Curta sobre samba de bumbo promove debate e festa no Jongo Reverendo

Curta sobre samba rural paulista será exibido com debate e festa no Jongo Reverendo

 

 

No  dia 27 de agosto, sábado, às 18h, o espaço Jongo Reverendo irá exibir o curta-documentário “Esse bumbo é meu”, seguido de bate-papo com personagens do filme e apresentação do grupo Samba de Bumbo de Dandara. O evento tem como objetivo a reflexão e celebração do empoderamento da mulher no samba rural paulista.

 
“Reúne-se um grupo de indivíduos, na enorme maioria negros e seus descendentes, pra dançarem o samba. (…) Instrumentos sistematicamente de percussão, em que o bumbo domina visivelmente. (…) As mulheres nunca tocam. Os homens, pelo contrário, todos tocam, e indiferentemente qualquer dos instrumentos passando estes de mão em mão”, Mário de Andrade (1933).

 
Programação:
18h – Documentário “Esse bumbo é meu”
https://www.facebook.com/essebumboemeu/
18h30 – “Mulher, candidate-se.”
Coletivo Pagú prá Ver de Teatro do Oprimido. Formado por trabalhadoras das áreas de assistência, saúde, educação e administrativa apresentará cena que trata da questão da objetificação da mulher na mídia e propaganda.
19h – Bate-papo sobre o filme e empoderamento da mulher, com realizadores e personagens.
20h – Empoderamento da mulher e preparação para fazerem o samba de bumbo junto com o grupo Samba de Bumbo de Dandara
21h – Apresentação do grupo Samba de Bumbo de Dandara

ESSE BUMBO É MEU
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Sinopse “Esse bumbo é meu”

O filme registra o samba de bumbo, expressão musical tradicional do interior paulista, herança do tempo da escravidão. O documentário apresenta a luta das mulheres do samba para manterem viva a cultura de seus ancestrais, enfrentando diversos conflitos. Soluções se apresentam, mas afinal, de quem é esse bumbo?

Direção colaborativa de  Ruy Reis, Paula Simões, Dagmar Serpa, Marina Chekmysheva e Daniel Mirolli. Co-produçao Academia Internacional de Cinema.

Grupo Dandara - Lançamento do Livro Barbara Esmenia
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O grupo de Samba de Bumbo de Dandara surgiu de um desejo de mulheres fazerem o samba de bumbo que originalmente é tocado por homens, cabendo as mulheres o papel de apenas dançarem. É comum encontrar puxadores do samba mulheres, mas tocando é algo que ainda não esta presente nessa manifestação.
Muitas das quadrinhas remontam o período da escravatura, parte dessas quadrinhas narram esse momento e com o tempo foi incorporando outros temas.  Infelizmente poucos valorizam a importância da mulher nessa manifestação.  O Samba de Bumbo de Dandara é uma tentativa de valorizar o samba tradicional e seus batuqueiros, mas principalmente homenagear as matriarcas e reafirmar o papel da mulher negra à frente dessas manifestações, apoderando-se daquilo que é dela por ancestralidade. Ao homenagear a guerreira Dandara estendemos para as Marias, Antonias e outras guerreiras que carregam no sangue a história de lutas do povo e da mulher negra.

Sobre o Jongo Reverendo
Terreiro contemporâneo de cultura e entretenimento. Conteúdo e diversão voltados para riqueza da da herança ancestral afro brasileira.
Serviço
Local: R. Inácio Pereira da Rocha, 170 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05432-010
Horário: 18h
Entrada: franca
Página do Facebook: https://www.facebook.com/essebumboemeu/
Evento: https://www.facebook.com/events/103220066797688/
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Mãe Menininha do Gantois será tema da Vai Vai no Carnaval do ano que vem

Mãe Menininha do Gantois é homenageada no Carnaval 2017

Mãe Menininha do Gantois é homenageada no Carnaval 2017 / Divulgação

A Mãe de Santo baiana Menininha do Gantois será a homenageada da Escola de Samba Vai Vai no carnaval paulistano do ano que vem. A escolha foi feita para marcar os 30 anos de morte da matriarca do candomblé, que representa a cultura e religiosidade de matriz africana na Bahia

Com enredo já definido – No Xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu. Menininha Mãe da Bahia, Ialorixá do Brasil – e uma sinopse do desfile, representantes da escola foram à Bahia pedir oficialmente autorização à Mãe Carmem, filha da homenageada e atual ialorixá do Terreiro do Gantois, localizado no bairro da Federação, em Salvador.

