não sou contra alisamento de cabelo, por exemplo, desde que seja feito de forma consciente”, e alerta: “pior que o preconceito, é o complexo”.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) lembra que todos têm direito a se submeter a tratamentos de beleza e que alisamento de cabelo é um procedimento procurado não apenas por negros, mas por pessoas de diferentes etnias. “Não podemos chegar ao ponto de perder nossa identidade”, afirma ao referir-se ao clareamento de pele da população negra.

O gerente de projetos da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Felipe da Silva Freitas afirma que discutir por que os negros não são valorizados como belos na sociedade é fundamental para entender o interesse por esse tipo de produto: “É lamentável que este clareador de pele se beneficie dos problemas que o racismo provoca na autoestima das pessoas negras. E alerta: “existe uma tendência negativa de responsabilizar a pessoa negra, que é vítima do racismo, pela reprodução do racismo”.

Já o músico Macau –compositor da música “Olhos Coloridos”, que ganhou fama na voz de Sandra de Sá– acredita que, embora os negros brasileiros tenham avançado nos últimos anos, muitos também queiram clarear a pele com a intenção de abrir as portas da sociedade. “Na hora de procurar emprego, por exemplo, o negro vai concorrer com o branco, por isso ele imita a roupa e o cabelo do branco”, afirma Macau. “O negro deve deixar os porões da sociedade e abandonar a cruz da escravidão”, complementa o músico.

O rapper paulistano Max Dmn acredita que o hip hop tem contribuído para que o negro brasileiro aceite sua cor e seu cabelo e lamenta que exista um produto capaz de clarear a pele das pessoas. Ele associa a baixa autoestima dos negros à falta de referência para as crianças da etnia: “Você liga a TV e só vê desenhos animados com pessoas brancas de cabelo liso e artistas brancos. Se não houver orientação da família sobre o valor das diferenças étnicas, é claro que a criança vai querer reproduzir o mundo maravilhoso que vê na TV”, analisa Dmn.

Manifestações de racismo não devem intimidar os negros

Benedita da Silva, que hoje tem 72 anos, diz que o cargo político não a livrou do preconceito e recorda que, na infância, a discriminação racial a fez ter vontade de não ser negra: “tive atitudes horrorosas de negação da cor da minha pele. Mas o apoio de uma criança branca me fez dar a volta por cima antes de chegar à adolescência”.

Diferentemente da deputada, Sandra de Sá diz que nunca se apavorou com preconceito, mesmo na ocasião em que, há 28 anos, foi obrigada a usar o elevador de serviço para subir ao apartamento do padrinho de seu filho Jorge de Sá, o músico Cazuza. De acordo com a cantora, ela e seus pais agiram com tranquilidade, já sabendo o que aconteceria quando o porteiro do prédio, que também era negro, proibiu que eles subissem no elevador social: “O Cazuza e a mãe dele, a Lucinha Araújo, desceram querendo prender o cara”, lembra com bom humor.

Macau conseguiu transformar a revolta do episódio em que foi vítima de racismo, no início da década de 80, na letra de uma música que virou um dos principais hinos da comunidade negra. O músico conta que estava com um amigo em uma exposição escolar no Estádio do Remo da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, quando foi abordado por um policial.

“Eu apresentei minha identidade e ele queria que eu o acompanhasse. Uma discussão se iniciou quando eu não quis acompanhá-lo. Então eu fui chamado de crioulo e apanhei”. A confusão terminou na delegacia onde Macau passou a noite até ser libertado por um padre. “Quando saí de lá, fui para a praia do Leblon e chorei”, lembra ao contar como a letra de “Olhos Coloridos” surgiu em sua cabeça.

Mais de 30 anos se passaram e histórias como a de Macau ainda se repetem, como a do ator Vinícius Romão, preso por engano no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2014. “Estes episódios recentes demonstram que a luta contra a discriminação não está concluída na sociedade”, afirma Freitas.