“Este ano, exatamente por causa do aniversário de morte de Mãe Menininha, veio essa vontade do nosso presidente de fazer a homenagem a essa grande figura, para abordar todo o legado de amor, de paz, de união, de religiosidade que ela deixou. Dessa forma, fomos consultar a Mãe Carmem, lá no Gantois, e felizmente obtivemos isso [a autorização]. A nossa intenção é fazer um grande xirê [palavra iorubá que significa dança e evocação aos orixás] no palco do Anhembi e contar a trajetória de doçura dessa ialorixá mais famosa do mundo”, disse à Agência Brasil a diretora de Carnaval da Vai Vai, Janaína Decarli.

Janaína contou que a ideia de homenagear a matriarca baiana surgiu em um sonho do presidente da escola, Darli Silva (Neguitão). Segundo a diretora, Silva sonhou que a Vai Vai deveria homenagear a Mãe Menininha e propôs aos demais membros da agremiação, que acataram a sugestão.

“Vamos levar para a avenida o legado de amor, a doçura, a história de vida com os orixás, em vida e depois da morte. Quando se lembra de Mãe Menininha, lembra-se de amor. A gente vai falar dela, pelas veias do candomblé, por meio dos orixás. Vamos trazer essa bandeira de homenagem ao candomblé e às religiões de matriz africana. Vamos passar por cima de todo o preconceito e intolerância que existe contra algumas religiões, contra orientação sexual, de raça”, acrescentou a representante.

Integrantes da Vai Vai pedem autorização para homenagear Mãe Menininha

Integrantes da Vai Vai pedem autorização para homenagear Mãe Menininha / Divulgação

A proposta da homenagem foi levada diretamente aos envolvidos com o Terreiro do Gantois e aos familiares da Mãe Menininha, em Salvador. A filha caçula da homenageada, Mãe Carmem, é a atual ialorixá do terreiro. Hoje, com 88 anos, ela contou que recebeu com alegria a notícia do tema do desfile da Vai Vai. Mas o “sim” só pôde ser dado após uma consulta aos orixás.

“Depois que consultei os orixás, eles aceitaram que fizessem [a homenagem]. Eu fiquei muito feliz e agradecida, porque é uma grande homenagem a mamãe, então só tenho a agradecer. Por que não aceitar isso, com o consentimento dos orixás? Vai sair muita coisa do candomblé: muita cultura, de tudo um pouco, vai ser uma coisa linda. Eu não vou participar do desfile porque a homenagem será para mamãe, mas sei que vai ser muito bonito”, disse a mãe de santo.

Sobre a importância de combater a intolerância religiosa, a ialorixá é taxativa: “nem Deus e nem o Diabo quer [a intolerância]”.

“Eu fui criada totalmente no candomblé, minha mãe era do candomblé, mas tivemos muita vivência católica, por exemplo. Ela queria que fôssemos batizados e fizéssemos a primeira comunhão na Igreja Católica. Então, dentro do candomblé, não se proíbe nada que é bom. Não há justificativa [para a intolerância religiosa]. Por que essa intolerância? Só porque é de preto e pobre? Não pode ser”, afirmou a filha de Mãe Menininha, que ressalta a importância de mostrar o candomblé como uma religião que prega o bem e a igualdade.

Para o diretor do Centro de Estudos Afro Orientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor Lívio Sansone, ligado à área de antropologia,  a importância de Mãe Menininha extrapola a religiosidade e reflete a luta que ela mesma teve em defesa do candomblé.

“O carnaval é feito de festa e celebração e é bom que sejam celebradas também as pessoas que tiveram o grande mérito de preservar as tradições africanas no Brasil e aprenderam a apresentá-la de maneira interessante a um público muito amplo. Mãe Menininha teve esse grande mérito, era uma mensageira entre dois mundos: o mundo da casa de santo e o mundo da sociedade mais ampla. Ela foi visitada por presidentes, políticos, sempre por pessoas importantes. Ela foi determinante na luta para tirar o candomblé da marginalidade e transformá-lo em uma das tantas religiões do Brasil”, disse o especialista.

Na opinião de Sansone, a escolha da homenageada é justa e merecida, inclusive como forma de mostrar à população a importância do respeito à religiosidade. Se o carnaval tem que homenagear alguém, nada melhor do que Mãe Menininha, sobretudo neste momento em que é necessário lutar para que a tolerância religiosa seja uma prática, não somente um lema. Ela é um símbolo grande e é justo que seja escolhida”, acrescentou.

Em 1976, dez anos antes de morrer, Mãe Menininha do Gantois foi homenageada pela Escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel. Ela nasceu em Salvador, em 1894, e morreu em 1986, aos 92 anos, de causas naturais. Descendente de pessoas trazidas da Nigéria para serem escravizadas, a mãe de santo foi escolhida para ser ialorixá do Terreiro da avó, ainda criança. Passou, oficialmente, a matriarca do local, aos 28 anos.

Pinacoteca organiza debates sobre a produção de artistas afrodescendentes brasileiros‏

Seguindo as comemorações que marcam o aniversário de 110 anos da Pinacoteca do Estado, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, nos dias 30 de abril e 07 de maio o espaço realiza Seminário “Territórios: Artistas Afrodescendentes no Acervo da Pinacoteca”. A iniciativa é uma parceria do museu com a revista O Menelick 2º Ato e vai promover gratuitamente palestras e mesas-redondas que visam discutir a produção dos artistas afrodescendentes brasileiros. O evento é gratuito e acontecerá das 10 às 16 horas no auditório da Estação Pinacoteca. Necessária inscrição prévia.

“Por motivos diversos, esses artistas não figuram na historiografia hegemônica da história da arte brasileira e, portanto, são estudados sem o devido zelo, ou estão relegados apenas a espaços que se dedicam a salvaguardar e propagar a cultura afro-brasileira. Nossa intenção é trazer esse assunto à tona e promover a troca de ideias. Uma proposta complementar às múltiplas relações, reflexões e descobertas proporcionadas pela exposição temporária de mesmo nome que segue em cartaz até 13 de junho”, explica o diretor geral da Pinacoteca Tadeu Chiarelli, também curador da mostra em questão.

Profissionais, acadêmicos e artistas como Emanoel Araújo, Renata Bittencourt, Janaina Barros, Nelson Fernando Inocêncio, José Nabor Júnior, Claudinei Roberto, Renata Felinto e Alexandre Araujo Bispo estão confirmados na programação do seminário. Jaime Lauriano, Sidney Amaral, Rosana Paulino, Peter de Brito, Flávio Cerqueira, Rômmulo Vieira Conceição e Genilson Soares também falarão acerca de suas produções, da cena da arte brasileira atual e do papel das instituições neste contexto.

Para participar basta enviar um e-mail para pinacotecasp@pinacoteca.org.br. A inscrição é gratuita. É possível garantir vaga para os dois dias ou só para um deles. Mais informações no (11) 3335-4990.