Max Dmn lembra que há 15 dias saía de uma agência bancária quando uma mulher em sua frente se virou para trás e segurou a bolsa assustada: “Eu também me assustei e olhei pra trás com medo, mas percebi que era pra mim que ela estava olhando, era a mim que ela temia”, conta o rapper que lamenta ter ouvido da mulher um “obrigado”, ao invés de “desculpa”, quando ele disse a ela que não iria assaltá-la.

Fonte: Raça Brasil

 

Os Estados Unidos comemoram 50 anos da aprovação parlamentar da lei que acabou oficialmente com o racismo no país. A comemoração de 50 anos da lei dos direitos civis, reuniu três ex-presidentes na biblioteca Lyndon Johnson em Austin no Texas. Jimmy Carter e Bill Clinton discursaram ao longo da semana, Jorge W. Bush subiu ao palco no dia 9/04 no período da tarde, mas o pronunciamento mais esperado do dia foi do presidente Barak Obama, beneficiado direto da reforma que acabou com a segregação racial.

“Por causa do movimentos pelos Direitos Civis, por causa do que o Presidente Johnson assinou, novas portas de oportunidade e educação se abriram para todos, não todas de uma vez, mas elas se abriram, não apenas para negros e brancos, mas também para mulheres, hispânicos, asiáticos, índios americanos, homossexuais e deficientes, elas se abriram para você e se abriram para mim” disse o presidente.

Obama reconheceu que a questão racial ainda está presente na politica americana, mas disse que a vida dele, da primeira Dama Michelle e das filhas são um reflexo da lei assinada por Johnson.

O projeto de lei foi apresentado em Junho de 1963, pelo então presidente John Kennedy, a luta pelos direitos civis estava no auge liderada pelo ativista Martin Luther King, manifestações tinham sido rigorosamente repreendidas pela policia em várias cidades americanas. O projeto se arrastou no congresso até a morte de Kennedy em novembro de 1963. Ao assumir a presidência, Lyndon Johnson conseguiu o sinal verde dos parlamentares e assinou a lei em Julho de 1964. 50 anos depois do fim da segregação, a igualdade racial plena ainda não é uma realidade nos Estados Unidos, os negros correspondem a 15% da população americana, mas ganham salários mais baixos, tem menos acesso a educação e são maioria entre a população carcerária.

Fonte: G1

Nascida em 1914 no dia 14 de março, na cidade rural de Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus até hoje i415609tem a sua importância subestimada dentro da literatura brasileira. A escritora teve uma vida complexa e tensa como só pode ser a vida de uma mulher negra. Estudou por dois anos “as primeiras letras”, como diziam, mas interrompeu os estudos porque foi obrigada a migrar com a mãe para outras cidades, na luta pela sobrevivência. Vagou, segundo suas anotações em diários, por algumas cidades do interior de São Paulo, até que por fim migrou para a capital paulista (1947), como empregada doméstica acompanhando os patrões.

Inquieta e questionadora, Carolina não se adaptou às exigências do emprego doméstico, nos quais as relações de trabalho se assemelhavam ao extinto regime escravista. Acabou indo morar na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, uma das que surgiam com o processo de crescimento da cidade de São Paulo. Crescimento esse que teve como uma das consequências a ocupação de habitações precárias pela população preta, pobre e migrante, aglomerada em locais sem infraestrutura. Ela buscava e encontrava no lixo aquilo que a cidade desprezava, sua fonte de renda para sustento dela e dos três filhos. Perambulando pela cidade que observava, admirava sua ostentação: luzes, casa, flores, pessoas e avenidas, contrastando com sua realidade vivencial. À noite, em seu barraco, apinhava a família além da miséria. Entre o ronco da fome, os pedidos dos filhos e os burburinhos da vizinhança, tão esquecida e desprezada como ela, extraia a matéria prima para a sua escrita dos livros, para o seu sonho de se tornar escritora, mais precisamente poeta, e abondar aquela vida de precariedade.

Carolina arquitetava outra vida para ela e os filhos. Escrevia constantemente e procurava os jornais e editoras para publicar o seu trabalho, como relata em seu diário. Obviamente não conseguiu sucesso nesta investida, visto que não logrou credibilidade ao mostrar seus manuscritos registrados em papéis reutilizáveis, grafia e gramática que denunciavam os seus poucos anos de estudo formal, que para uma arte elitista como é a literatura escrita, não coadunava. Insistentemente, ela escrevia o seu dia a dia, repórter de si mesma e da cidade, que olhada pelo ângulo dos pobres à margem do rio Tietê não consegue ostentar nem o glamour, nem a ilusão de um progresso igualitário.

O que muitos chamam de coincidência é na verdade intencionalidade por parte de Carolina, que mostrava seus escritos aos profissionais da assistência social e religiosos que iam prestar assistência aos “favelados”. Em 1958, mostrou a um jovem repórter, Audálio Dantas, da Folha da Noite, designado para fazer matéria sobre a favela do Canindé, os seus escritos em cadernos que reaproveitava. Impressionado com o que leu, Audálio compilou algumas páginas e intitulou “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”. Publicado em agosto de 1960, foi recorde de vendas. A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana. Depois, foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Carolina de Jesus logrou realizar os seus dois intentos, tornou-se escritora e, no mesmo ano da publicação de seu livro (1960), se mudou da favela do Canindé para uma casa de alvenaria, comprada com o resultado editorial de venda de “Quarto de Despejo”. Recebeu homenagens, nacionais e internacionais, viajou por vários estados do Brasil. A vida de Carolina Maria de Jesus, se fosse ficção, terminaria com letreiros de fim e final feliz.

Pressionada pela editora, ela escreveu “Casa de Alvenaria”. Lançado em 1961, o livro não teve o mesmo impacto que antecessor. A escritora passou a questionar as desigualdades sociais a partir da “sala de visita”, termo que usava para designar um lugar digno. Houve uma mudança de lugar físico, mas não do local social de onde De Jesus fala, em relação à sociedade.

Fonte: Raça Brasil

Passageiro ia para o funeral da mãe, no Recife, mas não conseguiu comprovar transação feita pelo cartão de crédito

A companhia aérea Gol foi condenada pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Amazonas a pagar R$ 20 mil em indenização a um consumidor por racismo. O passageiro ia viajar para Recife para comparecer ao funeral da mãe.

A discriminação racional ocorreu por parte de uma atendente da Gol no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, em 2011.

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Segundo nota publicada no site do TJ, o consumidor teve dificuldades para comprovar uma transação feita pelo cartão de crédito do chefe no mesmo dia da viagem. Impossibilitado de entrar no voo, ele afirmou que iria buscar os seus direitos.

“Quando virou as costas, ouviu a funcionária proferir ofensas discriminatórias, na frente de outros passageiros, dizendo: ‘tinha que ser preto mesmo'”, informa a nota.

Além da indenização por danos morais, a Gol também foi condenada a pagar a quantia de R$ 1.842,22, a título de indenização por danos materiais, pelo valor gasto com a compra das passagens no cartão de crédito do chefe do passageiro, acrescidos de juros e correção monetária.

Procurada, a Gol informou que só se manifestará na Justiça.

 

Fonte: IG

A exposição Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber, patente na OCA do Parque Ibirapuera de S. Paulo, resulta de uma parceria entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e o Museu Afro Brasil, de S. Paulo. Inaugurada no âmbito da celebração do dia da cidade de S. Paulo, às 19h do dia 24 de Janeiro de 2014, esta exposição deu inicio às comemorações dos 10 anos do Museu Afro Brasil e, simultaneamente, encerra as comemorações dos 100 anos da Faculdade de Ciências de Coimbra.

Com peças raras das coleções científicas (Antropologia e Astronomia) da Universidade de Coimbra e de colecionadores particulares, reflete sobre a construção do conhecimento científico português em relação aos povos e territórios do além-mar, principalmente na África e no Brasil.