 

PROGRAMAÇÃO

30 de abril

Manhã – 10h às 12h30

Tema: Artistas Afrodescendentes na História da Pinacoteca do Estado

10h às 12h – DepoimentoEmanoel Araujo, artista e diretor do Museu Afro Brasil
Mediação: Tadeu Chiarelli, diretor geral da Pinacoteca do Estado
12h às 12h10
José Nabor Júnior, editor-chefe da revista O Menelick 2º Ato
12h10 às 12h30
Stand de distribuição da revista O Menelick 2º Ato

Tarde – 14h00 às 15h50

Tema: Artistas e instituições: é preciso colorir para enxergar

14h00 às 14h20 – Comunicação
Renata Bittencourt – UFC/Secretaria de Estado da Cultura
As instituições brasileiras em relação à produção de artistas afrodescendentes

14h20 às 15h50  – Mesa redonda

Janaina Barros – Universidade de São Paulo

Tema: Os artistas afrodescendentes e a visibilidade de suas produções em instituições de arte
Nelson Fernando Inocêncio – Universidade Federal de Brasília

Tema: Artistas afrodescendentes no acervo do Museu Afro Brasil
Mediação: Claudinei Roberto – curador independente

07 de maio

Manhã 10h30 às 12h20

Tema: Artistas e História: é preciso rever para compreender

10h30 às 10h50 – Comunicação – Alexandre Araujo Bispo – O Menelick 2º Ato, Diretor da DACE/ CCSP e curador independente

Atuação dos artistas afrodescendentes no cenário internacional e a revisão histórica e crítica acerca do protagonismo dos afrodescendentes

10h50 às 12h20

Depoimentos de: Jaime Lauriano, Sidney Amaral, Rosana Paulino

Mediação: Renata Felinto – O Menelick 2º Ato e Universidade Regional do Cariri, no Ceará.

Tarde – 14h00 às 15h50

Tema: Artistas e a Forma: é preciso criar para existir

14h00 às 14h20 – Comunicação – Peter de Brito – Artista visual; coletivo A Presença Negra

Artistas afrodescendentes como artistas cuja origem étnica racial não é condição imprescindível para disparar o processo criativo

14h20 às 15h50

Depoimentos de Flávio Cerqueira, Rômmulo Vieira Conceição, Genilson Soares

Mediação e fechamento do seminário: Diretor Tadeu Chiarelli.

 

Fonte: Caros Amigos

Onde o tambor bate mais forte

No coração da Vila Madalena, Jongo Reverendo recorre à matriz africana para promover shows e atividades culturais

Jongo

Há um espaço em São Paulo onde o tambor bate mais forte e convida à celebração, à festa, ao congraçamento. O Jongo Reverendo, no coração da Vila Madalena, buscou na matriz africana a inspiração para se tornar uma casa que alia shows e atividades culturais.

No amplo espaço de 300 metros, cabe do jongo tradicional, remanescente quilombola, a espetáculos de samba, rap e forró. “Nosso universo é bem rico e temos muita coisa a trabalhar”, diz a empresária Adriana Carvalhaes. “Sempre fui ligada à cultura popular, sou publicitária, trabalhei no Bar Brahma, tive uma experiência na escola de samba Mangueira relacionada a projetos de marketing. Sou preta… (risos)”.

Adriana cresceu entre aulas de balé e piano, mas acabou por se encontrar nas origens, no trabalho com a matriz africana. No Jongo Reverendo, busca a diversidade. “Aqui na Vila Madalena temos uma demanda grande para um único público, pessoal voltado à economia criativa, da PUC e da USP. Mas também quero gente que consiga ver essa cultura afro, a celebração de tambores”, diz. A seguir, trechos da entrevista de Adriana a CartaCapital.

CartaCapital: Qual o modelo que Jongo Reverendo segue?

Adriana Carvalhaes: A casa surge dentro da matriz africana, com tudo o que se pode receber como legado no aspecto de cultura, música. Podemos falar que aqui cabe desde a apresentação de um jongo tradicional, que vive em Guaratinguetá, remanescente quilombola, até uma festa como a Pilantragi, de música brasileira, que atrai um público mais jovem, mais desligado da cultura popular. Dentro desse espectro vêm o forró, o rap, as rodas de samba. Nosso universo é rico e temos muita coisa a trabalhar.

CC: Que público a casa quer cativar?