O ponto de partida é a refundação da Universidade de Coimbra, na era do Marquês de Pombal (1699-1782), e a introdução do ensino das ciências na educação superior em Portugal, trazendo esse olhar para a contemporaneidade. Entre as peças e obras expostas, há astrolábios, esferas, lunetas, mapas feitos pelo engenheiro italiano Miguel Ciera no séc. XVIII, cartas geográficas, desenhos, bustos frenológicos, contadores lusíadas (séc. XVI-XVII), olifantes (séc. XV-XVI), fotografias, documentos históricos da Universidade, herbários de Friedrich Welwitsch no séc. XIX e retratos do Marquês de Pombal (por Francisco José Resende, 1882) e de D. Francisco de Lemos (1735-1822), brasileiro que foi bispo e reitor de Coimbra.

Outro núcleo da exposição apresenta o raríssimo acervo de Antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, destacando-se, entre os objetos etnográficos, 32 tampas de panela do povo Woyo, recolhidas pelos missionários do Espírito Santo, de presença marcante em Angola desde a década de 1860; uma cadeira de espaldar do povo Chowke; uma máscara masculina Nkaki, dos Luluwa; uma estatueta de representação de missionário, do povo Yombe; duas máscaras do povo Songo; e pentes e máscaras Mwana Pwo e Cihongo dos artistas contratados pela companhia Diamang, que trabalhavam numa aldeia situada no complexo do Museu do Dundo, em Angola.

Incorporados à exposição na Oca, artistas contemporâneos atualizam esse universo da “Cartografia do Poder”: Albano da Silva Pereira, Albuquerque Mendes, Ana Vieira, André Cepeda, Arthur Omar, Aston, Cristina Ataíde, Debbie Fleming Caffery, Didier Morin, Dominique Wade, Edgar Martins, Gérard Quenum, Gonçalo Pena, Guilherme Mampuya, Joan Fontcuberta, João Fonte Santa, João Pedro Vale, Joel-Peter Witkin, José de Guimarães, José Luís Neto, José Resende, José Rufino, Lygia Pape, Miguel Palma, Nuno Cera, ORLAN, Paul Den Hollander, Sam Durant, Sofia Leitão, Susana Anágua, Tunga e Yonamine.

Viagens científicas

Os laços históricos entre Portugal e Brasil são bastante conhecidos, mas o grande público geralmente desconhece o interesse científico que Portugal, a Metrópole, sustentou em relação às suas colônias, como o Brasil e Angola. O investimento de cunho científico no Ultramar refletiu-se na aquisição, por instituições portuguesas, ao longo dos séculos de dominação, de exemplares do reino mineral, vegetal e animal, além de objetos etnográficos, testemunhos da rica história dessas regiões.

Até a primeira metade do século XVIII, as remessas e recolhas desses exemplares estavam relacionadas, sobretudo, aos interesses privados da Coroa portuguesa e da nobreza mais esclarecida. Foi a partir dos anos oitenta de Setecentos e ao longo do séc. XIX que as coleções, frutos de recolhas e aquisições, passaram a ser sistematizadas nos Museus de História Natural de acordo com critérios científicos definidos, em grande parte, por naturalistas estrangeiros que chegavam a Portugal para suprir a falta de profissionais formados em escolas portuguesas.

Dentre os naturalistas tratados na exposição, destaca-se o italiano da cidade de Pádua, Domingos Vandelli (1735-1816), que teve importante papel não apenas como diretor do Museu de História Natural, do Laboratório Químico e do Jardim Botânico e docente de História Natural e Química em Coimbra, mas também como responsável pela incorporação de coleções no próprio Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, no decurso de diversas viagens filosóficas organizadas por ele ao Brasil e África.

O impulso da Ciência em Portugal, iniciado na segunda metade do século XVIII, ampliou-se no século XIX no território brasileiro, com a vinda da família real para o Brasil e a abertura dos portos, que favoreceu a entrada de naturalistas estrangeiros. Foi nesse contexto que ocorreu a criação, através de um decreto de 1818, do Real Museu no Rio de Janeiro. A criação desse espaço culminou não apenas na intensificação das pesquisas, mas principalmente no estreitamento dos laços entre Brasil e Portugal, na medida em que algumas coleções de Lisboa foram transferidas para o Brasil.

O estudo e a exploração da natureza expandiram-se para o continente africano ao longo do século XIX. Estas expedições com objetivos científicos vão estar presentes na exposição através de herbários do botânico Friedrich Welwitsch em Angola, no ano de 1852, e de parte substancial da coleção etnográfica do professor Luís Carrisso, recolhida entre 1927 e 1936.

Exposição apresentada inicialmente em Portugal e agora em versão ampliada pelo Museu Afro Brasil, que incorporou objetos valiosos sobre a história de Angola e artistas contemporâneos brasileiros, “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber” propicia reflexões sobre a alteridade, o hibridismo, a dominação e o poder, temas inerentes à História da formação do Brasil.

 

Exposição: “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber”, do Museu Afro Brasil.

Facebook: https://www.facebook.com/dacartografia.brasil

Abertura: 24/01, às 19h.

Local: Oca do Ibirapuera
Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3
Tel: (11) 3105-6118 e (11) 5082-1777.
De 25 de janeiro a 23 de março de 2014.

Terça-feira a domingo, das 10h às 17h.

Entrada gratuita

Fonte: Buala

Dentre a vasta obra de Abdias Nascimento, o livro Axés do Sangue e da Esperança-Orikis é o único de poesia. Foto: Xando Pereira/Ag A TARDE/13.11.2002

Dentre a vasta obra de Abdias Nascimento, o livro Axés do Sangue e da Esperança-Orikis é o único de poesia. Foto: Xando Pereira/Ag A TARDE/13.11.2002

Lindinalva Barbosa é autora de As Encruzilhadas, o ferro e o espelho, estudo sobre a obra poética de Abdias. Foto: Lúcio Távora/Ag. A TARDE

Intelectual multifacetado, Abdias Nascimento (1914-2011) nasceu em 14 de março,  Dia da Poesia. A data foi escolhida para festejar esse gênero literário por conta do  aniversário de Castro Alves. Curiosamente, também é o  dia em que a escritora Carolina de Jesus nasceu.  Os três produziram uma arte saída da vivência ou da aproximação (no caso de Castro Alves) com o  universo negro. Embora pouca gente saiba, Abdias publicou Axés do Sangue e da Esperança-Orikis, único livro de poesias da sua vasta obra.

A surpresa de muitos quando se deparam com o livro, publicado em 1983, é por conta da imagem do combatente aguerrido de Abdias que, por vezes, acaba ofuscando a sua imensa sensibilidade.
“O  senso comum tem uma noção de  poesia como algo que está apenas  no campo do lirismo. É como se as posturas mais aguerridas e mais duras estivessem  distanciadas desse campo”, explica Lindinalva Barbosa, autora da dissertação As Encruzilhadas, o Ferro e o Espelho .

A pesquisa que resultou no texto apresentado para a obtenção do seu título de mestre em Estudo de Linguagens pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) mostra as formas artísticas e discursivas do livro com característica diferenciada dentre a obra literária de Abdias.
Lindinalva conta que tomou contato com o livro em 1986, período inicial da sua trajetória como militante do Movimento Negro Unificado (MNU).

De acordo com ela, embora o livro  traga poesia, ele reflete o espírito mais geral da produção de Abdias.

Luta e religião

“A obra de Abdias está inserida no campo da  literatura negra, conceito que uso. Esse tipo de literatura traz a mensagem capaz de comunicar a luta cotidiana que é travada contra o racismo”, acrescenta.

A religião afro-brasileira é a base dos poemas reunidos no livro. O título escolhido por Lindinalva faz referência aos três orixás que dominam a obra: Exu, Ogum e Oxum.

Exu é o senhor das encruzilhadas, ou seja, dos  vários caminhos que se encontram e exigem decisões; Ogum é o dono da tecnologia e arte de retirar do ferro os variados objetos, inclusive as armas; Oxum é a dona da fertilidade e da luta que combina paciência e inteligência.

“Em uma entrevista que fiz com Abdias, ele chegou a me dizer que Exu era o patrono da sua ação política, como aquele que não se conforma com  as situações que o racismo coloca e que entra e sai de encruzilhadas. Abdias era assim”, diz.