AC: Queremos diversidade, não só as turmas de universitários. Buscamos pessoas que consigam ver que existe uma celebração de tambores, o que pode criar uma identificação positiva para congregar tudo o que temos de influência da matriz africana, tudo o que foi transformado aqui, como as aulas de capoeira. Assim como o forró e o jongo, queremos colocar luz nessa cultura ainda desconhecida. Nossa base forte é o samba, não há outra expressão de cultura popular tão conhecida. Em relação ao jongo, perdemos a tradição por ser passado de forma oral, difícil de disseminar. Quando fui estudar o assunto, vi que há três funções básicas, a sagrada, ritualística, com rezas para os orixás, outra ligada à maçonaria, com trocas de informação, daí haver tantos pontos de jongo enigmáticos, e a função em que me agarrei, a da diversão. O momento do batuque era o de alívio para os escravos. A hora de se expressar, cantar, congregar.

CC: Como é a programação do Jongo Reverendo?

AC: Às quintas estamos com a temporada do grupo Sambeto, com o projeto Vozes do Morro, em formato de show. Todo mundo dança muito. Às sextas entramos com formato variado, com base em roda de samba, Os Batuqueiros e Sua Gente. Na sequência, na sexta seguinte, entra Batuque Bantu, roda de samba com Ivisson Pessoa, uma pegada bem ancestral, com influências da nação bantu nagô. Na terceira sexta volta o Sambeto com o instrumental Na Boca do Povo, um projeto um pouco mais pop. A quarta sexta do mês deverá ter samba de quadra, de terreiro, com compositores. O sábado à tarde vamos trabalhar com o Samba da Feira, grupo da Zona Norte que faz samba há 12 anos e lota uma feira de lá. São 11 meninos na roda. No dia 2 de agosto, domingo, vamos estrear o projeto La Rumba no Jongo, do cubano Jorge Ceruto.

 Fonte: Carta Capital

São Paulo registra 68 denúncias de racismo em um ano

Por Daiane Souza

A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo registrou, ao longo de um ano, 68 denúncias de racismo. Dessas, 37 ocorreram na capital, 11 na região metropolitana e 20 no interior paulista. As ocorrências, que estão em fase de investigação, foram registradas com base na Lei Estadual n° 14.187/2010 que prevê punição administrativa em casos de discriminação racial e étnica.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Com a implementação lei estadual, o objetivo é ampliar as possibilidades de denúncia para os cidadãos, garantindo a punição de pessoas, empresas ou estabelecimentos praticantes de atos racistas. Os casos mais comuns de discriminação racial cometidos contra negros são agressões verbais e intolerância religiosa.

Para Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), os números divulgados pela Secretaria são estatísticas reais do que acontece pelo Brasil afora. “Muitos dos casos de preconceito não são denunciados por medo ou por desconhecimento de sua procedência enquanto crime”, explica. Eloi Araujo ainda acrescenta que “a iniciativa do Estado em apresentar seus primeiros dados oficiais mostra a relevância do tema, podendo servir de base para a criação de novas medidas para o combate ao racismo”.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi/SP) é a única em funcionamento no país. Dos casos registrados no período de janeiro a novembro de 2010, 30% corresponderam à crimes de discriminação racial. O mais alto percentual entre as ocorrências. Os inquéritos abertos pela Decradi por intolerância à opção sexual corresponderam a 19,65% e os de motivos que não competem ao órgão chegaram à 21,34%, no mesmo período.

Outras instalações da Decradi devem ser instaladas pelos estados brasileiros. No Rio de Janeiro, a criação da delegacia já foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado. Em Goiás, um projeto de lei está em tramitação. A medida é vista por ativistas da causa negra como uma grande conquista, uma forma de mostrar como os crimes de racismo vem sendo cada vez mais abominados e punidos.

Nos estados onde não há a presença da Decradi, as pessoas vítimas de preconceito podem fazer denúncias em qualquer posto do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) ou nas prefeituras locais.

Fonte: Palmares