“Ogum prepara as armas e Abdias sempre disse que tudo o que fazia era  ferramenta para a luta contra o racismo;  Oxum é o orixá votivo de Abdias, que, de certa forma, contrabalançava seu espírito bélico, pois ela também é bélica, mas de uma forma mais maleável, engenhosa e sinuosa como as águas”, completa a pesquisadora.

O encontro de Abdias com as religiões afro-brasileiras aconteceu  na década de 1930, no terreiro de Joãozinho da Goméia, no Rio de Janeiro.

“Em uma de suas biografias, ele coloca que o  momento em que deu conta de si enquanto sujeito negro de uma forma mais plena e decisiva foi quando se aproximou do universo afro religioso”, afirma Lindinalva.

Uma amostra dessa arte pessoal e engajada é um dos trechos do poema intitulado Mucama-mor das estrelas: Não direi que isto é poesia/ talvez lembranças fantasia/ quem sabe murmurar de sonhos/ testemunho ou biografia.

O trabalho de Lindinalva Barbosa ainda não foi publicado em livro, mas pode ser conferido tanto no site do Programa de Pós Graduação em Estudo de Linguagens da Uneb, como no site do Ipeafro, que reúne produções sobre Abdias.

 

Fonte: Mundo Afro

Bate-papo com Marcos Cardoso no Espaço Cultural Tambor Mineiro irá versar sobre a importância da memória cultural africana na formação do país

No próximo dia 22 de março, sábado, às 14h, o historiador e filósofo Marcos Cardoso irá receber o público no Espaço Cultural Tambor Mineiro para o bate-papo “Introdução à História da África e resistência negra”. O objetivo é introduzir os participantes à história do continente africano, com ênfase na resistência do povo negro, da escravidão à contemporaneidade. Eles serão convidados a refletir sobre a presença civilizatória da África no mundo e no país a partir de uma introdução sobre a importância da memória cultural africana na formação das culturas negras na diáspora e no Brasil, no processo de construção da identidade étnico-racial e na identidade nacional.  As inscrições são gratuitas, abertas a todos os interessados e podem ser feitas pelo telefone (31) 3295-4149. O Tambor Mineiro fica à Rua Ituiutaba, 339, Prado.

O bate- papo faz integra a programação da ocupação anual do Espaço Cultural Tambor Mineiro, realizada por Maurício Tizumba, idealizador e coordenador do espaço, em parceria com o grupo percussivo Bloco Saúde. O projeto Bloco Saúde/ Tambor Mineiro prevê, além de cursos de aperfeiçoamento do próprio grupo, sete bate-papos e workshops gratuitos e abertos ao público. “A parceria com o Bloco Saúde existe há quatro anos e é aqui que o grupo se formou. Esse projeto amplia essa parceria e oferece uma programação de qualidade para a cidade e os interessados em conhecer mais sobre a nossa cultura, a cultura do nosso povo”, afirma Tizumba.

 O Tambor Mineiro ainda receberá os workshops Cajón Afroperuano, com o músico, cantor, compositor e luthier argentino, Beli; Labidumba, uma oficina de canto ministrada pelo cantor, compositor e multiinstrumentista, Sérgio Pererê; Gunga, com Maurício Tizumba; Dança afro, com Benjamin Abras; Congado, com o capitão-mor Antônio Ciriaco; e pandeiro, com o instrumentista Digão. Todas as atividades do projeto contam com o apoio do Instituto Unimed-BH.

 MARCOS CARDOSO

Mestre em História Social e bacharel e licenciado em Filosofia pela UFMG. Na Prefeitura de Belo Horizonte coordenou as comemorações do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, o 1º  Festival Internacional da Arte Negra de Belo Horizonte, o Núcleo de Implantação do Centro de Referência da Cultura Negra da Secretaria Municipal de Cultura, entre outros. Foi  também secretário executivo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, professor da especialização em Estudos Africano e Afro-Brasileiros da PUC/Minas e do programa de Ações Afirmativas da Faculdade de Educação da UFMG.  

 

INSTITUTO UNIMED-BH

 O Instituto Unimed-BH é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 2003 com a missão de conduzir o programa de Responsabilidade Social da Unimed-BH, contribuindo para a melhoria consciente e continuada da qualidade de vida das comunidades onde ela atua. Como o referencial adotado é a promoção de vidas saudáveis, os projetos do Instituto têm na saúde sua área prioritária de intervenções, mas mantêm interface com outros campos, como a educação, cultura, lazer e capacitação profissional. Além de sua atuação social, o Instituto Unimed-BH busca fortalecer a cultura em Minas Gerais, apoiando projetos artísticos, através de seu programa de incentivo, amparado na Lei Rouanet.

 

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Em sua segunda edição, a Mostra irá receber inscrições de grupos e artistas de Minas que tenham a cultura afro como tema ou um elenco predominantemente negro

A segunda edição da Mostra Benjamin de Oliveira já tem data e local: de 16 a 27 de abril, no Oi Futuro. Para compor a grade de programação, além de dois espetáculos da Cia Burlantins – Clara Negra e Oratório – e de cinco espetáculos convidados, a Burlantins está fazendo um chamamento público para conhecer espetáculos de teatro, dança e circo que tenham a cultura afro como tema ou um elenco predominantemente negro.  As inscrições são gratuitas e abertas a grupos e artistas de todos o Estado até o dia 16 de março. Os interessados devem acessar o formulário – cujo link está disponível na página facebook.com/burlantins – e preencher as informações solicitadas. É necessário ter um vídeo que mostre o trabalho.

O nome da mostra já revela seu eixo temático. Benjamin de Oliveira, patrono da Burlantins desde a fundação do grupo, nasceu em 1870 e foi o primeiro palhaço negro do Brasil. É considerado o criador do circo-teatro brasileiro, gênero que levava para as ruas paródias de operetas, contos de fadas teatralizados e grandes clássicos da literatura. Nos entreatos, cantava lundus, chulas e modinhas em companhia de seu violão. Ao escolher o nome daquele que era conhecido como “Rei dos Palhaços”, a companhia reitera seu desejo de valorizar a riqueza cultural dos negros brasileiros.

O Governo de Minas apresenta a segunda edição da Mostra Benjamin de Oliveira, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, que tem patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

 

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As feridas abertas pelo ataque racista a Márcio Chagas da Silva vão demorar a fechar. Depois de encontrar bananas no seu carro após apitar o jogo entre Esportivo e Veranópolis, na Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, ele se emocionou ao relembrar o episódio. Em sua casa, em Porto Alegre, o árbitro lamentou o ato, ocorrido após a vitória dos donos da casa por 3 a 2.

– Quando me deparei com meu veículo com as portas amassadas e bananas por cima… banana no cano de descarga, eu fiquei muito decepcionado por ser tratado dessa forma, já que vivemos numa cidade relativamente educada e evoluída. Eu pensei no meu filho. Pensei: “Eu vou dar um beijo no meu filho” e dizer “cara, para ti isso não vai acontecer porque isso é muito ruim, é muito ruim” – disse, chorando.

bananas

Foto: Márcio Chagas da Silva/Arquivo Pessoal

– Eu me senti muito mal, bem decepcionado, porque a gente sai de casa sempre para fazer o melhor trabalho possível. Lógico que os erros da arbitragem vão acontecer, e não foi motivo para que tivesse acontecido tudo isso dessa forma negativa, porque, se forem buscar as imagens e até as análises da partida, não há lances contestáveis pra que pudesse acontecer uma manifestação tão negativa como foi dessa forma. E até meu questionamento aos meus colegas no término da partida foi… isso porque a equipe do Esportivo venceu a partida, imagine se fosse ao contrário. De repente colocariam fogo no meu carro? Invadiriam o vestiário? – questionou.

O árbitro garantiu que vai fazer boletim de ocorrência e que aguarda um posicionamento da Federação Gaúcha de Futebol:

– Eu preenchi a súmula, eu vou fazer o boletim de ocorrência ainda, porque não consegui fazer ontem (quarta-feira). Fiquei bem abalado emocionalmente e não consegui fazer naquele momento, queria voltar o mais rápido possível para minha residência.

 

Fonte> Geledes

 

 

Baiana

Imagem  —  Publicado: março 8, 2014 em Cliques
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